Corrupção: Pires de Lima desvaloriza “castigo” aplicado ao PP em Espanha

O ministro da Economia, António Pires de Lima (Foto: abola arquivo)

O ministro da Economia, António Pires de Lima, atribuiu hoje o “castigo” eleitoral aplicado ao partido da maioria em Espanha, o PP, aos casos de corrupção, desvalorizando que em Portugal a maioria PSD-CDS possa sofrer o mesmo nas legislativas.

O ministro da Economia, António Pires de Lima (Foto: abola arquivo)
O ministro da Economia, António Pires de Lima (Foto: abola arquivo)

“Acho que as circunstâncias são diferentes. Um dos temas que mais tem preocupado os espanhóis nos últimos anos é a falta de transparência – e até alguns casos de corrupção que foram conhecidos – o que contamina muito a confiança e dá espaço a discursos políticos se calhar um pouco populistas, demagógicos, mas alternativos”, disse hoje em Madrid Pires de Lima, que é também um dos conselheiros nacionais do CDS-PP.

Para o ministro da Economia, Portugal não tem tido nos últimos anos “uma densidade e intensidade de casos [de corrupção] como em Espanha”. “Aqueles que existem são conhecidos, estão identificados e a justiça está a fazer o seu caminho”, disse, sem especificar.

Por isso, realçou, as circunstâncias são diferentes. “Interpreto, em parte, os resultados das regionais aqui em Espanha mais como uma reserva ao comportamento em termos de seriedade e transparência de muitos políticos do que propriamente um castigo às políticas económicas que estão a ser seguidas e que, de facto, estão a trazer crescimento a Espanha, neste momento até superior ao que temos em Portugal”, salientou.

Por outro lado, o Pires de Lima considerou que “em Portugal o resultado eleitoral será [sempre] mais previsível” do que em Espanha – porque não tem formações políticas radicais.

“O espaço político dos candidatos a PM é mais um espaço de moderação do que de radicalismo, embora o ambiente de picardia política seja muito intenso neste período”, considerou.

Por isso mesmo, afirmou que está confiante de que o fenómeno político em Espanha não vai influenciar os portugueses.

“Acho que os portugueses pensam pela sua própria cabeça. São um povo moderado que demonstrou a sua enorme maturidade nestes últimos quatro anos. Percebem o que estará em causa em outubro e não prevejo nenhum crescimento de forças políticas que fragmentem de forma não desejável – impedindo até – a governação em Portugal depois de Outubro”, afirmou.

Pires de Lima disse mesmo que “Portugal é um país politicamente previsível, até um bocadinho enfadonho do ponto de vista político”, mas contrapôs que isso é uma boa notícia para os investidores.

Nas eleições municipais e autonómicas de domingo em Espanha, o PP foi o partido mais votado a nível nacional (ainda que perdendo 2,5 milhões de votos face a 2011), mas perdeu todas as maiorias absolutas de que dispunha nas comunidades e em várias cidades chave, incluindo Madrid. O partido de Mariano Rajoy ficou assim vulnerável a acordos entre os partidos de esquerda que afastem os “populares” do poder em várias regiões estratégicas.

Espanha realiza eleições gerais (legislativas) no final do ano (em data ainda por anunciar). (noticiasaominuto.com)

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