Corrupção na Fifa: “Era uma Copa do Mundo da fraude”, diz investigador americano

Loretta Lynch (REUTERS)
Loretta Lynch (REUTERS)
Loretta Lynch (REUTERS)

O esquema de corrupção investigado por autoridades norte-americanas e suíças na Federação Internacional de Futebol (Fifa) era “uma Copa do Mundo da fraude”, na definição de Richard Weber, chefe de investigação criminal da receita dos Estados Unidos. Loretta Lynch, procuradora-geral do país, disse que os dirigentes presos “corromperam o futebol para enriquecer”.

As entrevistas foram concedidas após a polícia suíça realizar, na manhã desta quarta-feira (27), a prisão de sete altos executivos da entidade maior do futebol, entre eles o brasileiro José Maria Marín, ex-presidente da CBF. As prisões foram feitas seguindo determinação da justiça dos Estados Unidos. “Este Departamento de Justiça está determinado a acabar com essas práticas, a fim de erradicar a corrupção”, disse Lynch.

As autoridades norte-americanas não quiseram se pronunciar sobre a possibilidade de outros dirigentes da Fifa, como o presidente Joseph Blatter, serem incluídos posteriormente na investigação – que até o momento trabalha com 14 nomes, nove ligados à entidade do futebol. Mas a investigadora do distrito de Nova York Kelly Currie disse, mais cedo, que as buscas e prisões desta quarta-feira “foram apenas o começo”.

Duas gerações de propinas

Loretta Lynch também acrescentou que a investigação americana ocorreu separada, mas em paralelo com os trabalhos da polícia suíça, que também apurava indícios de suborno no processo de escolha das sedes das copas de 2018 e 2022, na Rússia e no Qatar.

“Foi a Copa do Mundo da fraude. Hoje estamos mostrando a eles o cartão vermelho”, disse Richard Weber. Segundo a procuradora Lynch, a corrupção vinha desde 1991 e envolveu “duas gerações de dirigentes do futebol, que usaram suas posições para exigir propinas de empresas de marketing desportivo em troca de direitos comerciais dos torneios”.

Como exemplo, ela citou a organização da Copa América que será realizada em 2016, nos Estados Unidos, que teria gerado subornos estimados em US$ 110 milhões. “As investigações revelaram que aquilo que deveria ser uma manifestação desportiva foi usado como um veículo para uma rede maior para encher os bolsos de executivos “, afirmou Lynch. (rfi.fr)

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