Corrupção custa 2 mil milhões de dólares à Petrobras

(Foto: D.R.)
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Petrolífera brasileira apresenta prejuízos de 2014, abana mas não cai, mas analistas admitem que apenas se conhece a ponta do icebergue do gigantesco escândalo.

Devastador, o esquema de corrupção exposto na “Operação Lava Jato” é difícil de contabilizar. A gestão ruinosa dos antigos responsáveis da Petrobras terá provocado perdas de 2,3 mil milhões USD, com prejuízos acumulados de 19 mil milhões.

Um rombo gigantesco que inclui desde comissões indevidas a variações das taxas de câmbio, gestão ruinosa, como com os custos de construção de duas refinarias e abandono de outras duas, e que tiraram à empresa mais de 1.000 milhões USD. Para pôr ordem na casa, o novo director- geral, Aldemir Bendine, antigo dirigente do Banco do Brasil, apresentou as contas possíveis e pediu desculpas aos empregados e accionistas pelo escândalo de corrupção que qualificou como um “grande desastre”.

O novo homem forte da petrolífera brasileira diz que “a Petrobras foi vítima disso tudo” e que agora é hora de “virar a página”. O grupo petrolífero brasileiro avaliou os prejuízos em 6,2 mil milhões de reais (mais de 2 mil milhões USD) decorrentes do esquema de corrupção que a afectou, e que foi exposto pela Justiça, por ocasião da apresentação, na semana passada, das contas de 2014.

Envolvida num gigantesco esquema de corrupção, com ramificações políticas que atingem o governo da presidente Dilma Rousseff e a sua coligação governamental, até Novembro, a Petrobras não esteve em condições de avaliar as perdas, devido ao escândalo, e de apresentar oportunamente as suas contas validadas por um auditor externo.

Para o novo presidente da empresa, a publicação dos resultados foi “um passo fundamental em direcção à recuperação da credibilidade plena da companhia”. Para calcular as perdas de património provocadas pela corrupção, a empresa estimou um sobrecusto de 3 % sobre os contratos negociados com 27 empresas subcontratadas pelo grupo no âmbito de uma rede ilícita.

Na verdade, ainda não é possível contabilizar definitivamente as perdas com a corrupção na Petrobras e, segundo a agência de notação financeira Moodys, o escândalo poderá vir a custar até 5 pontos no crescimento do Brasil.

A Petrobras foi durante um período, ainda não determinado, alvo de um vasto esquema de corrupção, que implicava a cobrança de comissões em troca dos contratos assinados com os seus fornecedores. Uma parte das comissões era entregue a personalidades políticas, na sua maioria parlamentares, deputados ou senadores, pertencentes à coligação no poder, segundo a justiça.

O grupo petrolífero brasileiro registou perdas totais de 21 mil milhões de reais no exercício de 2013 e depreciação de activos avaliados em 44,6 mil milhões de reais. Um antigo director da empresa, Paulo Roberto Costa, foi colocado em prisão domiciliária até Outubro de 2016, por lavagem de dinheiro e envolvimento em organização criminosa. A condenação está ligada a desvios de fundos públicos durante a construção da refinaria Abreu e Lima no estado do Pernambuco.

“A partir de agora, a Petrobras garante de novo a normalidade das suas relações com os seus investidores (…). Divulgamos com transparência e claridade os números de 2014”, sublinhou o novo responsável da empresa.

Analisando a situação do país e o escândalo da Petrobras, Larry Fink, presidente da BlackRock, a principal gestora financeira do mundo, disse à revista Exame que “havia muita gente a correr riscos exagerados” e que percebeu que “o país estava prestes a bater na parede. E, de facto, foi isso que aconteceu. O Brasil bateu na parede”.

O desafio do novo responsável da Petrobras é enorme, dado que a empresa é agora a petrolífera mais endividada do mundo, o que a obriga a cortar nos investimentos (29 mil milhões USD em 2015 e 25 mil milhões em 2016), uma redução de 37% face aos planos anteriores.

Por esse motivo, Benine anunciou que se vai desfazer de algumas participações no pré-sal, em fase de produção. Contudo, a Petrobras necessita de investimentos e está no mercado a solicitar empréstimos.

A primeira ajuda veio do Banco de Desenvolvimento da China com um empréstimo de 3,5 mil milhões USD. Mas a petrolífera precisa de mais dinheiro e deverá lançar um empréstimo obrigacionista no mercado interno, segundo revelou o seu director-financeiro, Ivan Monteiro. Entretanto, a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, disse que a Petrobras “já superou o escândalo de corrupção, limpou o que tinha de limpar” e que “continua de pé”, sublinhando que a empresa deu a volta por cima e bateu recordes na produção de petróleo tirado do pré-sal.

“Considero muito importante a aprovação do balanço, porque a Petrobras vira uma página e acerta seu passo. Tenho certeza de que a Petrobras ainda nos vai dar muitas alegrias nos próximos meses e anos”, declarou. (expansao.ao)

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