Colóquio Internacional revisita a história da Casa dos Estudantes do Império

(Foto: Jorge Monteiro/Portal de Angola)
(Foto: Jorge Monteiro/Portal de Angola)
(Foto: Jorge Monteiro/Portal de Angola)

Em 1943 foram criadas a Casa dos Estudantes de Moçambique ( Coimbra ) e a Casa dos Estudantes de Angola ( Lisboa ). No ano seguinte surgem outras casa de jovens africanos a estudar em Portugal. A criação da Casa do Estudantes do Império de acordo com a nota informativa da Organização, foi proposta e cito por ” proposta do ministro das Colónias e apoiada pelo Comissário Nacional da Mocidade Portuguesa.

Além da sede em Lisboa e da delegação em Coimbra, houve uma mais tardia e efémera delegação no Porto. A Casa cedo subverteu as expectativas oficiais de um corpo obediente e alinhado com a ideologia imperial”, conforme e citando o documento de apresentação da Organização. Mas hoje na histórica Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa, a História da Casa dos Estudantes do Império (CEI ) cruzou o olhar da Memória, recebeu e evocou testemunhos e figuras históricas que passaram e viveram na Casa dos Estudantes do Império, foram lembradas e recordadas quer pelo seu envolvimento político, quer pelo seu posicionamento face a História dos seus países.

Como refere o documento introdutório e citando o mesmo, ” pela Casa ( ou melhor pelas Casas ) passaram jovens de diferentes proveniências geográficas, de diferentes etnias e com diversas posições político-ideológicas. Juntos defenderam a liberdade e a independência da Casa num país fascista. Muitos deles viriam a participar nas lutas de libertação nacional, alguns dos quais em posições de destaque como militantes e dirigentes, outros como participantes na construção dos novos países africanos independentes”.

E neste primeiro dia, Olhares transversais de Investigadores de diferentes origens e especialistas em Ciências Sociais e das Humanidades, revisitaram a História, o que foi o Colonialismo, os Legados e a Memória. 11 painéis temáticos integram este Colóquio Internacional e o objectivo é reler o passado, mas como disse Victor Ramalho, actual Secretário-Geral da UCCLA, ” não há futuro sem memória”. E por isso entre a perspectiva de análise e estudos das Comunicações apresentadas, o debate gerou questões pertinentes dos conferencistas participantes, quer pelas possíveis contradições existentes à época, quer pelos conflitos internos e da luta e do pensamento em estratégias que visavam o despertar de uma consciência nacionalista, mas também a atitude crítica face a um sistema político que era necessário combater.

Luís de Almeida (actual Embaixador de Angola junto da CPLP), Tomás Medeiros (Médico santomense) (Foto: Jorge Monteiro/Portal de Angola)
Luís de Almeida (actual Embaixador de Angola junto da CPLP), Tomás Medeiros (Médico santomense) (Foto: Jorge Monteiro/Portal de Angola)

E foi o período entre 1944 e 1965 que foi e será discutido ao longo destes dias, mas também será o testemunho de militantes da causa que amanhã farão reunir à tarde o Olhar histórico-político de Edmundo Melo Rocha ( Médico angolano ), Fernando Mourão ( Professor de Arquitectura), Humberto Traça ( General e antigo Adido de Defesa da Embaixada de Angola em Portugal ), Manuel Videira ( Médico angolano ), Tomás Medeiros ( Médico santomense ) e Rute Magalhães, num debate moderado pela Investigadora Cláudia Castelo, num painel intitulado ” A Casa por quem a viveu “. No período da manhã e neste sábado, o tema ” Os Movimentos Estudantis no desmoronar dos vários Impérios Coloniais ” e a ” Circulação Transnacional de actores, Textos e Ideias Anticoloniais e a Emergência dos Modernos Nacionalismos Asiásticos e Africanos ” abrem o segundo dia de trabalhos deste Colóquio Internacional sobre a antiga Casa dos Estudantes do Império numa perspectiva temporal e reflexiva do que foi o Império Colonial, os Movimentos AntiColoniais, a análise da PIDE-DGS e o percursos percorridos no contexto social, político e cultural. Olhar o passado, é também uma forma de quebrar tabus, abrir horizontes e sentir o mundo num quadro global de múltiplos desafios.

Embaixador Luís de Almeida, Escritoir e Jornalista Gabiel Baguet Jr, Médico angolano Manuel Videira (Foto: Jorge Monteiro/Portal de Angola)
Embaixador Luís de Almeida, Gabiel Baguet Jr, Dr Manuel Videira (Foto: Jorge Monteiro/Portal de Angola)

Hoje cruzaram-se abraços e apertos de mão entre Luís de Almeida( actual Embaixador de Angola junto da CPLP ) e João Boal, entre estes e Edmundo Melo Rocha e Tomás Medeiros, passando por Humberto Traça, Júlio Correia Mendes, Filipe Zau ( actual Reitor da Universidade Independente de Angola e antigo Conselheiro Cultural da CPLP em Lisboa ), Aida Freudenthal, Manuel Videira e o curioso é que no tema ” Os Filhos da Casa “, serão oradores Ana Maria Mesquita, Ricardo Costa, Fidel Reis, Francisco Viana e Sandra Monteiro.

(Foto: Jorge Monteiro/Portal de Angola)
(Foto: Jorge Monteiro/Portal de Angola)

É o cruzamento de várias gerações e o testemunho de um lado da História. Como alguém disse no Colóquio, ainda há um longo caminho a percorrer face à Casa dos Estudantes do Império. Há documentos para reler, estudos para fazer e recolha de outros testemunhos para ouvir. A História não é estática e as dinâmicas sociais também não. (Portal de Angola)

por Gabriel Baguet Jr, Jornalista/Escritor

Fotos de Jorge Monteiro/Arquivo Portal de Angola

2 COMENTÁRIOS

  1. Grandioso Colóquio. Grandioso pelo nosso encontro quase 40 anos depois. Como Filipe Zau e Inocência, como Tomaz Medeiros e António Fíuza colocaram importantes questões. Já sou mais velha e os anos passam. Deixei de ouvir a voz deste brilhante jornalista que é Gabriel Baguet Júnior e que muitos invejam. Mas a qualidade vence e aqui está a prova de um grande trabalho do Portal de Angola pelo seu punho e pelo filho de um grande nacionalista.

  2. Extraordinário trabalho da equipa do Portal de Angola. Ter estado na Gulbenkian foi reler histórias de vida e lembrar esse terrível período da PIDE/DGS. Os tempos mudaram. Estão aí outros mascarados de democratas. Fiquei muito feliz por rever o Adolfo Maria, o Edmundo Melo Rocha, o Tomáz de Medeiros, a Aida, a Rute, o Luís de Almeida, o Beto Traça, o Manuel Videira, mas que deviam ter falado noutras questões. Mas gostei muito de ouvir o Filipe Zau a fazer justiça histórica ao papel do Clube Marítimo Africano e as comunicações da Inocência Mata e Isabel Castro Henriques. Relembrar para não esquecer.

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