Coimbra: Muitos banhos de cerveja e pouca crítica social na Queima das Fitas

(LUSA)
(LUSA)
(LUSA)

O cortejo da Queima das Fitas de Coimbra de 2015 foi marcado por muitos banhos de cerveja e animação, mas os carros de curso, ao contrário de outros anos, apresentaram poucas críticas à atual situação do país.

No cortejo de Coimbra deste ano, com temperaturas de verão, não faltou cerveja, bem como vinho, whisky e vodka, entre outras bebidas, que, além de ingeridas pelos milhares de estudantes e público, serviram também para banhos entre as pessoas presentes.

No meio de abraços, bengaladas, gritos de curso e canções, os estudantes fizeram o seu percurso entre o Largo Dom Dinis e o Parque Verde.

No entanto, este ano não houve tanta crítica social nas 92 viaturas alegóricas que participaram no desfile, como observou o presidente do júri que avalia os carros de curso, Vitor Ferreira.

Além de “muito menos carros a concurso”, há “muito menos crítica política”, talvez devido a um “alheamento” por parte dos estudantes, apontou.

A falta de sátira não é sinónimo de que a crise terminou, mas sim um símbolo de uma ausência, “que já existe há muito tempo”, de envolvimento político dos estudantes “na sociedade, que era o que caracterizava a própria Universidade de Coimbra”, constatou Vitor Ferreira.

“Talvez os estudantes possam achar que há menos críticas sociais para fazer”, disse o estudante de relações internacionais, David Antunes, desvalorizando a atual situação e o desemprego jovem, considerando que cada um tem “de lutar por aquilo” que quer ser.

Beatriz Vicente, estudante de 21 anos, também registou “menos crítica social”.

Para a aluna de medicina, o cortejo é, acima de tudo, “um momento de festejo. Só quem não está aqui é que acha que a crítica é mais importante. [O cortejo] é uma altura para festejar”.

“É sempre espetacular. As pessoas estão divertidas e estão todas para o mesmo. É o espírito de Coimbra que se transmite a toda a gente”, sublinhou a estudante de 2.º ano de direito, Inês Neves.

Já Patrícia Carreira, de dietética e nutrição, que participa este ano no seu último cortejo, a saudade e o ambiente de festa misturam-se com o receio da vida futura.

“Não sabemos o que nos espera. Não sabemos se temos emprego ou não. Não sabemos o que nos vai esperar”, contou.

A Queima das Fitas de Coimbra começou na noite de quinta-feira para sexta-feira com a serenata monumental no Largo da Sé Velha. Os concertos, que se realizam na Praça da Canção e que começaram na sexta-feira, prolongam-se até 15 de maio.

(noticiasaominuto.com)

por Lusa

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA