China avalia novas áreas para financiar em Angola

(Foto: D.R..)
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Vários documentos foram apresentados à comissão mista de cooperação que reuniu ontem em Pequim cujo encontro serviu para a discussão de áreas e projectos que vão integrar as linhas de financiamento.

Angola e a República Popular da China perspectivam novas áreas de cooperação, devendo a parceria entre os dois países passar do financiamento para a reconstrução, crescimento e desenvolvimento do país. Com foco nesse objectivo, delegações multi-sectoriais dos dois países iniciaram esta semana, em Beijing, na China, a discussão preliminar dos documentos que foram apresentados à comissão mista de cooperação, que se realizou ontem, na capital chinesa.

“Tivemos o primeiro encontro técnico entre especialistas das duas delegações”, afirmou, no final do primeiro dia de trabalho, o director para Ásia e Oceania do Ministério das Relações Exteriores de Angola, André Panzo. Seg undo o director, no encontro, fez-se o balanço dos compromissos assumidos na última sessão da comissão mista e perspectivou-se o relan- çamento da cooperação. O responsável disse tratar-se de uma cooperação transversal que envolve vários sectores dos domínios económico, político e cultural, cujo balanço considerou positivo, tendo em vista os resultados registados. Para análise, constou ainda da agenda do encontro a discussão de áreas e projectos que vão integrar as possíveis linhas de financiamento, bem como um cronograma do que se pretende a curto, médio e longo prazos.

Entre os aspectos discutidos pelos especialistas, destaca-se a avaliação do quadro da coopera- ção existente, no intuito de dinamizar as acções em curso. A agricultura, energia, indústria, o sector mineiro e a formação de quadros estão entre as novas áreas de coopera- ção bilateral entre Angola e a República Popular da China, Estados que têm uma parceria estratégica desde 2010. No encontro, que decorreu no Ministério do Comércio da China, o director para Ásia e Oceania do Ministério das Relações Exteriores disse que se avaliou, entre outros instrumentos jurídicos, a renovação do acordo de cooperação cultural que venceu em 2014. O acordo inicial foi rubricado em 2012. “A nossa perspectiva é renovar esse entendimento para que prossiga a sua vigência”.

Ao encontro de especialistas multi-sectoriais compete analisar os domínios em que a cooperação pode ser alargada e submeter os resultados à comissão mista de cooperação. Não tem competência deliberativa. Novo rumo Em Abril passado, a secretária de Estado da Cooperação de Angola, Ângela Bragança, disse que a cooperação entre os dois paí- ses necessita de um novo ritmo com a introdução de um modelo mais dinâmico “que passe da empreitada para o investimento na industrialização”. Ângela Bragança, que se deslocou à China integrada na delegação chefiada pelo ministro de Estado e chefe da Casa Civil da Presidência da República, Edeltrudes Costa, disse ainda que Angola tem os recursos e a China a capacidade tecnológica para apoiar o desenvolvimento do país “pelo que analisámos a necessidade de dar um novo ritmo à cooperação bilateral.”

Sector petrolífero A China, além de estar a consolidar a sua posição como grande compradora do petróleo angolano, está a surgir como financiadora cada vez mais importante do país. Os dados oficiais mais recentes das exportações petrolíferas angolanas, recentemente divulgados, indicam que a China comprou mais de 116 milhões de barris de petróleo no ano passado, quatro vezes mais do que o segundo maior consumidor, a Índia. A Economist Intelligence Unit afirma que estes dados mostram a “importância da relação com a China”, até por se tratar de um fornecimento energético e por isso estratégico, a par de uma perda de importância das trocas com os Estados Unidos, que compraram apenas sete milhões de barris a Angola em 2014.

Cooperação nas tecnologias O Governo chinês através da empresa de telecomunicações Huawei tem ainda cooperado com o Estado angolano, na implementação de vários projectos ligados às tecnologias de informação e comunicação. O responsável do Departamento das Relações Públicas da Huawei, Kiki Wang Teng, disse recentemente, em Luanda, que a Huawei em 2014 implementou a solução de transmissão e multimédia trunking com a Empresa Nacional de Electricidade (ENE).

Em Abril de 2012 , em parceria com a Movicel implantou-se a primeira rede LTE de África; em Cabinda, em 2011, a Huawei fez uma parceria com a Unitel para a troca da rede GU nas províncias, o que representa mais de 45 por cento de sua rede e, em 2009, em parceria com o Governo angolano implementou-se o projecto de E-GOV.

Segundo o interlocutor, a Huawei tem desenvolvido no país, acções de formação e capacitação de quadros angolanos ligados ao mundo das tecnologias de informação e comunicação de vários ministérios. Salientou que, em 2012, a Huawei doou computadores e dispositivos de internet para escolas públicas de nove províncias, de que beneficiam 18 mil jovens. As relações diplomáticas entre Angola e a China datam de 1983. O comércio entre os dois países alcançou, em 2014, 37,07 mil milhões de dólares americanos. Angola é o segundo maior parceiro comercial da China em África, depois da África do Sul. (jornaldeeconomia.ao)

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