Champions: Juve na final. É um fato? Não, é um facto

(Daniel Ochoa de Olza/AP)
(Daniel Ochoa de Olza/AP)
(Daniel Ochoa de Olza/AP)

Ex-madridista Morata volta a desequilibrar e habemus Bayern-Juve em Berlim no dia 6 do 6.

Fim. Seis anos depois, o período de transição para a adopção do novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa chega ao seu termo e agora é para valer. Ganham-se algumas minúsculas como Maio,Sábado e Leste, perdem-se letras mudas como ótimo, objetivo e elétrico. Há ainda os casos da dupla grafia, como subtil/sutil e corrupto/corruto.

Finito. O sonho de Carlo Ancelotti em juntar dois títulos seguidos de campeão europeu como em 1989 e 1990, então jogador do Milan. É precisamente esse o repto (ainda é assim que se escreve, como adepto) depois de conquistado o Estádio da Luz há um ano, com aquele impensável 4-1 no prolongamento sobre o Atlético Madrid. A ideia é ser bi.

Algo que ninguém o é desde 1990. Ancelotti tem a receita? Todos julgam isso, até os jogadores mais influentes Casillas, Ramos e Ronaldo, só um duvida da magia do italiano. É ele o presidente Florentino Pérez. Quando a eliminatória dos quartos-de-final com oAtlético Madrid está tremida, filtram-se notícias sobre a saída de Ancelotti. Quem o salva é Chicharito, herói improvável do 1-0. Segue-se a Juventus nas meias-finais.

Arredada de uma final europeia desde 2003 (perdida para o Milan de A-n-c-e-l-o-t-t-i), a Juve chega ao Bernabéu em ligeira vantagem e acomoda-se como se nada fosse. Bale cabeceia por cima (2’), Benzema dribla Lichtsteiner antes de atirar para a fila Z (6’) e Ronaldo causa aqueles uyyyyyyy muito característicos (agora é caraterísticos) nos estádios de Espanha (11’). Reage a Juventus com Vidal a obrigar Casillas a bela defesa no chão (14’) e é só. O Madrid assume o jogo de novo e Buffon lá aparece finalmente aos 21’ para travar venenoso remate de Bale do meio da rua. Aperta-se o cerco e…

James pisa a bola, entra na área e cai. Ninguém acredita no árbitro a apontar para a marca de penálti. Todos duvidam, só um acredita (Florentino Pérez, por supuesto). É penálti, pois claro. James fura entre três italianos e Chiellini dá-lhe um toque desnecessário na perna. Correcta (ou será correta?) a decisão de Jonas Eriksson.

A 11 metros de Buffon, o português não se intimida e atira para o meio. Abre-se um parêntesis para repescar uma frase de Taborda, o guarda-redes do Covilhã com sete penáltis defendidos em dez na actual edição da 2.ª divisão.

“Um penálti marcado no centro da baliza é um penálti cobarde. Demonstra medo de escolher um dos lados, acaba por um escape fácil.” Que seja. Buffon vai para a sua direita e entorta a cabeça para a esquerda, onde a bola já lá mora. Um-zero, quinto golo de Ronaldo à Juventus (mamma mia) e décimo nesta Liga dos Campeões (todos, todos mas mesmo todos na primeira parte; outro mamma mia). Mais mamma mias? Vamos a isso: é o 10.º golo de Ronaldo em meias-finais europeias (o cliente que se segue é Del Piero, só com cinco) e o 307.º ao serviço do Real Madrid.Quer isso dizer isto: Di Stéfano, um dos grandes, senão mesmo o maior, é apanhado. Agora é ir atrás de Raúl, 323).

A Juve desanima, o Madrid cresce. Às tantas, Ronaldo recebe com o pé direito uma bola longa e atira de pronto com o esquerdo. A classe e o estilo estão lá, só lhe falta o golo. A malha lateral dá essa sensação mas é só. Pena. Daí até ao fim, só dá Sergio Ramos com dois remates (tantos quantos os da Juventus em toda a primeira parte).
O intervalo é bom para a Juventus e Marchisio demonstra-o sem pestanejar com um pontapé de raiva, ao lado (52’). É o mote para o quê? O 1-1 de Morata (ex-Madrid e já autor do 1-0 em Turim), na sequência de um cabeceamento de Pogba, colocado em jogo por Sergio Ramos, que fora esmurrado na cabeça por Casillas.Que falta de jeito.A mesma que acompanhará o Madrid daí para a frente. Tanto assim é que Buffon não faz uma única defesa digna de registo – no outro lado, Casillas adiar o 2-1 aos 70’ (Marchisio) e 88’ (Pogba).

Com Ilarra, Pepe, Coentrão, Arbeloa e Jesé no banco, Ancelotti só mete Chicharito e este não desata o nó. Pela oitava vez na história, a Juve está numa final da Taça/Liga dos Campeões. Pela oitava vez seguida, o Madrid não ultrapassa um rival italiano. É um facto, estamos todos de acordo. (ionline.pt)

 

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA