Catoca não preveniu aumento de custos

Sergey Amelin, novo Director Geral de Catoca (Foto: D.R.)
Sergey Amelin, novo Director Geral de Catoca (Foto: D.R.)
Sergey Amelin, novo Director Geral de Catoca
(Foto: D.R.)

A Sociedade Mineira de Catoca – quarto maior kimberlito do mundo – prevê facturar cerca de 630 milhões de dólares norte americanos este ano, atingindo um resultado líquido de 140 milhões de dólares. Os custos operacionais, segundo previsões de Sergey Amelin, novo director geral de Catoca, vão estar orçados em cerca de 365 milhões de dólares – menos 35 milhões do que no ano passado. A empresa facturou em 2014 cerca de 600 milhões dólares e teve custos operacionais na ordem dos 400 milhões.

De acordo com Amelin – que falou aos jornalistas em Catoca, numa conferência de imprensa à margem das festividades do 20.º aniversário da empresa e também alusivo ao dia do trabalhador mineiro, celebrado a dia 27 de Abril -, «na actividade mineira existe uma lei natural que diz que à medida que aumenta a profundidade da mina, aumentam os custos operacionais».

No caso de Catoca, o gestor russo lembrou que a equipa anterior – referindo-se à direcção de Ganga Júnior, que dirigiu a empresa durante os últimos 17 anos -, não se orientou atempadamente para esse fenómeno, o que fez com que a situação se agravasse e os custos operacionais subissem até cerca de 70% do total.

A produção mantém-se constante – cerca de dez milhões de toneladas de massa mineira processada por ano -, o que resulta na recuperação de aproximadamente seis milhões de quilates. Mas os custos de produção tendem a crescer, e os equipamentos utilizados na actividade também estão cada vez mais caros.

Todos esses factores fazem diminuir a rentabilidade do projecto, um dos motivos que levou os accionistas de Catoca a decidirem recentemente, durante a última assembleia geral, a mudança de direcção. Isso já estava previsto nos estatutos da sociedade, a alternância na direcção entre representantes das diferentes empresas accionistas: Endiama, Alrosa (que Sergey Amelin representa), Odebrecht e a recém-criada joint-venture que congrega a Sonangol e a CIC – China International Corporation.

Contratos em fase de revisão
Amelin, que trabalha como director geral há dois meses, considera no entanto que a empresa não está mal em termos de funcionamento: «Temos uma situação de funcionamento normal. Encontrei alguns excessos na parte dos gastos com o projecto, mas já estamos a trabalhar profundamente sobre esse assunto».

O novo director de Catoca vai rever os contratos com as empresas prestadoras de serviço, para reajustar os preços e garantir condições mais favoráveis para a empresa mineira.

Sergey Amelin entende que algumas companhias praticam preços muito altos, pelo que os deverão reduzir, sob pena de verem os contratos não renovados ou mesmo rescindidos. Dessa estratégia, diz, já são visíveis alguns resultados. Dá o exemplo da empresa de transporte de mercadorias Labuta, que já viu o seu contrato revisto com um desconto de 500 dólares por cada camião que transportar material de Catoca.

Através de um portal está previsto para breve serem publicadas as necessidades de Catoca, para que as empresas interessadas apresentem as suas propostas, em concurso público. O director geral acredita que o processo vai ser mais transparente, sendo seleccionadas apenas as empresas que oferecem as melhores condições.

Custos de detonação altos
As áreas produtivas, sobretudo a própria mina, são as que mais pesam na estrutura de custos de Catoca. Sergey Amelin sublinhou no encontro com jornalistas que os trabalhos de detonação e perfuração chegam a custar quatro dólares por metro cúbico. «O que esperamos é que os custos baixem para 2,5 ou 2,8 dólares por metro cúbico de massa detonada», adiantou.

Para Amelin também é possível reduzir os custos na parte operacional e para isso está a ser desenvolvido software tecnológico, para permitir uma monitorização constante e uma utilização mais eficiente do equipamento mineiro.

No entanto, o director geral lembro que ainda é muito cedo para avançar dados e prazos, já que está no cargo há pouco tempo.

Responsabilidade social não vai ser alterada 
A sociedade mineira de Catoca é o maior empregador e principal parceiro social do governo na Lunda Sul. Desenvolve vários projectos de responsabilidade social no domínio da saúde, educação, programas de combate à fome e à pobreza, desporto e cultura.

Com a nova direcção de Catoca, segundo fez saber Amelin, em termos de programas de responsabilidade social não vai haver alteração dos acordos com o governo local e dos compromissos com a comunidade local. «Os projectos de responsabilidade social da nossa empresa também foram analisados e para mim, como para todos os directores, essa componente é considerada especial e por isso não houve nenhuma conversa no sentido de redução», afirmou.

Catoca celebra todos os anos o Dia do Trabalhador Mineiro, uma festa que reúne profissionais das diferentes áreas da empresa, contando ainda com animação musical. Na ocasião são sorteadas viaturas, electrodomésticos e outros meios. Este ano não foi diferente e foram entregues 15 automóveis e outras tantas motorizadas. O evento foi teve também a participação de membros das autoridades tradicionais e do governo local.

Nascido na Rússia, Sergey Amelin é formado em Engenharia de Minas. Até ser indicado como director geral de Catoca trabalhou na companhia Alrosa, onde começou a sua actividade profissional há 20 anos. Passou pelos diferentes cargos dessa empresa, desde operador de moinho até chegar a director geral da Alrosa para a área de produção.

Amelin considera o cargo que assumiu como um desafio, mas mostra-se confiante quanto ao seu desempenho. Desde que tomou posse, já procedeu meia dúzia de nomeações e mudanças de cargo e realizou também dois encontros com o sindicato. Sobre a relação futura com os trabalhadores e os seus representantes, afirmou que quer trabalhar para a melhoria das condições e também da performance profissional dos mesmos.( sol.co.ao)

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