Caso Kalupeteca: O Estado exorbitou na abordagem

Abel Chivukuvuku, CASA-CE (Foto: D.R.)
Abel Chivukuvuku, CASA-CE (Foto: D.R.)
Abel Chivukuvuku, CASA-CE
(Foto: D.R.)

Numa altura em que a comunicação social manteve, na cadeia do Huambo, um primeiro contacto com o antigo líder da seita “Luz do Mundo”, Julino Kalupeteca, o líder da CASA-CE, Abel Chivukuvuku, considera ter havido excessos na abordagem por parte das autoridades

Referindo-se ao caso “Kalupeteca” e às mortes ocorridas na antiga vila Robert Williams, actual Caala, Abel Chivukuvuku, após uma longa digressão e auscultação de testemunhas e autoridades, atribui parte da culpa ao Governo, uma vez que ficou confirmado que a seita já existe há mais de 14 anos.

O político admite que houve muitas possibilidades de abordar o assunto de forma mais pacífica e estratégica, pois o acusado José Julino Kalupeteka “nunca foi bandido, muito menos representava perigo para a paz e estabilidade, inclusive o Governador local diz que possuía boas relações com o acusado”.

A CASA-CE conclui no seu relatório apresentado nesta Quinta-feira que houve informações falsas da parte das autoridades sobre o acampamento, como a existência de búnqueres, armamento etc. Daí que, segundo disse o governador Kundi Payhama, no encontro com Chivukuvuku, mesmo ausente da província orientou a tomada de medidas militares no monte do Sumi uma vez que tal se justificasse.

“Não obstante as testemunhas nas cercanias do local do crime terem admitido a morte de civis, nenhuma delas sabia precisar o número de civis mortos pelo contexto em que os factos ocorreram”, lê-se no referido relatório.

Esta formação política recomenda que todas as partes sejam notificadas e ouvidas em Tribunal para se apurar os verdadeiros culpados dos assassinatos, mas que deveria ser um trabalho que contasse com a colaboração de organismos independentes.

Ainda assim, o líder político encorajou ser preciso acreditar e ter fê que os culpados serão encontrados, embora se manifestasse céptico com a forma como as coisas estão a ser encaminhadas com torturas à mistura mesmo com a presunção de inocência.

“Os órgãos do Estado infelizmente são os que mais violam a própria lei. Não é novidade que nesses casos o Governo tenta sempre escamotear a verdade”, lamentou o líder da coligação politica, que entende que deveria ser o contrário para credibilizar o Estado.

Recomenda a implementação de acções de controlo das seitas, para se evitarem cenários semelhantes, bem como a criação de um clima pacífico e democrático.

Ainda esta semana outro político desta mesma coligação adiantou à VOA que caso os prevaricadores não forem apresentados, o relatório não for parcial, irão recorrer à Comunidade Internacional, como o Tribunal Penal de Haia. (opais.net)

Por: Norberto Sateco

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