Caso do avião Bombardier 6000 adquirido pelo Executivo: Oposição critica postura de gastos do Executivo

Bombardier Global 6000, o polémico jacto supostamente adquirido pelo Executivo angolano. (Foto: D.R.)
Bombardier Global 6000, o polémico jacto supostamente adquirido pelo Executivo angolano. (Foto: D.R.)
Bombardier Global 6000, o polémico jacto supostamente adquirido pelo Executivo angolano.
(Foto: D.R.)

A oposição política angolana manifesta- se “desapontada” com informações que dão conta da compra, pelo Executivo, de um avião “Bombardier Global 6000” de 12 lugares por um valor acima de USD 62 milhões. Enquanto isso, as autoridades governamentais contactadas por OPAÍS não confirmam a notícia.

Há já uma semana que o assunto ganhou amplitude mediática, nos meios convencionais de informação assim como na internet. O líder da CASA-CE, Abel Chivukuvuku, questionado na manhã de Quinta-feira última, 7, preferiu acreditar que esta situação seja uma “mera boca”, pois sustenta não ser crível que o Chefe de Estado angolano tenha autorizado uma compra dessas,  num período particular que o país atravessa. Mas o político esclareceu adiante que isto não significa o descartar por inteiro a possibilidade de ser um facto, na medida que várias falhas graves têm sido cometidas por esta governação e “que nós oposição temos vindo a alertar, daí não espantar actos do género”, rematou o líder da terceira força política do país.

“Não acredito muito que terá mesmo acontecido. Não vejo a razão de isso acontecer numa fase dessas que o país atravessa. Não quero acreditar que o Presidente terá ordenado essa compra,” concluiu Chivukuvuku.

Chivukuvuku fez estes pronunciamentos depois de questionado pelo Jornal OPAÍS durante a conferência de imprensa de apresentação do relatório sobre a sua digressão e de membros da sua organização politica às províncias do Huambo e Benguela, cujo pano do fundo foi a apuração dos números e causas das mortes nos nefastos acontecimentos da Caála, no conhecido “caso Kalupeteka”.

Entretanto, mesmo a não existirem dados oficiais, pelo facto de as autoridades se remeterem ao silêncio, outras forças da oposição reagiram de forma enérgica e crítica a esta informação. Para o partido do Galo Negro, a compra de um avião Bombardier Global 6000 por USD 62,5 milhões, alegadamente autorizada por despacho Presidencial traduz a forma desregrada como são geridos os fundos públicos do Estado angolano.

O porta-voz do maior partido da oposição, Alcides Sakala, em declarações à Voz da América considerou não fazer sentido algum que o Chefe de Estado autorize tal compra ao mesmo tempo, tendo em consideração a suposta crise financeira e não deixou de alertar que os cidadãos devem preparar-se para uma situação muito mais difícil devido aos gastos “desnecessários” e “supérfluos” levados a cabo pelo Executivo.

“São os tais excessos que nós temos estado a levantar no esbanjamento dos fundos públicos. E depois vêem com argumentos de reajuste do OGE, quando a gestão e planificação é precária,” sublinhou o antigo diplomata da UNITA no Reino Unido.

Sociedade civil

Interior do jacto executivo Bombardier, com capacidade de 12 lugares. (Foto: D.R.)
Interior do luxuoso jacto executivo Bombardier, com capacidade de 12 lugares.
(Foto: D.R.)

Por seu turno, do Centro de Estudos e Investigação da Universidade Católica de Angola, e, em exclusivo, veio o comentário do politólogo, Nelson Pestana “Bonavena” que considera absurda a situação.

“Como é possível acreditar nisso numa altura em que o próprio Governo admite uma eventual crise, e propala aos quatro ventos ter como desafio a diversificação da economia através do sector primário?”, questionou-se o político para quem a conclusão do negócio daria mostras da fraca capacidade de controlo da Assembleia Nacional, inclusive da oposição política.

Governo não descarta nem admite

Fontes no Ministério dos Transporte contactadas na tarde da última quinta-feira, 7, rejeitaram prestar qualquer declaração sobre o assunto. O interlocutor que considerou o assunto complexo e, por isso, solicitou o anonimato, disse que em algum momento teria sido informado pelo titular da pasta dos Transporte, Augusto Tomás, sobre essa matéria.

Ainda assim, de forma lacónica e sorridente o funcionário sénior do sector em referência, atirou a “bola” para o lado do Instituto Nacional de Aviação Civil, (INAVIC), como sendo a entidade que pode falar sobre o assunto.

Contudo, o director do INAVIC, Carlos David, também afirmou não ser da sua responsabilidade, mesmo admitindo que um dos objectivos fundamentais dessa instituição é traçar políticas da aviação civil e produção de pareceres para o ministro.

“Não sei nada sobre o assunto. Nunca recebi nenhum documento que fazia referência a essa dita compra”, esclareceu aquele responsável que diz que se estivesse no país passaria pelas suas mãos uma vez que são os mesmos quem autoriza a sua operacionalidade e atribuição da respectiva matrícula.

O entrevistado aconselhou que o assunto deve ser respondido por outras instâncias do Governo que deverão prestar melhores esclarecimentos. A autorização da compra pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, foi feita através de um despacho a que Lusa diz ter tido acesso.

O documento, que autoriza a concretização do negócio pelo Ministério dos Transportes, refere apenas a «necessidade de se adquirir uma aeronave do modelo Bombardier inc Global 6000», mas não especifica a utilização que será dada ao equipamento.

Ainda de acordo com a agência de notícias portuguesa, além da Força Aérea, o Estado angolano, directa ou indirectamente, adquire aeronaves para a companhia aérea de bandeira TAAG e para a subsidiária da Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol) – empresa pública – para o sector da aviação interna, Sonair. (opais.net)

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