Basquetebol – Um meio de expressão e elevação da independência

SELEÇÃOO DE BASQUETE SÉNIOR MASCULINA (FOTO: António Escrivão)

Introduzido no país no longínquo ano de 1930, o basquetebol, modalidade que viria a ser um dos principais símbolos de expressão e reconhecimento de Angola no contexto das nações, celebra hoje (dia 18) 85 anos de existência, numa altura em que os angolanos assinalam quatro décadas de independência nacional.

SELEÇÃOO DE BASQUETE SÉNIOR MASCULINA (FOTO: António Escrivão)
SELEÇÃOO DE BASQUETE SÉNIOR MASCULINA (FOTO: António Escrivão)

Ainda sob o domínio colonial, o país, mais precisamente a cidade de Luanda, viu nascer a modalidade de um recinto areal (impróprio para a sua prática), mas a resistência do colonizador que, no intuito de fazer face à escassez de recursos na época, optava teimosa e erradamente por manter órfãos de liberdade os povos do então território ultramarino de Angola parece ter-se reflectido no campo basquetebolístico, pois os clubes demoraram a abrir as portas à “bola ao cesto”.

O percurso para a afirmação foi duro e longo, tendo em conta que o trabalho iniciou numa altura em que Angola era um país soberano recem-nascido (cerca de três meses), quando em Fevereiro de 1976 o professor Victorino Cunha convocou e orientou a primeira selecção do pós-independência, a qual fez o primeiro “teste” com a Nigéria, para quem perdeu por (62-71), num desafio enquadrado nos festejos do início da Luta Armada de Libertação Nacional.

A situação desmotivadora que se viveu antes da independência, consubstanciada no reduzido número de clubes e infra-estruturas, não desanimou, no entanto, os povos oprimidos (entenda-se praticantes), que persistiram na luta tendente à sua afirmação, num universo desportivo em que a primazia pendia para disciplinas como o atletismo, a vela e o remo.

Lançaram-se as bases do desafio. E, de 1975, altura em que se ascendeu à Independência, até aos dias de hoje, o basquetebol tem sido, a par do andebol e do desporto adaptado, a modalidade que mais conquistas e prestígio dá aos angolanos, elevando bem alto o seu nome, hino e bandeira nacional.

Pode-se afirmar, categoricamente, que a modalidade transformou o país no mais digno representante africano em provas além continente, quer seja em termos colectivos, ou individuais, pois teve razoáveis campanhas em mundiais e jogos olímpicos e no que concerne a África colocou sempre nomes de seus executantes na linha de frente.

Como exemplos que traduzem a dimensão da livre expressão do basquetebol angolano pelo mundo fora, temos a referir, entre outros, a conquista da edição 2008 da Taça Inter-continental “Borislav Stankovic”, a melhor classificação africana em mundiais e jogos olímpicos (10ª posição), os títulos de melhor marcador nas Universíadas Mundiais de Edmonton-83 (José Carlos Guimarães), de 2º melhor triplista no Mundial de Toronto-94, no Canadá, (Herlander Coimbra) e a integração de três jogadores na única selecção continental formada até agora em 1985 (Jean Jacques, Gustavo Conceição e José Carlos Guimarães), por ocasião do Jubileu da então Associação das Federações Africanas de Basquetebol Amador (AFABA, hoje FIBA-África). Os três integraram o cinco inicial.

Jean Jacques da Conceição foi eleito pela FIBA-África o melhor basquetebolista africano de todos os tempos e é o único africano no Hall da Fama, “tribuna” onde constam os melhores da modalidade a nível mundial.

Aos 11 troféus africanos da selecção nacional masculina e dois da sénior feminina, juntam-se títulos de jogadores mais valiosos do continente “MVP” (Jean Jacques, Miguel Lutonda, Kikas Gomes, Carlos Morais e Nacissela Maurício) e o domínio na Taça de Clubes Africanos, onde o 1º de Agosto tem oito títulos, o Petro e Libolo um cada em masculino, enquanto na classe feminina o Interclube conta três conquistas e o d’Agosto uma.

Não se pode apagar da memórias dos cidadãos nacionais, quer seja adeptos da modalidade ou não, o mérito de ter sido o basquetebol angolano a produzir factos que tiveram eco a nível da imprensa internacional, como o “baptismo” das “estrelas” da Liga Professional Norte-americana de Basquetebol (NBA) nos jogos olímpicos, competição em que estavam vetadas de participar, e a histórica vitória por vinte pontos de diferença sobre a Espanha (83-63), uma das melhores selecções do mundo, em plena olimpíadas de Barcelona-92.

Principais eventos em que a livre expressão da modalidade “reflectiu” a independência dos povos:

– Universíadas Mundiais do México-1979
– Jogos Universitários de Nairobi-1979
– Universíadas de Edmonton (Canadá) 1983
– Mundial de Espanha-1986
– Mundial da Argentina-1990
– Jogos Olímpicos de Barcelona-1992
– Mundial do Canadá, Toronto-1994
– Jogos Olímpicos dos EUA, Atlanta-1996
– Jogos Olímpicos da Austrália, Sidney-2000
– Mundial de Indianapolis-2002.
– Jogos Olímpicos de Atenas-2004.
– Mundial do Japão-2006
– Jogos Olímpicos de Pequim-2008.
– Mundial da Turquia-2010

-Jogos olìmpicos de Londres2012 (em femininos)
– Mundial de Espanha-2014

O país conquistou os campeonatos africanos das nações “Afrobasket”masculino em 1989, 1991, 1993, 1995, 1999, 2001, 2003, 2005, 2007, 2009, 2013.

E em femininos em 2011 e 2015. (portalangop.co.ao)

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