As telecomunicações e a diversificação da economia

ANTÓNIO NUNES (Foto: D.R.)
ANTÓNIO NUNES (Foto: D.R.)
ANTÓNIO NUNES
(Foto: D.R.)

A 17 de Maio assinalou-se o Dia Mundial das Telecomunicações e da Sociedade da Informação, data em que se celebra a criação da União Internacional de Telecomunicações (UIT), em 1895, e o surgimento da sociedade de informação, decretado pelas Nações Unidas desde 2005.

Nesta data, a UIT, uma das mais antigas agências do sistema das Nações Unidas, convida todos os países a reflectirem sobre o estado e o rumo das telecomunicações em todo o mundo. Nos últimos 15 anos, Angola viveu uma das suas maiores revoluções com impacto tão avassalador na vida de cada cidadão e das empresas, que os seus benefícios foram incorporados no quotidiano como se dele sempre tivessem feito parte.

Falamos da crescente importância do sector das telecomunicações como prestador de serviços, mas também como gerador de emprego e receitas para o Estado angolano. Os dados do Ministério das Telecomunicações e Tecnologias de Informação (MTTI) são claros, existem no País 14 milhões de utilizadores da rede de telefonia móvel, 20% da população tem acesso à Internet, sendo que 800 mil dispositivos conectam-se aos pontos públicos de acesso à Internet, ampliando o número de pessoas com acesso a esta rede.

É fácil a tentação de se dizer que ainda há um imenso caminho a percorrer. Mas se não percebermos que este sector é um dos que mais evoluíram nos últimos anos, impulsionando mesmo outros sectores da economia, será difícil termos uma visão clara de quais os novos desafios. O primeiro passo, colocar Angola no mapa da Internet mundial e garantir o acesso às mais modernas formas de comunicação, foi alcançado.

Na verdade, era inevitável. Hoje, o sucesso é medido não apenas pela evolução do número de aderentes à rede de telefonia móvel e pelo número de pessoas com acesso à Internet. Somos confrontados com a eficiência das nossas conexões com todo o mundo, com a qualidade da partilha de conteúdos e informações dentro do País e a nível global.

Recentemente, Angola foi o primeiro país em África e um dos primeiros no mundo a disponibilizar serviços em LTE (Long-Term Evolution), tecnologia que permite um avanço na qualidade do acesso à Internet via rede móvel. Num mundo em que as tecnologias de informação e comunicação são dos activos mais importantes para empresas e nações, é este tipo de inovação que marca o rumo que temos de seguir e que garante que iremos posicionar Angola como um player activo nos negócio em África e no mundo.

A construção do cabo submarino do SACS, o primeiro cabo a ser instalado no Atlântico Sul, e o Angosat, o primeiro satélite angolano, são dois exemplos de projectos estruturantes que irão conceder ao País uma commodity fundamental para o mundo em que vivemos. Bem nos apercebemos do enorme impacto que os cabos submarinos tiveram na qualidade das telecomunicações do País com a entrada ao serviço do WACS (West Africa Cable System).

As comunicações mundiais usam, hoje em dia, principalmente as infra-estruturas de cabos submarinos para se desenvolver, 96% das comunicações entre continentes são feitas através de cabos submarinos de fibra óptica. Nenhuma tecnologia garante, hoje, comunicações com as mais baixas taxas de latência (tempo de ligação entre dois pontos) e com tão elevadas capacidades.

A título de exemplo, os dois cabos submarinos em que a Angola Cables está a investir, o SACS e o Monet, terão uma capacidade combinada de 100 Terabytes por segundo. Os ganhos não são apenas para Angola e África, mas para as comunicações mundiais que utilizarão Angola como o ponto de ligação. O SACS (South Atlantic Cable System) é o primeiro cabo no Atlântico Sul com conexão entre Luanda e Fortaleza, no Brasil.

O Monet será um cabo que ligará as cidades de Santos e Fortaleza, no Brasil, a Miami, nos Estados Unidos da América. Contribuir com rotas alternativas que garantam comunicações com diversidade e redundância, com grande capacidade e latências reduzidas, são benefícios que irão ajudar a colocar Angola no mapa mundial das telecomunicações e trazer divisas para o País.

De facto, o sector das telecomunicações pode desempenhar um papel fundamental na diversificação da economia nacional, como demostram os exemplos que apontamos acima. (expansao.ao)

Por: António Nunes, CEO da Angola Cables

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