Angola: Schlumberger prestes a despedir 300 pessoas

(Foto: D.R.)
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A Schlumberger, líder mundial de prestação de serviços ao sector petrolífero, está na iminência de despedir 280 colaboradores em Angola, avançou ao SOL fonte da empresa. No plano de cortes da empresa, que está presente em Angola desde 1950, estarão 110 angolanos e 170 estrangeiros. Empresa e trabalhadores ainda estão a negociar a melhor forma de gerir o plano de redução de quadros.

O processo foi anunciado há mais de quatro meses e devia estar encerrado até ao dia 24 de Março, fez saber a multinacional norte-americana, e só não foi implementado ainda porque a comissão sindical contratou advogados e instou as instituições do Estado que intervêm no sector – Ministério dos Petróleos e Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social (MAPTSS) – a tomarem uma posição sobre o assunto. Apesar disso, disse a mesma fonte, “o processo de despedimentos, infelizmente, mostra-se como sendo uma certeza. Ele vai acontecer, pode demorar mas vai acontecer”.

Alguns projectos cancelados e outros reajustados

A medida é justificada pela queda do preço do barril de petróleo nos mercados internacionais, o que fez com que “muitos dos projectos da empresa que estavam em desenvolvimento fossem cancelados e os que estavam em curso foram reajustados para estarem alinhados com a actual conjuntura económica”. Isso afectou as actividades da empresa, “obrigando a direcção, a nível mundial, a fazer cortes de pessoal na ordem dos 8%, cerca de nove mil trabalhadores”.

A fonte contactada pelo SOL explicou também que já entre Outubro e Dezembro do ano passado muitos trabalhadores da empresa foram dispensados, na base de um acordo mútuo entre empresa e colaborador.
“Os empregados dispensados durante o ano passado receberam cartas a propor um acordo para rescisão de contrato e, dessa forma, foram dispensados”, explicou ao SOL uma fonte da comissão sindical. “Sabemos que o despedimento vai ser realizado, o que estamos a exigir é que decorra de uma forma digna e justa para os trabalhadores, por formas a valorizá-los”, lembrou o mesmo sindicalista.

Listas de nomes geram polémica

Dos 280 colaboradores que vão ser dispensados, os 110 angolanos representam cerca de 18% da força de trabalho da prestadora de serviços petrolíferos. Actualmente, estima-se que trabalhem na Schlumberger em Angola cerca de 600 pessoas.

Para o membro da comissão sindical, “o número não é realista”. Avança, em jeito de acusação, que “estão a ser publicadas listas com nomes repetidos, sobretudo na lista dos colegas expatriados”.

A selecção dos trabalhadores que constam nas listas decorre de um processo de avaliação que tem em conta a antiguidade na empresa mas, revelou a mesma fonte, muitos supervisores estão a aproveitar-se da situação para indicar colegas que por alguma situação não têm uma boa relação pessoal. “Aqueles trabalhadores que exigem os seus direitos e fazem o trabalho seguindo criteriosamente as cláusulas contratuais são os mais prejudicados, porque chegam a ser encarados como insubordinados por não aceitarem tudo que os chefes mandam”, lamentou.

Todas as áreas vão sofrer cortes com maior incidência nos departamentos onde há menos actividades. No caso do segmento da perfuração, por ser a área da empresa que está sempre em actividade, não está previsto que sofra muitos cortes, soube o SOL.

Fundada em 1926, a Schlumberger está presente em cerca de 90 países e emprega mais de 120 mil pessoas. Em 2014 a empresa facturou mais de 48 mil milhões de dólares norte americanos, uma subida de 7% em relação a 2013.

Halliburton reduz custos, mas não despede

O SOL ouviu também uma fonte próxima da Halliburton, outra grande empresa prestadora de serviços que opera em Angola. O responsável contactado fez saber que “não restam dúvidas de que a queda do preço do barril do petróleo exigiu que as empresas refizessem os seus planos e que prestassem, mais do que nunca, atenção aos custos”.

A fonte da empresa norte-americana avançou que está em curso uma estratégia que vai permitir uma redução dos custos na ordem dos 10%, considerando que “economizar recursos através do controlo rigoroso dos custos tem uma importância vital e determina a capacidade da empresa reagir a situações de desequilíbrio”.

“Sentimos o impacto da queda do preço mas, apesar da actual conjuntura, continuamos a operar num bom ritmo e descartamos qualquer possibilidade de despedimentos em massa”, sublinhou a mesma fonte.

A queda do preço do barril de petróleo, recorde-se, teve um elevado impacto na estrutura económica e social de Angola, com grandes implicações no sector empresarial, sobretudo o petrolífero e a banca. ([email protected])

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