Angola mais do que duplica financiamento junto de empresa do Reino Unido para 482 milhões de euros

Luanda. (Foto: D.R.)
Luanda. (Foto: D.R.)
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O Governo angolano vai mais do que duplicar, para 550 milhões de dólares (482 milhões de euros), o financiamento junto de uma empresa do Reino Unido especializada nos mercados emergentes, garantindo a execução de projetos de desenvolvimento nacional.

Em causa está um despacho presidencial de 11 de maio passado, ao qual a agência Lusa teve hoje acesso, aprovando o incremento de 300 milhões de dólares (262 milhões de euros) ao anterior acordo de financiamento com a GemCorp Capital LLP, aprovado por despacho de 5 de janeiro, então no valor de 250 milhões de dólares (220 milhões de euros).

Este é um dos vários acordos de financiamento que o Governo angolano tem vindo a realizar nos últimos meses para garantir as necessidades de financiamento para 2015, face à queda das receitas petrolíferas já previstas no atual Orçamento Geral do Estado (OGE).

O mesmo despacho, assinado pelo Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, autoriza o Ministério das Finanças a proceder à assinatura da “segunda tranche” desta “facilidade de crédito”.

“Havendo necessidade de reforçar o financiamento de diversos projetos de interesse público, indispensáveis ao desenvolvimento nacional”, lê-se no primeiro despacho,de 5 de janeiro, em que José Eduardo dos Santos autorizava o acordo inicial com a GemCorp.

Segundo informação da própria empresa, que tem sede em Londres, a GemCorp foi lançada em setembro de 2014, tendo como objetivo garantir ou reunir financiamento para investimentos, públicos e privados, em mercados emergentes.

A Lusa noticiou, a 13 de abril, que o governo angolano pretende garantir um financiamento, do banco francês Société Générale, no valor de 500 milhões de dólares (438 milhões de euros), que se juntará a outros idênticos de Espanha, Estados Unidos e Rússia, nos últimos meses.

A informação consta de um despacho presidencial de 8 de abril, ao qual a Lusa teve acesso, aprovando o acordo quadro de financiamento para a concessão de uma linha de crédito, a celebrar entre Angola e o banco francês.

Face à quebra na cotação internacional do petróleo, o governo angolano precisa de financiar um défice público de 7% do PIB estimado para este ano.

Angola vai pagar 5,3 milhões de euros por dia de juros em 2015, com o ‘stock’ da dívida pública a elevar-se a 41,9 mil milhões de euros, equivalente a 45,8% PIB do país, segundo a revisão, aprovada em março, do OGE para 2015.

O buraco nas contas públicas angolanas, devido à forte quebra das receitas petrolíferas, está agora avaliado em 806,5 mil milhões de kwanzas (6,5 mil milhões de euros), obrigando a novas necessidades de financiamento, quando está em curso uma negociação do governo com o Banco Mundial para a obtenção de um empréstimo também de 500 milhões de dólares.

Angola já garantiu, entretanto, empréstimos de 500 milhões de euros dos espanhóis do BBVA, e de 250 milhões de dólares (220 milhões de euros) do norte-americano Goldman Sachs e do fundo britânico Gemcorp Capital, cada.

Face à quebra na cotação internacional de crude, o Governo angolano reformulou várias previsões para 2015 e avançou com um corte de um terço nas despesas totais.

O peso do petróleo nas receitas fiscais angolanas deverá passar de 70%, em 2014, para 36,5% este ano. (dinheirovivo.pt)

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