América Latina e África abrem ciclo de relações

Sergio Luther Rescova e Chefe da diplomacia do Equador (Foto: ANGOP)

Angola e Equador assinaram ontem, em Luanda, o Acordo de Cooperação Geral, o Memorando de Entendimento para o Estabelecimento de Mecanismos de Consultas Políticas e o Acordo sobre Isenção Recíproca de Vistos para passaportes diplomáticos e de serviço.

Sergio Luther Rescova e Chefe da diplomacia do Equador (Foto: ANGOP)
Sergio Luther Rescova e Chefe da diplomacia do Equador (Foto: ANGOP)

O Equador assumiu este ano a presidência da Comunidade de Estados Latino-Americanos e das Caraíbas.

Os documentos foram rubricados pelo ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti, e pelo seu homólogo do Equador, Ricardo Armando Patiño Aroca, que está no país para uma visita de dois dias.

O Acordo de Cooperação Geral prevê o intercâmbio nos domínios económico, técnico, científico e cultural e a cooperação nos domínios dos petróleos, comércio, ensino superior, tecnologias de comunicação e na área de gestão institucional do Governo.

O ministro Georges Chikoti disse que os acordos assinados permitem aos departamentos ministeriais e intuições do Estado concretizar as politicas de cooperação com a República do Equador. “Nas conversas que tivemos ficou demonstrado que há uma grande abertura da parte equatoriana para que os estudantes angolanos possam prosseguir os estudos superiores”, disse.

Consultas regulares

Os acordos permitem manter consultas regulares entre os dois Estados e dão maior abertura para a cooperação em vários sectores. “Com esses acordos terminamos aquilo que é a nossa responsabilidade como ministros das Relações Exteriores e agora deixamos um campo aberto para os outros sectores”, disse o ministro, realçando que há maior possibilidade de cooperação na área dos petróleos.

Georges Chikoti espera que as experiências adquiridas por Angola e Equador no domínio dos petróleos sejam bem exploradas pelos dois Estados. Segundo o ministro das Relações Exteriores, o Equador é um dos países que apoiou a eleição de Angola para membro não-permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O ministro das Relações Exteriores e Mobilidade Humana do Equador, Ricardo Armando Patiño Aroca, agradeceu a Angola por facilitar a assinatura dos acordos assinados, que vão permitir reforçar os laços de cooperação.

Ricardo Armando Patiño Aroca disse que a abertura da Embaixada do Equador em Luanda nos próximos tempos e a instalação da embaixada de Angola em Quito, em breve, demonstra a irmandade que une os dois países.

O encarregado de Negócios do Equador em Angola, Guillermo Lara Calderón, está em Luanda há alguns meses a trabalhar no processo de instalação da embaixada.

A delegação do Equador reuniu-se ontem com os ministros dos Petróleos, José Maria Botelho de Vasconcelos, do Ambiente, Fátima Jardim da Ciência e Tecnologia, Cândida Teixeira, do Comércio, Rosa Pacavira, da Cultura, Rosa Cruz, com o governador provincial de Luanda, Graciano Domingos, e com o presidente do Conselho de Administração da Sonangol, Francisco de Lemos José Maria. A delegação do Equador regressa hoje ao seu país.

Declarações de Ricardo Aroca

À chegada ontem a Luanda para uma visita de dois dias, o ministro das Relações Exteriores equatoriano afirmou que o seu país quer estabelecer com Angola uma cooperação de partilha de conhecimentos e experiências.

Ricardo Aroca mencionou, entre outras, as áreas do petróleo, políticas de inclusão social de pessoas com deficiência, ensino superior e ciência e tecnologia como “as possíveis de figurarem no Acordo Geral de Cooperação” a assinar entre os dois países. O ministro referiu ser “indispensável uma transformação no sistema das Nações Unidas”, pelo que “é fundamental o diálogo político” entre Angola e o Equador.

Durante muitos anos, declarou, o Equador privilegiou a cooperação com o norte da América, principalmente os Estados Unidos, e também com a Europa, mas desde 2007 passou a olhar para os países mais próximos. “Agora”, prosseguiu, “estamos mais virados para os nossos irmãos, tanto da América Latina, como de África e Ásia”. Esta visita, salientou, faz parte da nossa política de relações internacionais e de diversificação com o Mundo.

O Equador, disse, reconhece a enorme importância que Angola tem no continente africano e por isso presta especial importância a esta visita. “Precisamos de unidade entre os países que têm a mesma identidade e estão mais próximos para nos desenvolvermos adequadamente neste mundo globalizado”, realçou e concluiu: “a relação Sul/Sul é muito mais vantajosa para o desenvolvimento dos nossos países do que qualquer outra”.

Cooperação entre petrolíferas

Angola e o Equador têm um acordo de cooperação entre a Sonangol e a Petro-Equador e um memorando assinado entre os Ministérios dos Petróleos sobre o reforço da capacidade institucional e humana. O Equador, país empenhado na redução da pobreza tem um Produto Interno Bruto (PIB) per capita de cerca de quatro mil dólares provenientes das principais riquezas do país, agricultura, pescas e petróleo. Este ultimo recurso participa com  40 por cento do total do PIB.

O Presidente equatoriano, Rafael Correia, definiu em 2013 a Nova Política de maior aproximação a África. Na altura, o embaixador de Angola naquele país, Nelson Cosme, afirmou que os dois países estavam em condições de concluir os instrumentos jurídicos que vão balizar as relações, como o Acordo Geral de Cooperação, Memorando sobre Consultas Políticas Regulares e o estabelecimento da Comissão Mista Bilateral de Cooperação.

O governo do Equador já manifestara disponibilidade em cooperar para a transferência de tecnologias relativas à produção de sementes e plantas melhoradas, floricultura, investigação cientifica no domínio agro-pecuário, ensino superior, com intercâmbio de estudantes e docentes, e na indústria de transformação de pescado, onde ocupa lugares cimeiros no mundo, a nível de atum e camarão. (jornaldeangola.com)

 

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