75 seguidores de Kalupeteka detidos

(OPAIS)
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A Procuradoria Geral da República está a instruir os processos crime contra José Julino Kalupeteka e contra mais sete dezenas e meia de seguidores. Há ainda colaboradores próximos do “profeta do século XXI” a monte, um deles é Justino Chipando, amigo do líder e secretário-geral do movimento religioso.

Dos setenta e cinco detidos, número avançado por uma fonte de OPAÍS, trinta e quatro teriam sido ouvidos pelo Procurador-Geral da República no Huambo, até Terça-feira, 28, segundo a mesma fonte.

Entre os detidos estão evangelizadores e crentes que tiveram participação na morte dos nove efectivos da Polícia Nacional no dia 16 de Abril, no monte Sumi, no município da caála. A Polícia Nacional, no entanto, não se pronuncia sobre o número de detidos neste momento. Segundo o seu porta-voz no Huambo, Martinho Cavita, “os detidos foram entregues a Procuradoria, o procurador pode ter mandado soltar alguns deles. Como eram muitos, neste momento não consigo precisar quantos estão ainda detidos, a quantos foi dada ordem de prisão e quantos foram mandados embora”.

De entre os fugitivos, o mais procurado é Justino Chipango, sobre a qual q Procuradoria-Geral da República mandou publicar na comunicação social um mandado de captura. Justino Chipango é o homem citado pelos fiéis como aquele que no monte Sumi também tomava a palavra nas pregações de José Kalupeteka.

E é também o homem que recorrentemente aparece ao lado do profeta no material audiovisual de propagação da fé produzido pela JKK produções, a produtora da igreja.

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‘Mostrem onde estão’

O comissário Elias Livulo, comandante da Polícia Nacional no Huambo, desafiou nesta Terça-feira a UNITA, maior partido da Oposição, a “apresentar provas” do alegadamente elevado número de mortos da seita religiosa “Luz do Mundo”, em resultado do incidente registado no dia 16 deste mês no município da Caála, província do Huambo.

Em declarações ao Canal 2 da Televisão Pública de Angola, publicadas no serviço noticioso das 22 horas de Terça-feira e na manhã seguinte retomadas pela rádio nacional de Angola. Livulo reagiu à conferência de imprensa dada no Huambo por deputados da UNITA, em que o líder parlamentar daquele partido, Raul Danda, afirmou possuir dados que apontavam para 700 a 1.080 cidadãos civis mortos pelas forças policiais e Forças Armadas de Angola (FAA) no monte Sumi, a seguir ao assassinato de nove efectivos da Polícia Nacional.

Os números oficiais apontam para 13 mortes entre os crentes (que O PAÍS viu na morgue do Hospital Central do Huambo) e 10 membros da polícia, dos quais nove no Huambo e um em Benguela.

Elias Livulo denunciou aquilo que denominou de a tentativa de “aproveitamento político” do incidente e “propaganda barata”, exigindo que a UNITA apresente factos que provem as suas alegações.

Avalanche leva nove igrejas

Nove denominações religiosas que realizavam ilegalmente as suas actividades na província do Huambo foram encerradas na Segunda-feira, pela delegação da Justiça e dos Direitos Humanos, numa operação que contou com a participação da Polícia Nacional e técnicos da direcção da Cultura, segundo noticiou a Angop, depois citada pelo Jornal de Angola.

Trata-se da Igreja Evangélica Esperança em Angola, Comunidade Petencostal Jesus Cristo no Mundo, Nova Jerusalém Cura Divina, Visão Cristã, Sociedade Missionária Internacional Adventista do 7º Dia dos Reformados, Missão Evangélica dos Resgatados de Cristo em Angola, Ministério Aleluia (Comunidade Evangélica Salvos para Marcar a Diferença), Visão Mundial e a Igreja Pentecostal Unida.

Em declarações à imprensa, o chefe do departamento de Identificação, Registo e Assuntos Jurídicos da delegação da Justiça e dos Direitos Humanos na província do Huambo, Isidro Justino, disse que a acção resultou de um trabalho conjunto dos sectores da Justiça e da Cultura, no que respeita ao combate à proliferação de denominações religiosas ilegais.

Isidro Justino alertou os responsáveis destas denominações para evitarem a realização de cultos clandestinos, depois do encerramento, visto que deverão ser tomadas medidas severas assentes, fundamentalmente, na responsabilização criminal dos autores.

Para a legalização de uma igreja, de acordo com o responsável, é necessário um requerimento subscrito no mínimo por 100 mil membros com domicílio no território nacional, anexando cópias de Bilhetes de Identidade, assinaturas reconhecidas pelos serviços de notariado e recolhidas em mais de um terço do total de províncias do país, com base na circular 001 do Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos.

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Crentes crêem que ‘nuvem divina’ matou polícias

A editoria em português da rádio Voz da América divulgou entretanto, esta semana, uma entrevista, ao telefone, com alguém que se identifica como sendo Justino Chipango, o secretário de Kalupeteka.

Na entrevista, Chipango, que se diz escondido nas matas, afirma que Kalupeteka está ferido, em consequência torturas e foi evacuado para Luanda. Afirma também que ao acampamento chegaram cinco polícias e que foram os fieis que defenderam o seu profeta, destemidos. Já que gozavam de protecção divina, como lhes dizia Kalupeteka, que os mandava enfrentar as autoridades.

Um outro fiel, cujo nome a rádio não cita, diz que a morte dos polícias foi causada por uma nuvem vinda do céu. “É um fenómeno que não sei explicar”. Mais adiante, diz que Kalupeteka já os havia avisado da tentativa de o matarem, que apanhou quatro tiros na testa e mesmo assim sobreviveu, não lhe tendo acontecido nada.

Nem Chipango nem o outro crente arriscam em avançar qualquer número de civis mortos, embora ambos se digam com medo de se apresentarem às autoridades.

A teoria da nuvem salvadora que impediu os polícias de agir está a correr no planalto central, difundida por membros da Igreja Cristã do 7º Dia A Luz do Mundo, entretanto já interdita pelas autoridades. (opais.co.ao)

por José Kaliengue

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