Sonangol atribui quebra de 77% nos lucros às oscilações do mercado

CEO Sonangol, Francisco de Lemos. (Foto: D.R.)
CEO Sonangol, Francisco de Lemos. (Foto: D.R.)
(Foto: D.R.)

Até 31 de Dezembro do ano passado, a Sonangol apresentou um resultado líquido de 710,3 milhões USD, contra os 3 mil milhões USD alcançados em igual período do ano anterior, uma baixa de 77%. As perdas foram justificadas com as flutuações do mercado e com a redução da produção petrolífera.

A Sonangol EP atribui a quebra de 77% nos lucros ao impacto da baixa de produção petrolífera e à redução do preço do barril do petróleo no mercado internacional verificada desde Junho do ano passado, de acordo com o seu chief financial officer, Fernandes Mateus.

Em 2014, a maior empresa de Angola evidenciava um resultado líquido de 710,3 milhões USD, face aos 3 mil milhões USD alcançados em igual período do ano anterior, representando uma quebra de 77%. As vendas da Sonangol também foram afectadas pelas flutuações de mercados, ao assistirem, no mesmo período, a uma redução de 11% face ao anterior.

“Estes valores resultam da comercialização do petróleo bruto, cuja relação entre o volume de produção e a dinâmica de preços esteve sempre em situação inversa para a Sonangol. No período do ano quando tivemos os níveis de produção mais baixos, registámos, no mercado, preços mais altos, e, no segundo período do ano, quando alcançámos os níveis de produção mais alto, tivemos níveis de preços mais baixos. E isto condicionou de forma substancial a redução das receitas agregadas da Sonangol”, justificou Mateus Fernandes, responsável financeiro da Sonangol.

A justificação para a queda dos lucros da Sonangol é também sustentada pelo seu próprio presidente do conselho de administração (PCA), Francisco de Lemos José Maria, que, nas comemorações do 39.º aniversário da empresa, assumiu ter havido resultados negativos em vários segmentos operacionais. “Tivemos resultados negativos em algumas empresas, mas noutras tivemos resultados positivos. Não é uma situação de estranhar, porque nós já esperávamos. No geral, o ano foi difícil”, disse Francisco de Lemos, que antevê novas medidas para recuperação da ‘eficiência empresarial’.

Francisco de Lemos elegeu já medidas para dar respostas aos futuros desafios da companhia, nomeadamente a introdução de novas acções e reavaliações das estratégias do grupo. “A Sonangol resolveu implementar uma estratégia e programação para o resgate da eficiência empresarial, na qual todos os trabalhadores da companhia são empossados como agentes activos”, avançou o pca. A implementação das ‘medidas de resgate’ vai implicar, segundo Francisco de Lemos, a melhoria dos processos e sistemas [de produção], a redução do custeio do que não é essencial e a melhoria da qualidade da despesa.

Constam igualmente das ‘manobras’ da Sonangol para fazer face ao ‘rombo’ nas contas de 2014, uma preservação e manutenção da quota de mercado da instituição assim como a “satisfação permanente dos clientes”.

Investimento vai continuar

Contrariamente ao ‘Guião de contenção de despesas’ anunciado recentemente pela Sonangol, em que se previa a redução e contenção de custos no triénio 2015-2017 na Sonangol EP e suas subsidiárias, Francisco de Lemos disse que vai avançar com novos investimentos, designadamente na componente dos recursos humanos. Ou seja, o chairman do grupo Sonangol considera fundamental a aposta na formação do pessoal para “dar resposta aos desafios futuros do sector”.

“O elemento mais importante neste resgate empresarial será o contínuo investimento da Sonangol. Iremos continuar a investir e manter o programa de investimento, apesar das adversidades. E as prioridades para 2015 e os anos seguintes serão, antes de tudo, investimento em capital humano, um investimento que será vital para aguentar os desafios empresariais nas próximas décadas”, assegurou Francisco de Lemos, que recua com a medida da suspensão do programa de bolsas de estudos externas também avançada no programa de cortes de ‘despesas não essenciais’.

Ainda no ‘guião’ da Sonangol, recorde-se, o conselho de administração havia decidido cancelar a formação em língua inglesa a ser realizada fora de Angola e as acções de formação de longa duração. Mas a medida morre no papel antes mesmo entrar em acção. Vamos também continuar com o nosso programa de bolsas de estudos externas, que pensamos alcançar a faixa das cinco mil bolsas até ao ano de 2020 (..), garante Lemos.

Quebra estende-se a outros indicadores financeiros Também as margens brutas (lucro da empresa depois de pagar os custos de produção) da Sonangol registaram baixa de 3,8%, ao saírem de 11,9 mil milhões USD, em 2013, para 11,4 mil milhões USD, em 2014.

Já o EBITDA, indicador financeiro que indica o lucro antes de juros, e outros impostos, registou uma redução de mais de 12%, ao observar, em 2013, um valor de 7,1 mil milhões USD, para 6,2 mil milhões USD, no ano passado.

Só o activo não corrente e o passivo não corrente é que não foram atingidos pelo flagelo das flutuações. Os dois indicadores registaram um crescimento de 13,4% e 17,1%, respectivamente. (expansao.ao)

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