Soares da Costa foca-se nos vizinhos subsarianos

Pontes pedonais na baía de Luanda, executadas pelo Consórcio Soares da Costa. (Foto: D.R.)
Pontes pedonais na baía de Luanda, executadas pelo Consórcio Soares da Costa. (Foto: D.R.)
Pontes pedonais na baía de Luanda, executadas pelo Consórcio Soares da Costa.
(Foto: D.R.)

Construtora deixa actividade em Portugal e noutras geografias em banho-maria e foca-se nos países vizinhos de Angola e Moçambique. ‘Corte’ em recursos humanos não deve afectar níveis operacionais.

A Soares da Costa Construção vai procurar oportunidades de crescimento em países da África Austral como a Zâmbia, Zimbabué, República Democrática do Congo e Congo- -Brazaville e está atenta a novos negócios na América Central e na América do Sul, revela ao Expansão o novo CEO do grupo controlado pelo empresário angolano António Mosquito. “Centrar a estratégia em Angola leva a olhar com muito mais atenção para os países vizinhos”, diz Joaquim Fitas, que foi nomeado CEO há cerca de um mês e está a ‘refocar’ a actividade da empresa, cuja sede operacional passou a ser Luanda, permanecendo os serviços de apoio em Portugal.

A opção por países vizinhos deriva do facto de 85% do actual volume de negócios da companhia estar neste momento em Angola (60%) e Moçambique (25%), enquanto Portugal e outras geografias pesam apenas 15%. No caso de Angola, explica o gestor, a carteira de encomendas está “com sinal ascendente para os próximos tempos”, estando actualmente em cerca de 80 milhões USD. “Os serviços de apoio vão continuar no Porto. Comercialmente, as oportunidades em Portugal são hoje reduzidas, mas, assim que aumentarem, voltaremos a apresentar as propostas mais competitivas que conseguirmos”, afirma, sublinhando que a construtura “não vai deixar de olhar” para o seu país de origem.

A Soares da Costa, diz, está ainda a adaptar-se ao contexto económico-financeiro que Angola vive. “Como empresa focada prioritariamente no País e centrada em Angola, estamos a adaptar-nos aos novos sinais e contribuiremos na nossa medida para a ultrapassagem da situação”, garante o gestor, que rejeita haver um impacto negativo derivado das dificuldades de transferências de dinheiro para o exterior.

“Esse não tem sido um problema para a Soares da Costa. O recenseamento da actividade em Angola não foi decidido devido a essas questões”, diz o CEO, explicando que a instalação da base operacional em Angola “trata-se de uma opção estratégica ao mais alto nível e alinhada em questões estruturais, e não em temas conjunturais”.

Ainda assim, vai haver ‘cortes’ de custos, garante Joaquim Fitas, em termos de recursos humanos e de fornecimentos e serviços externos. “Temos claramente de reforçar a nossa competitividade, acima de tudo pela eficiência dos processos, mas também pelo lado dos custos”, diz Fitas, explicando que estes ajustes ocorrerão “um último lugar nos recursos humanos, particularmente nos trabalhadores dos níveis mais operacionais”.

“Vamos ter de adaptar a estrutura de custos aos novos tempos e aos novos desafios, cortando, principalmente, em despesas desnecessárias, que hoje não fazem sentido”, diz, revelando que, “nos recursos humanos, vão ser os níveis mais elevados que serão objecto de primeira análise”.

“Pela sua própria natureza, este negócio obriga a um constante ajustamento da capacidade instalada. Por isso, é necessário olhar para fornecimentos externos, renegociar financiamentos e seus custos, sermos mais eficientes internamente na detecção e correcção de redundâncias ou entropias”, afirma o presidente executivo, sublinhando que “nos fornecimentos externos já estamos a procurar reduzir importações, substituindo- as por matérias e serviços nacionais”.

O cimento é um dos casos, explica Joaquim Fitas, que garante que a imposição de quotas à importação deste produto “não afecta” a actividade da empresa, que, a este nível, tem conseguido obter o que necessita junto dos produtores que operam em Angola. (expansao.ao)

Por: David Rodrigues

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