Salgado recusa pedir desculpa

Ricardo Salgado (Foto: D.R.)
Ricardo Salgado (Foto: D.R.)
Ricardo Salgado
(Foto: D.R.)

Ricardo Salgado rejeita ter desviado verbas do BES Angola para benefício próprio e garante não ter recebido “nem mais um centavo” do que os valores que declarou ao Fisco. O ex-presidente executivo do BES voltou ao Parlamento com a lição estudada, um organizado dossiê temático e insistindo na tese de que não tem responsabilidades sobre a queda do banco. Ricardo Salgado admitiu que já teve offshores e que até recebeu verbas do BESA, mas que todas as transações estão regularizadas no perdão fiscal RERT.

“A minha situação pessoal está publicamente divulgada desde 2012. Não recebi nem mais um centavo do que foi divulgado. E já tive [offshores], mas já não tenho”, disse o ex-banqueiro, rejeitando as conclusões da auditoria forense que davam a entender que Salgado, Morais Pires e Álvaro Sobrinho teriam recebido verbas provenientes do banco angolano. Perante a insistência do deputado do PCP Miguel Tiago, Salgado acabou por confirmar que “as transferências existiram em tempos passados, mas foram regularizadas no RERT”.

Um mecanismo que o deputado comunista apelidou de “lixívia sobre o passado fiscal dos grandes capitalistas”. Logo no início da audição, Salgado recusou pedir desculpas a acionistas, colaboradores e clientes do BES, após um desafio do deputado do PSD Carlos Abreu Amorim. Citando Fernando Pessoa, deixou o desabafo: “Pedir desculpa é pior do que não ter razão. Estou aqui a defender a minha razão, e a melhor forma de defender os clientes e acionistas do banco é provar que tenho razão. E essa razão espero vir a obtê-la quando for julgado no tribunal.” O ex-banqueiro também quis esclarecer a ideia de gestão centralizada que foi transmitida por outros depoimentos. “Eu não tenho o poder que muitos dizem e querem atirar responsabilidade em cima de mim.”  (cmjornal.xl.pt)

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