OMA exorta mulheres a denunciar infractores sexuais no seio das famílias

Victória da Conceição- Secretária para Solidariedade e Aconselhamento Jurídico da OMA (Foto: Lucas Neto)
Victória da Conceição- Secretária para Solidariedade e Aconselhamento Jurídico da OMA (Foto: Lucas Neto)
Victória da Conceição- Secretária para Solidariedade e Aconselhamento Jurídico da OMA (Foto: Lucas Neto)

A secretária para a solidariedade e aconselhamento jurídico da Organização da Mulher Angolana (OMA), Vitória da Conceição, exortou hoje, segunda-feira, em Luanda, as mulheres, no sentido de quebrar o silêncio e denunciar os infractores sexuais que existem no seio das famílias.

Vitória da Conceição fez estas declarações à Angop a propósito do Dia da Mulher Angolana, que se celebra a dois de Março, uma data que relembra e reconhece o papel desempenhado pelas heroínas na luta de resistência do povo angolano contra a ocupação colonial portuguesa.

A responsável destacou que a organização continua a registar casos de violência sexual, sobretudo nas crianças.

“Por esta razão, a OMA apela a toda a sociedade à denúncia destas situações. É necessário maior envolvimento e uma cultura de denúncia para que se combata este mal”, disse.

Sem avançar números, Vitória da Conceição destacou que o índice de denúncias ainda não é o que se pretende e que há famílias que escondem quando os autores das violações são os próprios parentes.

Assim sendo, revelou que ainda há muitas pessoas a violentar as suas crianças de forma silenciosa e, em muitos casos, no grau de parentesco notabilizam-se os avôs, tios, primos e até mesmo irmãos.

Quanto aos crimes passionais em torno da violência doméstica, numa altura em que se registam casos de mulheres envolvidas na morte dos seus maridos, referiu que a OMA continua a trabalhar para a recuperação psicológica e emocional das mulheres e a exortar a nova geração sobre a importância do diálogo.

Nesta empreitada, avançou que a organização feminina do MPLA vai continuar a trabalhar na sensibilização e mobilização com vista ao alcance da “violência zero”.

“A OMA continua a levar a cabo um programa de educação, e sobretudo de reconciliação e mediação através dos centros de aconselhamento jurídico, e nós últimos tempos, com as tendas móveis tem procurado locais de grande aglomerado para levar aconselhamento jurídico e reforçar o conhecimento da Lei contra a Violência Domestica”, referiu.

Os resultados desse trabalho, prosseguiu, estão a ser bons, os centros de aconselhamento jurídico trabalham em parceria com militantes da OMA formadas aos mais variados níveis, tais como juristas, assistentes sociais e psicólogas.

A OMA foi fundada em 1962, sendo o 2 de Março consagrado à mulher angolana em reconhecimento ao seu papel na luta de resistência do povo angolano contra a ocupação colonial portuguesa, com exemplos representativos da Rainha NJinga Mbandi, num passado longínquo, e de Deolinda Rodrigues, Irene Cohen, Engrácia dos Santos, Teresa Afonso, Lucrécia Paím, entre outras anónimas. (portalangop.co.ao)

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