O primeiro-ministro que não é perfeito. Acto II

(Rodrigo Cabrita)
(Rodrigo Cabrita)
(Rodrigo Cabrita)

Passos Coelho voltou a assumir a postura de que não é perfeito e garante que já regularizou “quaisquer falhas que tivesse tido”

Tal como se esperava as dívidas de Passos Coelho à Segurança Social e ao Fisco marcaram ontem debate quinzenal no Parlamento. Um debate em que Ferro Rodrigues, líder da bancada parlamentar do Partido Socialista, acabou por não conseguir apertar o cerco ao primeiro-ministro.

Ferro Rodrigues insistiu para pedir desculpa aos portugueses – coisa que de certa forma Passos Coelho acabou por fazer, sem utilizar a expressão. “Com humildade devemos reconhecer as nossas falhas e com humildade devemos ser sujeitos a um escrutínio especial.”

Mas, depois de garantir que já não devia nada ao Estado – fez, aliás, distribuir uma “declaração de não existência de dívidas” passada pela Segurança Social e fisco – Passos Coelho rejeitou aquilo que chamou “manipulação política relativamente a situações contributivas e fiscais que não correspondem à verdade”. Passos Coelho insistiu na ideia de que sempre regularizou “quaisquer falhas que tivesse tido”. “Lamento não ter tido consciência dessa obrigação. Quando dela tive conhecimento, e não precisei que ninguém me chamasse a atenção, suscitei a questão junto da Segurança Social”, afirmou.

Na semana passada, Passos Coelho tinha afirmado que soube da falta de pagamentos à Segurança Social através de um jornal em 2012. E insistiu com a justificação de que não regularizou as dívidas em 2012 para não causar suspeitas de tratamento de favor pelo facto de ser primeiro-ministro.

Protestos nas galerias da ar “Assumi publicamente que não regularizei essa situação em finais de 2012 para não criar nenhum equívoco quanto à possibilidade de me ser assacado um benefício que não é mais do que um direito para constituição de direitos futuros”, disse Passos Coelho, visivelmente interessado em que a questão fosse afastada do debate público.

“O país não pode ficar parado no debate público à volta da minha carreira contributiva”, afirmou o chefe do governo. E foram várias as declarações por parte dos partidos da oposição num debate que foi por duas vezes interrompido com protestos do público nas galerias.

Fantasma de Sócrates Mas o fantasma de José Sócrates foi novamente utilizado por Passos Coelho durante as suas justificações no parlamento. “Não fui daqueles que deixei de declarar o que tinha”, por exemplo, foi uma alusão indirecta, na linha da declaração nas jornadas parlamentares do PSD em que Passos afirmou não ter utilizado o cargo para enriquecer.

O Partido Social Democrata (PSD), através do líder parlamentar Luís Montenegro, aproveitou o debate para “aprovar” uma espécie de moção de confiança a Passos Coelho. “O governo conta com a confiança inequívoca do parlamento. A vontade política do parlamento representativo do povo português é clara”.

Luís Montenegro explorou também, sem o nomear, o famoso episódio de António Costa com a plateia de empresários chineses. “Não somos daqueles que dizem coisas diferentes conforme públicos diferentes. Acreditamos o que dizemos e dizemos sempre o que pensamos”, disse o líder da bancada parlamentar social-democrata, provando que o discurso de António Costa aos chineses será um maná na campanha eleitoral que se aproxima.

O debate que era para ser um incómodo para o primeiro-ministro acabou com proclamações sobre “o país que está diferente”: “O cidadão Pedro Passos Coelho é, de facto, um cidadão que não é perfeito, mas é o português mais bem preparado para ser primeiro-ministro nos próximos cinco anos.” (ionline.pt)

por Ana Sá Lopes

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