Na Nigéria, eleitores são mortos na fila para votar; 23 pessoas teriam sido decapitadas

Fila de votação em Kano, na Nigéria, neste sábado. (REUTERS/Goran Tomasevic)
Fila de votação em Kano, na Nigéria, neste sábado. (REUTERS/Goran Tomasevic)
Fila de votação em Kano, na Nigéria, neste sábado.
(REUTERS/Goran Tomasevic)

As eleições presidencial e parlamentar da Nigéria, ocorrida neste sábado (28), foi perturbada por diversos atentados às secções eleitorais. Pelo menos sete pessoas foram mortas, algumas delas baleadas enquanto esperavam para votar. Em Buratai, no nordeste do país, 23 pessoas teriam sido decapitadas na noite anterior à votação. O grupo Boko Haram, que havia prometido arruinar a eleição, é o principal suspeito da autoria da todos os ataques.

Na eleição deste sábado, 56 milhões de eleitores nigerianos puderam escolher entre 14 candidatos a presidente, entre eles o actual líder Goodluck Jonathan e o seu principal opositor, Muhammadu Buhari. Pela manhã, os problemas se restringiam às urnas electrónicas, que apresentaram problemas em diversas cidades – inclusive onde votou o presidente. O sistema com identificação biométrica apresentou tantas falhas que o governo decidiu estender a votação por mais 24 horas, neste domingo, em algumas cidades.

Ao longo do dia, as ameaças feitas pelo líder do grupo terrorista islâmico Boko Haram – de que não deixaria o processo eleitoral ocorrer com normalidade – começaram a se concretizar, principalmente no nordeste do país, área de actuação do grupo. Em um vídeo, Abubakar Shekau disse que o processo eleitoral “não está de acordo com o islão”.

Decapitação em massa

Nos vilarejos de Birin Bolawa e Birin Fulani, no estado de Gombe, dois eleitores foram assassinados quando um grupo armado abriu fogo contra a fila da secção eleitoral. Eles teriam gritado “nós não dissemos para vocês ficarem longe das eleições?”.

O mesmo ocorreu na localidade de Dukku, no mesmo Estado, onde três pessoas foram mortas. Em seguida, o grupo de homens armados se dirigiu ao oeste da cidade, onde matou Umar Aminu, representante do parlamento da província, em frente a sua casa. A jornada mortal terminou com outra parada no vilarejo de Tile, onde executaram o líder local.

A barbárie do dia eleitoral nigeriano começou na noite de sexta-feira, na localidade de Buratai, a 200km de Maiduguri, capital da região de Borno. Segundo o deputado local Mohammed Adamu, um grupo armado decapitou 23 pessoas e incendiou a metade das casas do vilarejo. Uma enfermeira do hospital de Biu, que atendeu a 32 feridos, disse que os sobreviventes confirmam o relato do deputado. Apesar de seguir o modelo de atentados do Boko Haram, ainda não está claro se os assassinatos estão ligados à eleição.

O partido do presidente Goodluck Jonathan está no poder no país desde 1999, quando o poder voltou aos civis, mas há chances de que sua supremacia seja ameaçada nestas eleições. A oposição está mais forte do que nunca, principalmente pela incapacidade de Jonathan de conter a actuação do grupo Boko Haram. (rfi.fr)

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