Milhares de brasileiros protestam contra Dilma Rousseff em todo o país

Manifestante com seu filho na passeata contra o governo brasileiro realizado em Belo Horizonte (Foto de Douglas Magno/AFP)
Manifestante com seu filho na passeata contra o governo brasileiro realizado em Belo Horizonte (Foto de Douglas Magno/AFP)
Manifestante com seu filho na passeata contra o governo brasileiro realizado em Belo Horizonte (Foto de Douglas Magno/AFP)

Milhares de brasileiros usando verde e amarelo protestaram neste domingo pacificamente em todo o país contra o governo da presidente Dilma Rousseff, que enfrenta um complexo panorama econômico e também político devido aos escândalos de corrupção e a crise na Petrobras.

Vários manifestantes reclamaram o “impeachment” de Dilma, que começou seu segundo mandato há menos de três meses depois de ser reeleita por uma margem apertada de 3%.

Muitos também pedem a intervenção militar para acabar com mais de 12 anos de governo de esquerda do PT, um paradoxo em um dia em que justamente se comemora os 30 anos da volta da democracia ao Brasil após a longa ditadura iniciada em 1964.

A avenida Atlântica, em Copacabana, foi tomada por cerca de 15.000 pessoas – segundo a polícia – aos gritos de “Fora Dilma, fora PT!”, e como em muitas cidades do país, os manifestantes cantaram o Hino Nacional.

Rita Souza, produtora de TV de 50 anos, exibia um cartaz com as palavras “Intervenção militar já”.

“Não estou pedindo um novo golpe de Estado, e sim uma intervenção constitucional para convocar novas eleições limpas, sem urna eletrônica, sem manipulação do PT. Que vão todos para Cuba!”, declarou à AFP.

Cheios da corrupção

Cerca de 25.000 pessoas também marcharam até o Congresso, em Brasília, entre eles o empresário da construção Alessandro Braga, de 37 anos, acompanhado da esposa e do filho pequeno em um carrinho.

“Apoio a saída de Dilma. Os maiores escândalos de corrupção ocorreram durante seu governo e ela nada disse”, argumentou.

O cansaço com a corrupção revelada parece ser o denominador comum dos manifestantes, embora as demandas variem desde um golpe militar até a proteção do Aquifero Guarani.

“O Brasil está sendo destruído, apenas as Forças Armadas podem salvá-lo”, afirma a fisioterapeuta Ana Paula do Valle, de 52 anos.

A popularidade de Dilma caiu 19 pontos em fevereiro, ficando em 23%, e a presidente sabe que a situação é complicada.

A economia cresceu muito pouco nos últimos quatro anos e está estagnada, há déficit de contas públicas, da balança comercial e inflação elevada (7,7% em 12 meses), e o real se desvalorizou quase 30% em um ano.

O governo promove um ajuste fiscal para por a casa em ordem, mas isso não é aprovado por uma parte da esquerda.

A isso tudo se soma também a tensão política e a incerteza causadas pelo enorme esquema de corrupção envolvendo a Petrobras. Dezenas de políticos – incluindo 22 deputados, 13 senadores e dois governadores – são investigados por suposto envolvimento. A maioria pertence ao PT ou a partidos que integram a coalizão de governo.

Dilma defendeu o direito de manifestação livre em um vídeo postado em seu Facebook, mas há alguns dias recordou que não é possível realizar um terceiro turno das eleições, pois isso representaria uma “ruptura democrática”.

Poder surdo

“O poder está surdo. A justiça está cega. Raiva, vergonha, por isso estou aqui”, afirma o cartaz de um manifestante que usava nariz de palhaço em Belo Horizonte, onde a marcha reuniu mais de 20.000 pessoas, segundo a polícia.

Em São Paulo, onde se espera reunir uma multidão, o protesto será realizado à tarde.

Outras marchas foram realizadas na sexta-feira para apoiar Dilma e defender a Petrobras, organizadas por sindicatos e movimentos sociais ligados ao PT, reunindo 175.000 pessoas, segundo os organizadores, e 33.000, segundo a polícia.

Os protestos deste domingo evocam as históricas manifestações de junho de 2013, quando mais de um milhão de pessoas saíram às ruas em rechaço ao aumento da tarifa dos transportes e depois contra a corrupção dos políticos e os gastos públicos com o Mundial de futebol. (afp.com)

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