Miguel Lutonda: “Rivalidade com Baduna ficou quando deixamos de nos defrontar”

Miguel Lutonda, antigo base do 1º de Agosto (Foto: Tarcísio Vilela)
Miguel Lutonda, antigo base do 1º de Agosto (Foto: Tarcísio Vilela)
Miguel Lutonda, antigo base do 1º de Agosto
(Foto: Tarcísio Vilela)

O antigo base do 1º de Agosto e da selecção nacional Miguel Lutonda é agora técnico da formação “militar”, em cadetes, e adjunto da selecção sub-16. Em entrevista à Angop, Lutonda, também conhecido por “general”, fala, entre vários assuntos, da sua carreira e dos mais de 40 troféus conquistados.(Por Nelson Pascoal)

Angop: Chegar aos 40 anos a jogar ao mais alto nível, em Angola, é um feito raro. Qual o segredo?

Miguel Lutonda (ML) – É o trabalho. Quando se trabalha bem a vertente física as probabilidades de continuar a competir por muito tempo são maiores. Por outro lado, tive a sorte de ser proveniente de uma família que não engorda (risos).

Angop: Mais de 40 títulos colectivos e cerca de 30 individuais. Sente-se compensado?

ML – Fui compensado na medida do possível. Mas olhando para os meus feitos, talvez num outro país tivesse sido milionário. Neste aspecto, os que jogaram no estrangeiro, inclusive futebolistas, foram bem mais sucedidos.

Angop: O que faltou para dar também este passo, jogar fora de Angola?

ML – As propostas não corresponderam às minhas pretensões. No meu primeiro ano no 1º de Agosto, viajei às escondidas com o ASA para fazer teste no FC Porto. Eles já tinham um acordo com o ASA antes de terminar o meu contrato e eu já estava ligado ao 1º de Agosto. Posto lá, já tinham contratado um norte-americano e não havia vaga para um estrangeiro. Como gostaram muito de mim, sugeriram que eu casasse com uma portuguesa e jogasse como português. Não aceitei. Outra proposta veio da Turquia, mas o valor do contrato era inferior ao de Angola e preferi ficar.

Angop: O que o basquetebol lhe deu?

ML – Uma carreira e prestígio.

Angop: Como foi parar no basquetebol?

ML – Fui praticamente “arrastado” por um colega de escola. Eu era o mais alto da turma e, como ele conhecia o técnico Elvino Dias, da Banca, insistia que eu tinha que treinar no mesmo clube. Como não entendia nada de basquetebol, considerei aquilo um insulto e fiquei chateado. Mas de tanta insistência acabei por ceder e fui para o Grupo Desportivo da Banca, já com 15 anos de idade.

Angop: Com 15 anos estava acima da média para aprender o ABC do basquetebol. Como foi possível tornar-se nesta referência?

ML – Fruto de muito trabalho. Quando comecei não sabia nada e fomos incluídos, assim como outros novatos, na equipa feminina para aprendermos alguma coisa. Quase todos desistiram, porque se sentiram mal a treinar com as senhoras. Eu aguentei durante seis meses, até que um dia faltava um jogador na equipa masculina, para um jogo de cinco contra cinco, e fui chamado para fazer número. Durante o encontro, o treinador notou a minha evolução e passei a fazer parte da equipa.

Angop: Como foi a transição até chegar no 1º de Agosto?

ML – O técnico Elvino Dias transferiu-se para o Clube Desportivo da Nocal e eu também fui. Mas como tinha que cumprir serviço militar queria jogar no 1º de Agosto ou nos Dínamos, para ter isenção. Como a Nocal tinha um acordo com os Dínamos fui para lá. Uma vez por mês, tínhamos que fazer guarnição na geladaria do clube. Não tínhamos qualquer treino militar, mas nos davam um par de farda e uma arma, para passar a noite de guarda. Até hoje não sei se as armas estavam carregadas ou não. Simplesmente recebia, colocava no peito e ficava em prontidão.

Dois anos depois, minha esposa engravidou e surgiu a necessidade da casa própria. Pedi um apartamento ao clube e a direcção não conseguiu satisfazer as minhas necessidades. O ASA mostrou interesse nos meus préstimos e por um apartamento assinei por três anos.

Três anos mais tarde, com dois títulos de campeão nacional pelo ASA e tantos outros individuais, desde concursos de smashes, triplos, assistência, pontos, surge o convite do 1º de Agosto. Como estava sempre à procura de melhores condições, pedi um carro e um apartamento e assinei por dois anos. Fui renovando e representei o clube durante 11 anos, até terminar a minha carreira como atleta.

Angop: Ao contrário dos outros clubes, no 1º de Agosto vencer é uma obrigação e o plantel sempre esteve “recheado” de “estrelas”. Como foi a adaptação?

ML – A minha adaptação no 1º de Agosto foi muito complicada. Encontrei um técnico (Victorino Cunha) com uma filosofia totalmente diferente dos anteriores. Foi difícil. Mas, com trabalho e humildade, consegui adaptar-me e impor-me. Por sorte, encontrei o Ângelo Victoriano, que já tinha jogado comigo no ASA e foi um dos que me incentivou a assinar pelo d’Agosto.

Angop: Começou a jogar a extremo, mas ficou conhecido como um dos melhores bases de África. O que motivou a mudança de posição?

ML – Na Nocal jogava a extremo, mas sempre que fosse chamado para os trabalhos da selecção o professor Romero me obrigava a jogar a base. O mesmo acontecia quando fosse treinar no Petro. Como os campeonatos das equipas “pequenas” terminavam mais cedo e eu era um jogador pré-seleccionável, treinava durante alguns meses com a equipa do Petro e o treinador dizia sempre que tinha de jogar a base, porque fisicamente estaria sempre em desvantagem com os outros extremos, como Herlander Coimbra, Honorato Trosso.

Quando fui para o ASA encontrei o Quinzinho e o Walter Costa. Por isso, continuei a extremo, mas já treinava como base na Nocal. No d’Agosto finalmente me fixei nesta posição.

Angop: No cômputo geral, 11 títulos nacionais, sete taças dos clubes campeões de África, oito supertaças, sete taças de Angola, dois torneios RTP e uma taça Compal, qual destes troféus tem um significado especial?

ML – Sem dúvidas, o primeiro título nacional conquistado no ASA, por se tratar do meu primeiro troféu nacional em sénior e o primeiro do clube. No primeiro ano não ganhamos. No segundo e terceiro fui campeão. Mas o primeiro é sempre o primeiro. Tem um “sabor” especial.

Angop: Nos últimos anos, tem aumentado o número de estrangeiros no nosso basquetebol, tanto ao nível de técnicos como jogadores…

ML – Desde que sejam mais-valia, são sempre bem-vindos. Os jogadores e técnicos estrangeiros têm de trazer algo de novo para nós, porque se estiverem ao mesmo nível ou a baixo ficamos com os nossos e ganhamos com isso, porque vamos dar mais oportunidades aos nacionais.
Como jogador prefiro falar também de jogadores. Exemplos do Reggie Moore, que inclusive faz parte agora da selecção de Angola, Cedric Ison e Shannon Crooks, só para citar estes, trouxeram algo de novo ao nosso basquetebol.

Lutonda: "Os jogadores e técnicos estrangeiros têm de trazer algo de novo para nós, porque se estiverem ao mesmo nível ou a baixo ficamos com os nossos e ganhamos com isso, porque vamos dar mais oportunidades aos nacionais". (Foto: Tarcísio Vilela)
Lutonda: “Os jogadores e técnicos estrangeiros têm de trazer algo de novo para nós, porque se estiverem ao mesmo nível ou a baixo ficamos com os nossos e ganhamos com isso, porque vamos dar mais oportunidades aos nacionais”.
(Foto: Tarcísio Vilela)

Angop: Qual o jogador que mais trabalho deu, tanto a marcar como a defender?

ML – O norte-americano Shannon Crooks. Aprendi muito com ele, foi sem dúvidas uma mais-valia para o nosso campeonato. Sempre que tivéssemos que defrontar o Petro já sabia que teria muito trabalho para defender o Shannon, era muito difícil.

Angop: Destacou-se na marcação de três e dois pontos, assim como nas assistências. Que tipo de trabalho fazia para ter uma performance melhor que a dos outros jogadores?

ML – No basquetebol, basta ter uma boa percentagem de lançamento para se tornar num jogador nos outros itens. O nosso treino começava às 10 e eu chegava às 7h para treinar lançamentos. Era o primeiro a chegar e último a sair. Apostei na melhoria da minha performance e sabia que dependia apenas de mim. Não precisei inventar nada. Apenas aprender com os melhores. Larry Bird, ex-jogador dos Boston Celtic, tornou-se num dos melhores lançadores da NBA, porque treinava em casa num aro mais pequeno que o normal e isto melhorou a sua percentagem de lançamentos. Além dos treinos no clube, montei uma tabela no meu quintal, com um aro mais pequeno que dos pavilhões, e passei a treinar em casa. Quando se converte oito lançamentos em 10, num cesto mais pequeno, imagina num maior.

Depois de conseguir boa percentagem nos lançamentos, foi só tirar proveito disto em todos os aspectos. Quando és um bom lançador, os adversários marcam-te em “cima” e tu podes aproveitar para simular, driblar e depois assistir ou penetrar. Por isso, tudo passa pela eficácia nos lançamentos. Se te marcam em cima penetras e assistes ou marcas. Se derem espaço tu lanças. Com estas características, tornas-te num jogador temível para qualquer adversário.

Angop: Tem passado esta mensagem aos jogadores angolanos?

ML – Converso com alguns, explico que tudo passa pelo lançamento. Mas tem que se trabalhar muito, como eu fazia e não esperar somente pelo treino colectivo.

Angop: Apesar do domínio angolano em África, o país continua sem nenhum representante na NBA. O que falta?

ML – Falta-nos agentes. Não temos agentes FIBA com capacidade de furar até nas equipas da NBA e colocar vários jogadores em testes. Temos menos atletas fora, comparativamente a alguns países africanos, por falta de agentes para trabalhar neste aspecto.

Por outro lado, devemos (clubes, federação) enviar jovens para as universidades norte-americanas e não procurar entrar já com uma idade avançada, embora idade não seja problema na NBA. Fazer testes, quando somos estrangeiros e nunca jogamos lá, começamos em desvantagem, porque a prioridade será sempre um nacional, mais jovem e já adaptado ao basquetebol norte-americano.

Angop: Entrou tarde na selecção nacional, mas ainda conseguiu conquistar cinco campeonatos africanos. Como avalia a sua presença no “cinco” angolano?

ML – Boa. Foi uma trajectória complicada, mas me esforcei para chegar lá e me impor. Fui convocado pela primeira vez para pré-selecção em 1991, mas fui afastado. Nos anos seguintes, fui sempre chamado e dispensado, até que em 1997, já com 27 anos, fiquei entre os 12 escolhidos para o Afrobasket de Dakar (Senegal). Infelizmente, não vencemos e ficamos em terceiro lugar.

Angop: Qual foi o sentimento ao ser derrotado na sua primeira presença, num campeonato africano de sénior?

ML – Em parte, um pequeno sentimento de culpa. É daquelas ocasiões em que nos perguntamos: – Logo agora que estou entre os escolhidos é que a selecção perde? Quando vinha de quatro títulos continentais seguidos. Por outro lado, sabia que o grupo estava a ser re-estruturado e isto me obrigou a trabalhar mais para dar uma resposta positiva na próxima convocatória.

Angop: O Afrobasket1999, em Angola, serviu de redenção?

ML – Não diria redenção, mas sim para me impor. O facto da prova decorrer no país as responsabilidades aumentaram, todo mundo dizia que seria o meu Afrobasket. O base Benjamim Avó estava em fim de carreira e senti que era minha responsabilidade fazer jogar a equipa, assim como o Swing. Bases experientes, como Aníbal Moreira, Avó, Zé Neto, conversaram muito comigo naquela altura e deram dicas de como eu deveria jogar.

Angop: Primeiro título africano foi o mais importante de todos?

ML – O primeiro é sempre importante, mas não foi o mais importante.

Angop: Neste período, há algum dado que queira compartilhar ou algo que tenha marcado?

ML – Ficou marcado pela negativa, mas que abordo de forma humorística o facto de ter partido um dente ao Benjamim Avó, na preparação para o Afrobasket2009. Eu queria deixar a minha marca na selecção e treinava com muita garra. Ao fazer um movimento com os braços, acabei por partir um dente do “kota” e até hoje usa uma prótese. Mas actualmente somos bons amigos.

Angop: Qual o momento mais alto da sua carreira?

ML – A conquista do Afrobasket2001. Esta sim foi especial, porque fui eleito o melhor jogador do torneio. Finalmente, senti-me importante na selecção e conquistei o meu primeiro prémio de MVP.

Angop: E o pior momento?

ML – Quando empurrei um árbitro e estava prestes a ser irradiado do desporto.

Angop: O que aconteceu de facto?

ML – O árbitro assinalou passos numa situação em que eu estava a driblar. Não achei correcta a decisão dele e na “quentura” do jogo me exaltei e o empurrei. Aquilo gerou muita polémica, algumas pessoas achavam que eu deveria ser irradiado e outras que deveria apenas estar suspenso.

Angop: Como conseguiu se livrar da irradiação?

ML – Inicialmente, o árbitro colocou no relatório que sofreu um empurrão, mas verbalmente disse que foi agressão. De acordo com o meu advogado, agressão dá irradiação, mas empurrão não. Portanto, o clube contactou o árbitro e chegaram a um acordo quanto à definição do sucedido. Ficou por um empurrão e fiquei cerca de dois meses suspenso.

Angop: Como vê a selecção nacional daqui a 10 anos?

ML – Não sei se ainda estará a dominar África. Temos que trabalhar muito, apostar mais na formação e procurar jogadores altos nas várias províncias, para conseguirmos ter um grupo forte neste período. Mas o trabalho tem de começar já.

Angop: Acredita na revalidação do título continental ainda este ano?

ML – Acredito. Temos jogadores para conquistar o Afrobasket2015, embora reconheça que será muito difícil com a Tunísia em casa. Vamos jogar contra o público e os árbitros. Por isso, temos de estar bem preparados. Ainda temos equipa para este Afrobasket e para o próximo (2017).

Jogadores como Carlos Morais, Olímpio Cipriano, Armando Costa e outros deverão aguentar os dois campeonatos que se seguem, mas devem ser bem recuperados fisicamente e mentalmente e ser bem remunerados. Por exemplo, joguei com Cipriano e sei que é um atleta que não consegue jogar quando não está bem emocionalmente. Por isso, temos de ter cuidado com as promessas e a remuneração no geral.

Talvez, com o grupo de jogadores que temos, até 2017 ainda possamos ficar com o título, mas depois destes dois campeonatos não tenho muitas esperanças.

Angop: Porquê?

ML – Porque não estamos a trabalhar para isso. Temos boas selecções jovens. Mas que tipo de trabalho estão a fazer? Juntam-se apenas quando há uma prova internacional! Temos que ter cuidado, porque as outras selecções estão a se preparar bem. Nesta fase, temos de investir no material humano ou vamos “morrer”. Temos que trabalhar muito com os potenciais jogadores para o futuro da selecção. Na verdade, temos alguns talentos, mas falta trabalho. Antes poderíamos constituir três selecções e qualquer uma poderia discutir o título africano. Agora para formar uma já é difícil. Logo, alguma coisa está mal.

Angop: Olhando para os jovens, consegue apontar alguém com as suas características?

ML – O jovem Edmir Lucas, do 1º de Agosto. É um atleta com muita qualidade e deve ser bem acompanhado.

Angop: Mas joga a base-extremo, posição dois, ao contrário de si?

ML – Quem joga a dois pode jogar a um, assim como aconteceu comigo. Tem qualidades para ser o futuro base da selecção de Angola. Devemos estar atentos. Há um outro rapaz, Lukeny, na equipa júnior do Petro de Luanda, que também deve ser acompanhado.

Angop: A FAB, pela segunda vez, contratou um técnico que nunca treinou em Angola, para orientar a selecção. Qual a sua opinião?

ML – Ao contrário de Michel Gomez, francês que orientou Angola no Madagáscar, Mocho Lopez conhece o basquetebol angolano. Já defrontei o FC Porto com ele como técnico, troca experiências com treinadores angolanos e tem dois adjuntos que dominam o basket nacional (Manuel Trovoada e Manuel Silva “Gi”).

Angop: Considera suficiente?

ML – Acho que sim. Trovoada, além de Angola, já deu cartas no continente, tendo se classificado na terceira posição de um Afrobasket, como técnico de Cabo Verde. O Gi é campeão africano nas camadas jovens. Juntando a experiência dele e o conhecimento dos adjuntos, pode fazer uma boa campanha.

Angop: E os técnicos angolanos (…) não são capazes?

ML – Claro que são e já provaram isto várias vezes. Mas os critérios de contratação e demissão de técnicos na selecção nacional é muito complexo e até hoje não consigo entender o que se passa. Todos treinadores que vencem saem! Victorino Cunha conquistou títulos consecutivos, saiu. O mesmo aconteceu com Mário Palma, Luís Magalhães, Ginguba e agora Paulo Macedo. A maioria dos técnicos que passaram na selecção conquistaram títulos, mas foram despedidos ou não renovaram os seus contratos! O que querem, afinal?

Carreira como treinador

Angop: Sem tempo para descansar, assim que deixou a quadra como jogador passou logo para técnico dos cadetes e depois adjunto da selecção nacional de sub-16. Estava preparado?

ML – Estava preparado. Tive apenas que começar a transmitir o que aprendi. Não tem segredo.

Angop: Não deveria ser o contrário, os técnicos conceituados nos escalões de formação, fruto da experiência, e os novatos, que terminaram a carreira como jogador recentemente, ficarem com os seniores?

ML – Não necessariamente. Os técnicos que terminaram a carreira como jogadores agora conseguem exemplicar melhor a execução de um lançamento, do que aquele que não joga há muitos anos. Na formação, é importante o treinador estar no campo, treinar com os miúdos e exemplificar tudo que pede para fazer. Ninguém melhor do que alguém que ainda jogava.

No meu caso, acrescento o facto de se tratar de uma referência. Quando estou a orientar sinto que os miúdos têm total credibilidade nos meus ensinamentos, por se tratar de Miguel Lutonda.

Angop: Perdeu duas finais, nos cadetes, diante do Petro de Luanda, com Baduna do outro lado. O facto de se tratar de um grande adversário quando era jogador, tem um sabor mais “amargo”?

ML – Nem por isso. A minha rivalidade com Baduna ficou quando deixamos de nos defrontar um contra o outro. Mas nestes jogos a rivalidade vai existir sempre. Não pelos técnicos, mas sim pelos clubes em causa (1º de Agosto e Petro de Luanda).

Angop: Como caracteriza a sua “aventura” na selecção, como treinador?

ML – Muito boa. No primeiro ano conquistei um africano em sub-16, como adjunto, e competi no Campeonato do Mundo.

Angop: Espera chegar na selecção principal?

ML – Não quero pensar nisso agora. Vou apenas trabalhar para merecer a confiança das pessoas. O que vier será resultado disto.

Angop: Melhor jogador angolano da actualidade?

ML – Carlos Morais

Angop: Melhor jogador angolano de todos os tempos?

ML – Jean Jacques da Conceição é para mim o símbolo do basquetebol angolano. Contra quem eu joguei é Edmar Victoriano “Baduna”. Foi o jogador mais versátil que conheci, conseguia fazer todas posições. É uma pena ter terminado a carreira de forma prematura.

Angop: No ano em que o país completa 40 anos de independência, quais os grandes feitos desportivos?

ML – Neste período, o desporto angolano evoluiu muito. Levamos o nome de Angola para vários cantos do mundo, promovemos a nossa cultura e mostramos que estamos presentes. Realizamos vários eventos internacionais, mas o mais importante são as infra-estruturas no geral e desportivas em particular. Os campos de futebol, os pavilhões multi-usos que temos, novas sedes das federações, redes hoteleiras, galeria dos desportos, e muitas outras, são os principais ganhos da independência.

Perfil

Nome: Miguel Timóteo Pontes Lutonda
Naturalidade: Luanda
Data de nascimento: 24 de Dezembro de 1971
Comida Preferida: Banana pão com frango estufado e funge com carne seca
Bebida preferida: Sumo de múcua
Música preferida: Rap
Tempos livres: Ir à praia e passear com a família
Troféus: Campeonatos nacionais seniores (11), Taça de Angola (7), Supertaça (8), Taça dos Clubes Campeões de África (7), Torneio RTP (2), Supertaça Compal (1), Afrobasket (5), Panafricanos (1), Nacional de júnior (2), Nacional de juvenis (2), título africano em sub-16, como treinador (1).
Troféus individuais: Concurso de smash (2), concurso de triplos (3), melhor marcador do Campeonato Nacional (3), MVP de África (2)
Outras participações: Campeonatos do Mundo (3), Jogos Olímpicos (2), Mundial de sub-22 (1), Mundial de júnior (1) e Mundial de sub-18 como treinador. (portalangop.ao)

Por Nelson Pascoal

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