Michael Krautzberger: “Portugal e Irlanda são exemplos de que nem tudo é mau”

(Reuters )
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O país tem vindo a recuperar a sua credibilidade nos mercados e conta já com taxas de juro negativas em algumas obrigações. Tendência, segundo investidores, será para manter, dá conta o Jornal de Negócios.

Michael Krautzberger, diretor de dívida da Zona Euro da BlackRock, antecipa uma melhoria economia em Portugal e diz que, apesar de muitas críticas na abordagem da Zona Euro à crise, Portugal e Irlanda são bons exemplos de que o ajustamento económico pode resultar.

“Muitas pessoas têm sido críticas em relação à abordagem da Zona Euro à crise, mas Portugal e Irlanda, na realidade, são exemplos de que nem tudo é mau”, argumenta o responsável da Black Rock, perspetivando uma melhoria da notação financeira atribuída a economia lusa, mas afirmando também que considera sustentável a dívida portuguesa.

“O crescimento já reapareceu e, penso, continuará. Nesse sentido, especialmente o Oeste da periferia – Irlanda, Portugal e Espanha – parece sustentável”, explicou Krautzberger, ao Negócios, dizendo ainda que apesar de Portugal ter notação de investimento por apenas uma agência isso pode mudar.

“Portugal tem apenas a classificação de investimento por uma agência de notação financeira. O mais provável é que, pelo menos, duas agências subam as suas notações em 2015, o que ampliará a vontade do mercado em comprar dívida portuguesa”, afirma.

Por fim, depois de em fevereiro Portugal ter tido pela primeira vez uma linha de obrigações com juros negativos, o responsável pela dívida da Zona Euro diz que esta poderá ser uma tendência a sentir-se no futuro, apesar de algumas dúvidas nomeadamente ao nível da substituição do Governo.

“Não ficaria surpreendido se tivesse [Portugal] linhas com maturidade até dois anos nessas condições. Não diria na mesma proporção que a Alemanha, pois até certo ponto teremos spreads na Europa”, esclareceu, dizendo ainda que não espera uma bolha no mercado de obrigações, mas que esta poderá ser uma realidade, a longo prazo, no mercado imobiliário.

“A parte boa das obrigações é que nunca atingem mesmo uma bolha, pois são muito transparentes. Sabemos exatamente o que temos. O problema de muitas bolhas é que as expetativas sobem para níveis irracionais”, concluiu. (noticiasaominuto.com)

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