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Julgamento: Rafael Marques: “Não tenho medo” do julgamento
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Julgamento: Rafael Marques: “Não tenho medo” do julgamento

Rafael Marques (Foto: D.R.)

Rafael Marques
(Foto: D.R.)

Rafael Marques começou hoje a ser julgado em Angola na sequência de uma queixa apresentada por sete generais angolanos. A origem do processo é o livro “Diamantes de Sangue”.

O julgamento do jornalista e activista angolano Rafael Marques, acusado de “denúncia caluniosa” por sete generais angolanos começou esta terça-feira em Luanda. Na origem do processo está o livro “Diamantes de Sangue”, publicado em 2011, onde o autor sustenta a existência de abusos contra os direitos humanos na Luna Norte. Entre os queixosos encontra-se o general Hélder Vieira Dias (“Kopelipa”), ministro de Estado e chefe da Casa de Segurança do Presidente da República, José Eduardo dos Santos. O julgamento decorre no Tribunal Provincial de Luanda.

A secção portuguesa da Amnistia Internacional lançou entretanto uma petição na qual apela ao Governo português para interceder junto das autoridades angolanas para que seja retirada a acusação contra Rafael Marques. Confrontado com esta iniciativa, Rafael Marques, citado pela agência Lusa, agradeceu a mesma mas deixou uma convicção. “Todos sabemos qual é o papel do Governo português sobre Angola. É de total harmonia com os interesses corruptos e autoritários deste regime”.

Rafael Marques, numa entrevista ao Negócios, em Setembro de 2011, precisamente na ocasião de lançamento do livro “Diamantes de Sangue” em Portugal deixava expresso um desejo. “Se eu quero uma pátria diferente tenho que lutar por ela. Eu quero uma pátria da qual me possa orgulhar. O que está aqui escrito [e aponta para o livro] eu peço aos jornais, à Procuradoria-geral da República, à Presidência da República, que me processem, porque para mim será também mais um acto de libertação”. Porquê? “Porque poderei ir a tribunal com as provas, com as testemunhas, e vamos discutir isso em tribunal”.

Num depoimento publicado na edição online do jornal inglês The Guardian, na segunda-feira, 23 de Março, Rafael Marques escreve. “Não tenho medo, mas orgulho do meu trabalho. A primeira vez que me sentei no tribunal foi em 1999 por ter chamado corrupto ao presidente. Primeiro mandou-me prender e depois acusou-me no dia minha libertação. Conquistei uma reputação, dentro e fora da prisão, de defensor dos direitos humanos, simplesmente porque durante 43 dias estive encarcerado e continuei a expor os abusos a que assistia na prisão. A prisão ensinou-me sobre os direitos humanos”.

Rafael Marques nasceu em Angola em 1971 e actualmente dirige o site MakaAngola, onde expõe os problemas do regime angolano. “Maka” é uma palavra do dialecto kimbundu que significa problema. A editora Tinta da China, que publicou em Portugal “Diamantes de Sangue”, já disponibilizou gratuitamente o livro na internet em solidariedade com o autor. (jornaldenegocios.pt)

 

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