Isabel dos Santos responde à OPA com proposta de fusão do BPI com BCP

Isabel dos Santos (Foto: D.R.)
Isabel dos Santos (Foto: D.R.)
Isabel dos Santos
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A fusão do BPI com o BCP é a contra-proposta que Isabel dos Santos tem para apresentar à OPA do CaixaBank. Anúncio formal desta oferta deve ser feito esta segunda-feira.

A empresária angolana Isabel dos Santos, segunda maior accionista do BPI, defende que o banco liderado por Fernando Ulrich deve avançar com uma fusão com o BCP, noticiou o “Expresso”. O anúncio formal desta proposta deve ser comunicada ainda esta segunda-feira, apurou o Negócios.

O projecto de fusão é a resposta da filha do presidente de Angola à oferta pública de aquisição (OPA) que os catalães do CaixaBank lançaram sobre o BPI a 17 de Fevereiro. O grupo catalão liderado por Isidro Fainé avançou com a OPA para eliminar o limite aos direitos de voto existente no BPI e passar a controlar mais de 50% do capital da instituição, onde actualmente tem uma posição de 44,1%, mas um poder de voto de 20%.

De acordo com o Expresso, a aproximação entre os dois bancos foi discutida nos últimos dias entre Isabel dos Santos, que tem 18,6% do BPI, e a Sonangol, a petrolífera angolana que, com 19,44%, é o maior accionista do BCP.

A fusão entre o BCP e o BPI já fez correr muita tinta na imprensa nos anos 2006 e 2007. A 13 de Março de 2006 o BCP anunciou o lançamento de uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre o BPI, oferecendo então, 5,70 euros por acção,  ou seja, um prémio de 19% face à cotação de então.

O BPI rejeitou a oferta, considerando de “hostil” a proposta que, se fosse concretizada, daria origem à maior cotada de então. Na altura o então presidente executivo do BCP, Paulo Teixeira Pinto, revelou que o seu banco tentou, antes de lançar a OPA, realizar uma fusão com o BPI.

O BCP foi mantendo sempre a contrapartida oferecida, tendo apenas “cedido” a 24 de Abril de 2007, altura em que elevou para 7,00 euros a oferta. Um valor ainda assim considerado “totalmente inaceitável”. A OPA foi dada como “morta” em Maio de 2007.

Cinco meses depois, o BPI contra-atacou, apresentando uma proposta de fusão com o banco. Foi a 25 de Outubro que foi anunciada a proposta. Exactamente um mês depois, a 25 de Novembro, foram dadas por terminadas as negociações entre os dois bancos. E dois dias depois Fernando Ulrich garantia não ter qualquer intenção de lançar uma OPA  sobre o BCP.

 

(Foto: D.R.)
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CMVM  PEDE ESCLARECIMENTOS A ISABEL DOS SANTOS SOBRE FUSÃO DO BPI COM BCP

O supervisor do mercado quer que Isabel dos Santos venha esclarecer o mercado sobre a intenção de propor uma fusão do BPI com o BCP. Para já, a CMVM ainda não decidiu qualquer suspensão da negociação das acções dos dois bancos envolvidos.

A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) pediu esclarecimentos a Isabel dos Santos sobre o projecto de fusão entre o BPI e o BCP que, segundo revelou o Expresso, a empresária angolana se prepara para propor, adiantou fonte oficial do supervisor da bolsa ao Negócios.

Para já, e uma vez que a informação foi noticiada já depois do fecho do mercado, a CMVM ainda não tomou qualquer decisão de suspender a negociação das acções do BCP e do BPI. Neste momento, o supervisor liderado por Carlos Tavares aguarda as explicações de Isabel dos Santos e, se não houver informação oficial nas próximas horas, a CMVM pode avaliar mais tarde essa eventual suspensão.

Isabel dos Santos, segunda maior accionista do BPI, defende que o banco liderado por Fernando Ulrich deve avançar com uma fusão com o BCP, noticiou o “Expresso”. O anúncio formal desta proposta deve ser comunicada ainda esta segunda-feira, 2 de Março, apurou o Negócios.

O projecto de fusão é a resposta da filha do presidente de Angola à oferta pública de aquisição (OPA) que os catalães do CaixaBank lançaram sobre o BPI a 17 de Fevereiro. O grupo catalão liderado por Isidro Fainé avançou com a OPA para eliminar o limite aos direitos de voto existente no BPI e passar a controlar mais de 50% do capital da instituição, onde actualmente tem uma posição de 44,1%, mas um poder de voto de 20%.

 

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CENÁRIO DE FUSÃO ENTRE BCP E BPI REGRESSA NOVE ANOS DEPOIS

Esta é a terceira vez que a fusão entre BPI e BCP surge como cenário. A primeira foi em 2006, quando o BCP lançou uma OPA sobre o banco liderado por Fernando Ulrich. Nove anos depois deverá haver uma nova proposta para fundir as duas instituições.

A empresária angolana Isabel dos Santos deverá apresentar uma contraproposta à oferta pública de aquisição (OPA) lançada no dia 17 de Fevereiro pelos catalães do CaixaBank. A proposta passará pela fusão entre o BCP e o BPI. Esta é a terceira vez que este cenário surge nos últimos nove anos.

A 13 de Março de 2006 o BCP anunciou o lançamento de uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre o BPI, oferecendo então, 5,70 euros por acção, o que representou na altura um prémio de 19% face à cotação de então.

O BPI rejeitou a oferta, considerando de “hostil” a proposta que, se fosse concretizada, daria origem à maior cotada de então. Na altura o então presidente executivo do BCP, Paulo Teixeira Pinto, revelou que o seu banco tentou, antes de lançar a OPA, realizar uma fusão com o BPI.

O BCP foi mantendo sempre a contrapartida oferecida, tendo apenas “cedido” a 24 de Abril de 2007, altura em que elevou para 7,00 euros a oferta. Um valor ainda assim considerado “totalmente inaceitável” pelo BPI. A OPA foi dada como “morta” em Maio de 2007.

Cinco meses depois, o BPI contra-atacou, apresentando uma proposta de fusão com o banco. Foi a 25 de Outubro que foi anunciada a proposta. Exactamente um mês depois, a 25 de Novembro, foram dadas por terminadas as negociações entre os dois bancos.  E dois dias depois Fernando Ulrich garantiu não ter qualquer intenção de lançar uma OPA sobre o BCP.

BPI: A ETERNA NOIVA DA BANCA 

O “apetite” pelo BPI fez correr muita tinta na imprensa nos últimos 15 anos. Foram várias as operações e especulações que estiveram em cima da mesa, nunca concretizadas. De tal forma que o banco foi apelidado de “eterna noiva”.

O ano de 2000 começou com um anúncio de fusão entre o BES e o BPI. A operação seria realizada através da troca de 692 novas acções do BPI por cada 100 acções existentes do BES.

Foram precisos quase três meses para que esta fusão caísse por terra depois de ter sido noticiado que havia um mal-estar entre os responsáveis das duas instituições. O anúncio da fusão foi feito a 18 de Janeiro de 2000, e caiu no final de Março.

Nos anos seguintes não houve novidades, apenas especulação em torno de possíveis interessados. Os analistas apelidaram o BPI de “eterna noiva” da banca nacional – uma empresa que atraia muitos interessados mas que acabava por não concretizar qualquer operação.

A 13 de Março de 2006 o BCP anunciou o lançamento da OPA, acima referida, tendo sido rejeitada pelo BPI. Paulo Teixeira Pinto admitiu na altura que, antes de a lançar a OPA, tentou uma fusão.

No âmbito desta OPA o BPI, para se proteger, fez alterações aos seus estatutos ainda em 2006 elevando o limite de blindagem, de 12,5% para 17,50%, o que na altura acabou por ditar um reforço do poder do La Caixa e do Itaú. Em Agosto desse mesmo ano o La Caixa reforçou a posição no capital do BPI para mais de 20%. Em Outubro, houve notícias que davam conta de um reforço desta posição. Em Janeiro de 2007, o La Caixa já detinha 25% do BPI.

Em 2012, o Itaú saíu do capital do BPI, tendo vendido a sua posição ao La Caixa. O banco espanhol, que é accionista do banco português desde 1995, ficou na altura com mais de 48% do capital da instituição liderada por Ulrich. A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) considerou que o lançamento de uma OPA sobre o BPI por parte do La Caixa não era obrigatório. Nesta altura, o limite de votos estava já nos 20%, depois de alteração estatutária em Abril de 2009.

A mais recente investida sobre o BPI foi realizada pelo realizada pelo accionista histórico CaixaBank. A oferta foi anunciada a 17 de Fevereiro, com os catalães a oferecerem 1,329 euros por acção, um prémio de 27% face à cotação de fecho da sessão anterior.

Entretanto aumentou a especulação em torno da possibilidade do CaixaBank elevar a contrapartida, com alguns responsáveis a defenderem que o preço oferecido pelo CaixaBank na OPA não reflecte  o facto de o grupo catalão ir passar a ter uma verdadeira posição de controlo na instituição liderada por Fernando Ulrich. O que poderá levar a administração do BPI a considerar “baixo” o valor proposto pelo CaixaBank.

Mas não foi apenas o BPI que foi alvo de interesse. A instituição liderada por Fernando Ulrich também tem o papel de interessado, neste caso na compra do Novo Banco, instituição criada após o colapso do BES e que ficou com os activos e passivos saudáveis. Ainda no dia 17 de Fevereiro, o banco português reiterou o seu interesse.

BPI+BCP SERIA LÍDER EM CRÉDITOS, MAS NÃO EM DEPÓSITOS

Nuno Amado (BCP) e Fernando Ulrich (BPI) (Foto: D.R.)
Nuno Amado (BCP) e Fernando Ulrich (BPI)
(Foto: D.R.)

Uma fusão entre o BCP e o BPI criaria o maior banco português no crédito concedido no mercado doméstico. Mas nos depósitos, a CGD continuaria à frente. Em termos consolidados, a integração dos dois bancos deixaria sempre para trás o grupo financeiro do Estado.

A integração do BCP com o BPI criaria o maior banco português em termos de activos consolidados. No entanto, tendo em conta apenas a actividade doméstica, a integração das duas instituições criaria um líder no crédito, mas continuaria atrás da CGD em depósitos.

De acordo com os dados relativos ao final de 2014, a fusão do BCP com o BPI criaria uma instituição com activos consolidados de 119 mil milhões de euros, quase 20% acima dos 100 mil milhões registados pela Caixa Geral de Depósitos.

Em termos consolidados, o BCP+BPI seria também líder da banca portuguesa em crédito e depósitos, com carteiras de 79 mil milhões e 76,3 mil milhões de euros, respectivamente. Números que incluem as participações maioritárias que o BCP tem no Millennium polaco e no moçambicano Millennium bim, além da posição de controlo que o BPI tem no BFA. Já a CGD terminou o ano com 66,87 mil milhões de crédito e 70,72 mil milhões de depósitos, incluindo a presença em Espanha e Moçambique, entre outras.

Uma análise exclusivamente da presença doméstica dos três bancos permite concluir que a integração dos bancos de Nuno Amado e Fernando Ulrich criaria um grupo líder em crédito, com uma carteira de 67,2 mil milhões de euros, contra os 55 mil milhões de euros da CGD. Mas em termos de depósitos, a Caixa continuaria a ser líder, com 55,4 mil milhões face aos 53 mil milhões de poupanças de clientes do BCP+BPI.

FUSÃO DO BPI COM O BCP DARIA ORIGEM À QUARTA COTADA MAIS VALIOSA DA BOLSA

A fusão entre BPI e BCP poderá estar novamente em cima da mesa, depois das tentativas falhadas de 2006 e 2007. A operação criaria a quarta maior cotada da bolsa, mas poderia significar despedimentos, dizem os analistas.

Não é um tema novo. Quase nove anos depois, a fusão entre BPI e BCP volta a estar em cima da mesa. Agora é Isabel dos Santos que poderá apresentar este negócio como contra-proposta à OPA do CaixaBank, para forçar os catalães a subirem o preço oferecido pelo banco liderado por Fernando Ulrich, acreditam os analistas. Esta operação de consolidação resultaria na quarta maior empresa da bolsa nacional, mas teria como principal consequência “muitos despedimentos”.

A junção entre o BPI e o BCP resultaria numa entidade com uma capitalização bolsista de 6,5 mil milhões de euros. Ou seja, esta instituição seria a quarta maior cotada da bolsa nacional, superada apenas pela EDP, Galp Energia e Jerónimo Martins. “A fusão dos bancos representaria não só a redução da concorrência dentro da banca como a saída de mais um membro importante do PSI-20, o que teria um impacto claramente negativo na bolsa nacional”, explica Steven Santos.

Para o gestor da XTB, “além dos problemas de concorrência, a duplicação de balcões e funcionários em muitas regiões geográficas seria uma preocupação natural de um eventual processo de fusão”. Um receio também manifestado por Pedro Lino.

“A principal consequência da fusão seria, com certeza, os muitos despedimentos que seriam anunciados”, frisa o administrador da Dif Broker.

O movimento de Isabel dos Santos “tem um intuito” que é demonstra que esta situação “só se resolve com uma subida do preço” que o CaixaBank oferece pelo BPI, sublinha Pedro Lino. E “consoante a proposta concreta a ser apresentada por Isabel dos Santos, o CaixaBank poderá mesmo de melhorar as condições financeiras, para tornar a sua oferta mais atractiva e atingir o seu objectivo de dominar o BPI”, realça Steven Santos. Uma tentativa que pode ser bem-sucedida, uma vez que a empresária “conseguiu pôr os accionistas do BPI a ponderar as vantagens de integrar um mega-banco nacional”.

“No fundo, a estratégia de Isabel dos Santos é manter uma forte posição no sistema financeiro nacional, continuando a ter influência fora de Angola”, conclui Pedro Lino. (jornaldenegocios.pt)

 

 

 

 

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