Isabel dos Santos envia carta ao BCP, BPI e CaixaBank a explicar intenção da fusão

A empresária Isabel dos Santos (Foto: D.R.)
A empresária Isabel dos Santos (Foto: D.R.)
A empresária Isabel dos Santos
(Foto: D.R.)

Isabel dos Santos escreveu uma carta ao BCP e ao BPI a explicar quais os objetivos da fusão entre os dois bancos. A mesma carta foi também enviada ao presidente executivo do CaixaBank, Gonzalo Gortázar, segundo apurou o Dinheiro Vivo junto de fonte conhecedora do processo.

A Santoro Finance (holding de Isabel dos Santos) endereçou a carta aos presidentes do BCP, Nuno Amado, e do BPI, Fernando Ulrich onde revela a proposta de análise de fusão.

Segundo o Dinheiro Vivo apurou, nesse documento, assinado pelo representante de Isabel dos Santos, Mário Leite Silva, a empresária angolana revela essencialmente quatro grandes objetivos que se pretende com a fusão: criação do maior banco privado com sede em Portugal e posições de referência em Angola, Moçambique e Polónia; conseguir ter gestão profissional, portuguesa e independente dos acionistas; obter um núcleo acionista forte, coeso e diversificado; e reforçar a capacidade de intervenção no suporte às relações empresariais e negócios das empresas portuguesas.

Isabel dos Santos confirma também nesta carta que a sua participação de 18,6% no BPI nunca foi meramente financeira. Para a empresária angolana a sua posição no sector financeiro português é estratégica.

A filha do presidente angolano, José Eduardo dos Santos, mostra assim que está decidida a ter um papel relevante no sector bancário. Além disso, esta proposta de fusão acaba por ser um “não” à oferta pública de aquisição (OPA) que os espanhóis do CaixaBank lançaram sobre o BPI.

A aproximação entre BCP e BPI foi discutida nos últimos dias entre Isabel dos Santos (que detém 18,6% do BPI) e a petrolífera angolana Sonangol (que tem 19,44% do BCP), segundo o Expresso. O Dinheiro Vivo confirmou juntos de fontes próximas que estas movimentações já se começaram a desenhar aquando o lançamento da OPA dos espanhóis.

O grupo catalão lançou uma OPA sobre o BPI, ofereceu 1,329 euros por ação e estabeleceu a como uma das condições de eficácia a desblindagem de estatutos, ou seja, o fim da limitação dos direitos de voto. Apesar dos catalães serem o maior acionista do BPI, com 44,9%, estão limitados a votarem com apenas 20%. Ou seja, mesmo com mais capital acabam por ter o mesmo poder que Isabel dos Santos (que tem 18,6%). A intenção dos espanhóis estaria assim em acabar com este limite e assumir o controlo, com mais de 50%. (dinheirovivo.pt)

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