Guerra contra o EI: Irão e Iraque de mãos dadas

(EURONEWS)
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As forças iraquianas, os combatentes tribais e as milícias xiitas apoiadas pelo Irão tomaram, esta sexta-feira, a localidade de Al Dur, nos arredores de Tikrit, e até agora, nas mãos do grupo Estado Islâmico.

Após um intenso bombardeamento da aviação iraquiana, as forças terrestres puderam entrar em Al Dur, situada a 20 quilómetros de Tikrit.

O objetivo da iniciativa lançada na passada segunda-feira é, exatamente, retomar o controlo de Tikrit, a cidade natal do ex-ditador Saddam Hussein, e um bastião importante dos atuais jihadistas.

Outrora inimigo declarado de Bagdade, Teerão também declarou guerra aos extremistas do Estado Islâmico.

A primeira implicação direta do Irão nesta luta contra o terrorismo foi em agosto último, quando ajudou os curdos a defenderem a capital, Erbil.

Para analisar a participação militar iraniana numa operação destinada a recuperar Tikrit, ocupada pelo autoproclamado Estado Islâmico, falamos, através do Skype, com o Houchang Hassan-Yari, professor de Ciências Políticas no Colégio Militar Real do Canadá.

euronews – O Irão nunca imaginaria, durante os 8 anos de guerra com o Iraque (1980-88), estar tão perto da cidade natal de Saddam Husseim, Tikrit. Que proporções tem esta presença militar iraniana na operação?

Houchang Hassaan-Yari – Não dispomos de informação exata sobre o número de soldados, mas o que é mais importante e evidente é que os iranianos estão à frente de uma grande operação. A presença do general Qasim Suleimani, líder das forças de elite demonstra-o. É ele que lidera, no estrangeiro, as operações dos Guardiães da Revolução Iraniana. Pode dizer-se que é sobre estas forças que recai a maior responsabilidade da operação.

euronews: Agora que há uma comunhão de forças, há capacidade real para forçar a retirada dos jihadistas de Tikrit?

Houchang Hassaan-Yari – Se observarmos os números, creio que é possível. Calcula-se que estejam mobilizados 30 mil soldados, o que é importante. Também há outros corpos aliados no terreno, como o Hezbollah libanês.

Portanto, em termos de números, a vitória é possível. Falta ver se têm capacidade de combate. Uma grande parte destas forças eram civis no momento da mobilização, não tinham treino e queriam apenas defender os seus ideais.

Desconhece-se quem vai ganhar esta guerra ideológica, porque os combatentes do grupo Estado Islâmico também estão muito motivados ideologicamente.

euronews – Que sucede se esta guerra passar a ser de desgaste?

Houchang Hassaan-Yari – No caso de se converter em guerra de desgaste, haverá mais baixas do lado das forças iraquianas, porque têm mais efetivos do que as forças do autoproclamado Estado Islâmico.
Provavelmente, a questão mais importante é que a capacidade ou a incapacidade para conquistar Tikrit será um sinal muito claro para o que pode ocorrer em Mossul.

euronews – O comandante que supervisiona as forças norte-americanas no Médio Oriente, afirmou que as suas forças não estão coordenadas com Teerão, mas reconheceu que seguiram as atividades. Podemos concluir que há um acordo tácito para os Estados Unidos terem transferido praticamente todas as operações terrestres para o Irão?

Houchang Hassaan-Yari – Definitivamente sim. O importante é que não houve confrontos entre os iranianos e os norte-americanos, o que significa que há uma coordenação. A questão que mencionou, na segunda parte da pergunta, que é muito importante, é se os Estados Unidos cederam o comando das operações terrestres ao Irão. Eu acredito que sim. Os Estados Unidos não estão dispostos a envolver as suas tropas no terreno no Iraque ou na Síria, por isso agradecem a qualquer outro exército que o faça, seja iraniano, iraquiano ou peshmerga. Essa é a estratégia americana para derrotar o EI. (euronews.com)

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