Fusão BPI-BCP: Uma boa idéia

ANDRÉ MACEDO Director de Diário de Notícias (Foto: D.R.)

 

ANDRÉ MACEDO Director de Diário de Notícias (Foto: D.R.)
ANDRÉ MACEDO
Director de Diário de Notícias
(Foto: D.R.)

Talvez à terceira seja possível concretizar a sempre adiada fusão entre BCP e BPI, embora ainda seja muito cedo para avaliar as possibilidades de êxito da ideia lançada ontem por Isabel dos Santos (18,6% do BPI) com o apoio da Sonangol (19,44% do BCP) – até porque ainda falta conhecer as balizas e os termos do possível acordo e saber se há dinheiro.

Mas agora há uma diferença relevante que não existia em 2006: o capital angolano está nos dois bancos, tem força, há uma proximidade evidente, talvez até sintonia, o que significa que o negócio beneficia de uma ponte já construída que pode facilitar um caminho sempre espinhoso de percorrer, até porque não vai ao encontro dos interesses dos espanhóis do La Caixa (44,1% do BPI). Do ponto de vista económico, a fusão sempre fez sentido, agora faz ainda mais. Um dos problemas dos bancos portugueses é a falta de escala.

A sua reduzida dimensão não apenas limita a rentabilidade das operações como condiciona a economia nacional, isto é, as empresas e os empresários. Numa altura em que o mercado bancário ainda não sarou todas as feridas – este ano pode finalmente ser o ano de viragem -, juntar duas operações desta dimensão ajudaria a criar um banco com o músculo da Caixa Geral de Depósitos, mas com protagonismo em Angola, onde o BPI é o mais forte, mas também em Moçambique e na Polónia, onde o BCP tem ganho relevância.

Houvesse um braço no Brasil e a ligação Atlântica estaria finalmente conseguida, estendendo-se com naturalidade à África Oriental e à Europa de Leste.

Ter um banco desta dimensão não pode ser senão bom. Melhor ainda se esta fusão implicasse uma mistura entre capitais portugueses – que deveriam reforçar a sua posição – e angolanos (já presentes no DN).

Um banco com sede em Lisboa, consolidando as suas contas em Lisboa, com a gestão do risco também por aqui, embora com vocação geográfica alargada e acionistas multinacionais, faria mais pela ligação entre Portugal, Angola e Moçambique – e a relação destes países com o resto do mundo – do que tantos protocolos que não saem do papel. Não é só pensar inteligente, é pensar grande, mesmo que nem tudo sejam maravilhas. (dn.pt)

 

DEIXE UMA RESPOSTA