Extrema-direita regista melhor votação em eleições locais na França

A líder da Frente Nacional, Marine Le Pen. (REUTERS/Gonzalo Fuentes)
A líder da Frente Nacional, Marine Le Pen. (REUTERS/Gonzalo Fuentes)
A líder da Frente Nacional, Marine Le Pen.
(REUTERS/Gonzalo Fuentes)

O partido francês de extrema-direita Frente Nacional (FN) perdeu o desafio de se firmar como a primeira força política da França, após o primeiro turno das eleições departamentais realizadas neste domingo (22). Por outro lado, os populistas liderados por Marine Le Pen tiveram o melhor desempenho já registado em eleições locais. Esse sucesso eleitoral consolida o FN como o terceiro partido mais influente no cenário político nacional, depois da UMP, do ex-presidente Nicolas Sarkozy, e do Partido Socialista, de François Hollande.

A coligação de centro-direita UMP-UDI obteve 29,4% dos votos no primeiro turno das eleições departamentais, contra 25,19% da Frente Nacional e 21,85% do Partido Socialista. O desempenho da extrema-direita foi quase tão elevado quanto nas eleições europeias de 2014. As listas frentistas lideram em 40% dos 102 departamentos franceses. Oito candidatos frentistas foram eleitos já no primeiro turno, contra dois anteriormente.

Os analistas notam um fato novo. Nas eleições presidenciais de 2012, Marine Le Pen conquistou votos principalmente em áreas rurais e desindustrializadas, marcadas por um forte desemprego. Nessas eleições departamentais, as listas populistas progridem menos nessas áreas, mas conquistam novos eleitores de alto poder aquisitivo e em regiões onde não estavam presentes.

Para os cientistas políticos Jean-Yves Camus e Joel Gombin, do Observatório dos Radicalismos Políticos da Fundação Jean Jaurès, Marine Le Pen conseguiu cativar “parte do coração do eleitorado da UMP”, o mais prejudicado pelas políticas socialistas adoptadas no governo de François Hollande.

“Uma parte do eleitorado de direita, em oposição radical ao sistema político actual, quis enviar um sinal”, afirma Joel Gombin.

O primeiro turno não alcançou a vitória esperada pela Frente Nacional, mas a pontuação foi muito boa”, nota Jean-Yves Camus. “A decisão de focar no local é uma estratégia vencedora”, avalia Camus.

Em entrevista ao Le Monde, o cientista político Gérard Le Gall estima que a estratégia de combater a Frente Nacional no cenário político francês não tem futuro. “É melhor pensar qual seria um espaço justo para o partido frentista em vez de se opor a ele”, conclui Le Gall. (rfi.fr)

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