Exércitos lançam ofensiva contra Boko Haram após grupo jurar lealdade ao EI

Soldados do Chade fazem patrulha na fronteira com a Nigéria (Foto de Stephane Yas/AFP)
    Soldados do Chade fazem patrulha na fronteira com a Nigéria  (Foto de Stephane Yas/AFP)
Soldados do Chade fazem patrulha na fronteira com a Nigéria
(Foto de Stephane Yas/AFP)

Os exércitos do Chade e da Nigéria lançaram neste domingo uma ofensiva aérea e terrestre contra os islamitas do Boko Haram, um dia depois de o grupo jurar lealdade ao movimento Estado Islâmico (EI).

“No início desta manhã, as tropas nigerianas e chadianas lançaram uma ofensiva contra o Boko Haram, em duas frentes, na região de Bosso e perto de Diffa”, indicou à AFP uma fonte do governo nigeriano.

Milhares de soldados nigerianos e chadianos estão posicionados há mais de um mês na província de Diffa sob o fogo do Boko Haram.

No sábado, o líder do Boko Haram, Abubakar Shekau, jurou lealdade ao EI, segundo uma mensagem de áudio divulgada no Twitter.

“Anunciamos nossa lealdade ao califa dos muçulmanos, Ibrahim”, diz uma voz na mensagem, em referência ao líder do EI, Abu Bakr al-Bagdadi.

O áudio, cuja voz pode ser do próprio Shekau, é falado em árabe mas com legendas em francês e inglês.

O anúncio deste domingo ocorre em um momento chave.

A ofensiva regional, lançada no final de Janeiro pelo Chade, Camarões e Níger – também alvos de ataques islamitas na região do Lago Chade – enfraqueceu consideravelmente o Boko Haram, que perdeu várias posições no extremo norte da Nigéria.

O Boko Haram, que alega possuir milhares de combatentes, continua a multiplicar seus ataques nas grandes cidades do norte do país, massacrando populações inteiras.

No sábado, três explosões deixaram 58 mortos e 139 feridos na cidade de Maiduguri, antigo reduto do Boko Haram no nordeste da Nigéria,

No mesmo dia, o exército nigeriano anunciou ter retomado novas localidades do nordeste: Buni Yadi e Buni Gari, no estado de Yobe, e Marte, no estado de Borno.

Nos últimos meses surgiram sinais de aproximação entre o grupo nigeriano e o Estado Islâmico, especialmente em relação a transmissão dos comunicados.

‘Aliados naturais’

O Boko Haram e o EI “sofreram muitos reveses nas últimas semanas e meses”, e o juramento de lealdade “poderia ser uma forma de enviar uma mensagem para suas tropas, para aumentar a sua moral e atrair novos recrutas, especialmente no caso de Boko Haram”, considera Yan St-Pierre, um especialista na luta contra o terrorismo da empresa alemã Modern Security Consulting.

Segundo ele, a declaração Shekau está relacionada com a presença do EI na Líbia, de onde se acredita que o Boko Haram recebe armas e munições.

Em declarações anteriores, Shekau já havia mencionado Abu Baqr al-Baghdadi, o chefe do EI, mas sem jurar lealdade.

Este juramento “poderia empurrar o Ocidente a agir (…), em especial a França, que já lidera uma campanha militar anti-terrorista na África Ocidental e África Central”, considera Ryan Cummings, da empresa de consultoria em segurança Red24.

As forças ocidentais nunca agiram no norte da Nigéria, apesar de algumas tropas francesas, canadenses e americanas presentes na fronteira.

O presidente nigeriano Goodluck Jonathan, para quem o Boko Haram é “a Al-Qaeda no oeste africano”, disse recentemente ter provas de ligações com o EI, sem dar mais detalhes.

“Nenhum dos (dois) grupos demonstra limites em termos de violência. São aliados naturais”, estima Max Abrahams, um especialista em grupos extremistas da Boston University (EUA). (afp.com)

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