Empresas locais do sector de bebibas consolidam estratégias para o mercado

Presidente da Associação das Indústrias de Bebida de Angola (AIBA), Manuel Sumbula, espera que o envolvimento das empresas traga mais crescimento (Foto: D.R.)
Presidente da Associação das Indústrias de Bebida de Angola (AIBA), Manuel Sumbula, espera que o envolvimento das empresas traga mais crescimento (Foto: D.R.)
Presidente da Associação das Indústrias de Bebida de Angola (AIBA), Manuel Sumbula, espera que o envolvimento das empresas traga mais crescimento.
(Foto: D.R.)

Com a Associação das Indústrias de Bebida de Angola que tem na sua direcção Manuel Sumbula as empresas pretendem “atrair mais investimento” para o sector a fim de potencializar a produção local.

Um total de 22 empresas ligadas ao ramo de bebidas em Angola proclamou na semana passada, em Luanda, a Associação das Indústrias de Bebida de Angola (AIBA), com o objectivo de promover o sector, que já é responsável por 14 mil postos de trabalho directos e 42 mil indirectos e uma produção que excede o consumo total no país em 70 por cento.Durante o evento, o presidente de direcção da AIBA, Manuel Sumbula (da Coca-Cola Bottling Angola), explicou que aquela associação pretende “atrair mais investimento” para o sector nacional, potenciar a cadeia de valor da indústria local e igualmente produzir no país a matéria-prima para as bebidas, além de fomentar a competitividade e a exportação das bebidas angolanas.

“Não somos contra a importação mas convidamos os importadores para trabalharmos juntos aqui em Angola, produzindo e existindo de facto uma competitividade bastante leal. Com certeza que para nós é um orgulho a produção nacional, o “Feito em Angola”, adiantou.

A associação reúne no seu seio, empresas concorrentes mas que encontram nela um fórum de partilha de ideias, experiências e preocupações comuns, com vista ao seu desenvolvimento e defesa dos seus direitos, sobretudo os dos consumidores.

O campo de actuação da associação centra-se igualmente na divulgação dos assuntos que interessam a indústria de produção de bebidas em todo o país, a participação em eventos nacionais e internacionais, bem como na promoção de acções de formação profissional para a valorização dos seus associados, gestores e trabalhadores.

A ministra da Indústria, Bernarda Gonçalves Martins, presenciou a cerimónia de posse dos corpos dirigentes da agora criada Aiba, precisamente na semana em que foi divulgada a imposição de quotas no país para a importação de vários produtos, nomeadamente cervejas, sumos e águas.

A medida deverá reduzir já a partir de 2015 as importações de bebida por Angola para uma quota de 950 mil hectolitros, volume que anualmente se cifra em cerca de 400 milhões de dólares. Mais de metade deste valor é proveniente de exportações de empresas portuguesas, nomeadamente cerveja, tendo esta admitido apreensão com o cenário agora conhecido.

“Como sabemos que temos que deixar uma janela aberta para a entrada de alguma coisa, de alguns produtos, porque no sector das bebidas, felizmente, com as capacidades ociosas que temos, podemos efectivamente viver da produção nacional”, afirmou Bernarda Gonçalves Martins, acrescentando que uma pequena quota de importação é sempre importante.

No final da cerimónia, questionada pelo JE, a ministra explicou que o Executivo não está contra as importações, defendendo antes a produção nacional, tendo em conta a capacidade instalada no país e o “investimento gigantesco” que o sector angolano tem vindo a fazer na inovação e qualidade do produto.

“O nosso mercado está abastecido e vai melhorar ainda mais, em termos de qualidade, no sector das bebidas”, afirmou a ministra da Indústria.

Bernarda Gonçalves Martins informou igualmente que os sectores alimentar e de bebida possuem uma elevada responsabilidade na diversificação e sustentabilidade da economia de Angola, pois satisfaz uma das necessidades básicas da população, ao mesmo tempo que já contribui para uma redução muito significativa das importações.

“Este sector a breve trecho poderá potenciar a utilização e valorização dos recursos naturais do país na fileira agro-alimentar e, neste domínio, o Executivo tem registado com agrado os esforços que os industriais vêm empreendendo, com vista a produção de cereais em grande escala, para a substituição das importações das matérias-primas para a indústria cervejeira e a produção de fruta em quantidade e qualidade para a produção interna de polpa, avançou.

Em termos de produção, a actual capacidade instalada no mercado angolano é de quatro milhões e 480 mil litros anuais, cifra que prevê subir nos próximos anos para 4 milhões 950 mil litros anuais, com a entrada de cinco novos fabricantes.

A capacidade instalada actual é de cerca de 70 por cento superior ao consumo total que se estima ter sido de dois milhões 679 mil litros durante o ano de 2014.

Em 2014, o volume de importações representou cerca de 500 milhões de litros nas diversas categorias de bebidas, pesando cerca de 20 por cento da procura actual.

À margem do evento, questionado pela Lusa, o administrador delegado em Angola do grupo Castel, que produz a tradicional cerveja angolana Cuca, Philippe Frederic, garantiu que tudo está pronto para responder ao previsível aumento da procura.

Só a Cuca, explicou, já produz anualmente nove milhões de hectolitros de cerveja, estando pronta para aumentar essa produção em mais de 1,5. “Nós temos três fábricas que estão a produzir a metade das suas capacidades, estamos a continuar a investir. Temos três linhas novas previstas para este ano. Estamos com capacidade para superar uma grande parte [da procura] do mercado”, enfatizou. Embora assumindo que o grupo não é contra a importação, Philippe Frederic sustenta que as empresas que investiram na produção em Angola também devem ver os seus interesses acautelados. (jornaldeeconomia.ao)

 

 

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