Eduardo Nascimento: “Nunca tive o desejo de ser cantor. Aconteceu”

Eduardo Nascimento (Foto: D.R.)
Eduardo Nascimento (Foto: D.R.)
Eduardo Nascimento
(Foto: D.R.)

Eduardo Nascimento, o primeiro negro a vencer o Festival da Canção, só voltou a entrar num estúdio em 2014 para uma versão da música com que ganhou o concurso em 1967.

Os Rocks eram o seu grupo em Luanda – formado com vizinhos e amigos de escola com quem se continua a dar ainda hoje (“Somos amigos do coração”, diz). Depois de ganharem um concurso de yé-yé em Angola vieram a Lisboa para o concurso nacional e ficaram. Vasco Morgado contrata-os em 1964 para tocar na boîte Porão da Nau, perto do Teatro Monumental, em Lisboa, onde os artistas se encontravam depois das sessões de revista, e conheceu Simone, Madalena Iglésias, Helena Isabel e outras grandes atrizes da época. “Era o ponto in da cidade.” Em 1967, dois jovens convidaram-no para interpretar uma canção no festival. Venceu. Dois anos depois deixou tudo. Quando lhe perguntaram por que o tinha feito respondeu: “Tinha saudades dos domingos à tarde em Luanda.” Quase 50 anos depois, na pele de diretor da companhia de aviação Euroatlantic, dá novas respostas.

Hoje uma pessoa que quer cantar e chega a um concurso de música não desiste.

Mas eu não tive esse desejo de ser cantor. Aconteceu ser cantor. Gosto é de música. E as coisas foram sucedendo na escola, no liceu, no grupo…

Porque decidiu abandonar a música em 1969?

A música nunca foi o meu plano de A a Z. Não gosto de coisas incertas e quando comecei a sentir que a música era um projeto efémero, com altos e baixos muito grandes, comecei a preocupar-me. Não era isso que queria para mim. Queria um emprego, queria uma família, entretanto casei-me. Sempre fui muito ciente das minhas responsabilidades. Não sei gerir a vida tendo um contrato hoje e amanhã não. Então, acabei.

E os seus colegas de Os Rocks.

Uns continuaram na música, outros foram para o Brasil. Continuá- mos bons amigos. (dn.pt)

Por: Lina Santos

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