Democratas irritados com discurso de Netanyahu no Congresso dos EUA

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu durante discurso no Congresso americano, em Washington, no dia 3 de março de 2015 (Foto de MANDEL NGAN/AFP)
O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu durante discurso no Congresso americano, em Washington, no dia 3 de março de 2015 (Foto de MANDEL NGAN/AFP)
O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu durante discurso no Congresso americano, em Washington, no dia 3 de março de 2015 (Foto de MANDEL NGAN/AFP)

Dezenas de parlamentares democratas boicotaram o discurso de Benjamin Netanyahu sobre o Irão nesta terça-feira no Congresso norte-americano, enquanto alguns presentes na plenária manifestaram de maneira ostensiva sua irritação diante do que consideraram um golpe político e partidário.

Os 40 minutos do discurso do primeiro-ministro israelita, seu terceiro desde 1996, provocaram uma subtil batalha entre os dois grandes partidos no Congresso, onde muitos dos assentos abandonados por deputados democratas foram ocupados por republicanos para mascarar o vazio. Os deputados republicanos ficaram de pé em diversas ocasiões para aplaudir o convidado.

A líder dos democratas na Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, presente, mostrou seu desgosto sacudindo a cabeça, levantando os olhos para o céu e comentando em voz alta várias passagens do discurso de Netanyahu.

“Como pessoa que aprecia a relação israelita-americana e que ama Israel, estou triste pelo insulto proferido contra a inteligência dos Estados Unidos como membro do grupo 5+1 (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança mais a Alemanha, que negociam com o Irão um acordo sobre seu programa nuclear), e triste pelo paternalismo a respeito de nossos conhecimentos sobre a ameaça representada pelo Irão”, declarou em comunicado, inédito por sua severidade contra um líder estrangeiro, em particular israelita.

Alguns democratas, como os senadores Robert Menendez e Chuck Schumer, mostraram entusiasmo, mas a maioria dos democratas se limitaram a aplaudir por educação. Alguns até se mantiveram obstinadamente de braços cruzados durante todo o discurso de Netanyahu.

“Agora o primeiro-ministro pode voltar para casa para fazer campanha e dizer que deu uma lição ao Congresso e aos norte-americanos sobre coisas que aparentemente ignoramos”, ironizou o democrata John Yarmuth em conferencia de imprensa no Capitólio.

“Não gostei de seu tom condescendente”, disse, a respeito de passagens do discurso de Netanyahu em que sugeriu que os Estados Unidos não têm consciência do perigo representado pelo Irão. “Quis amedrontar”, agregou, comparando os métodos de Benjamin Netanyahu com os de Dick Cheney, ex-vice-presidente do país e um dos promotores da guerra contra o Iraque.

Jan Schakowsky recordou que Benjamin Netanyahu foi um dos mais fervorosos partidários da queda de Saddam Hussein, e destacou a ausência de um “plano B” caso as negociações internacionais sobre o programa nuclear iraniano fracassem.

“O que ouvi hoje parecia muito com uma tentativa de empurrar mais uma vez os Estados Unidos para uma guerra”, afirmou.

O convite feito para que Netanyahu pronunciasse um discurso no Congresso foi uma iniciativa unilateral do presidente da Câmara dos Deputados, o republicano John Boehner.

O presidente da república, Barack Obama, não se reuniu com o premiê israelita. (afp.com)

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