Cuando Cubango: Cuito Cuanavale colhe acto do 23 de Março

Memorial da Batalha do Cuito Cuanavale (Foto: António Escrivão)
Memorial da Batalha do Cuito Cuanavale (Foto: António Escrivão)
Memorial da Batalha do Cuito Cuanavale (Foto: António Escrivão)

O Triângulo do Tumpo, ponto histórico da Batalha do Cuito Cuanavale, província do Cuando Cubango, acolhe nesta segunda-feira o acto central alusivo ao XXVII aniversário do desencadeamento daquele confronto entre as Ex-FAPLA e as Tropas do Regime racista Sul-africano.

O acto será presidido pelo ministro da Administração do Território, Bornito de Sousa, que já se encontra na província do Cuando Cubango, à semelhança de dezenas de oficiais e soldados participantes da Batalha.

A efeméride marca a derrota imposta pelas ex-Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA) aos militares do antigo regime do Apartheid sul-africano,
que invadiam Angola a partir desta região Sudeste do país.

A derrota das então forças militares sul-africanas obrigou o regime do Apartheid a promover conversações quadripartidas, que levaram à assinatura do Acordo de Nova Iorque (EUA) e, consequentemente, a independência da Namíbia, a libertação de Nelson
Mandela e a democratização da África do Sul.

A intervenção sul-africana em Angola teve início no período colonial português, com o objectivo de ajudar os colonialistas na luta contra os grupos de guerrilheiros
que na altura existiam.

A principal base da África do Sul estava localizada na região do Cuito Cuanavale.

Após a independência de Angola, estas forças voltaram a invadir o país, posicionando as suas tropas até ao Sul do Ebo, província do Cuanza Sul, de onde sofreram
uma derrota e tiveram de retirar-se.

Após este recuo, instalaram-se na Namíbia e daí realizavam incursões no território angolano, sempre com o pretexto de que combatiam os militantes da SWAPO e do ANC.

Durante quase mais de uma década, o regime sul-africano tinha como objectivo manter um território no Sul de Angola, onde operariam livremente contra o exército angolano.

Ainda durante este tempo, o exército angolano realizou várias operações a Sul do território, com o objectivo de destruir as bases da Unita, e nela foram empregues
quatro brigadas (16, 21, 45, 59), que avançaram até as margens do rio Longa.

A ofensiva das FAPLA estava a ser coroada com grandes êxitos até os sul-africanos introduzirem directamente forças como a brigada 61 motorizada, o Batalhão Búfalo e outras que conseguiram, na altura, parar a ofensiva do Governo angolano.

Animados com este resultado, resolveram realizar outra operação denominada “Hooper”, cujo objectivo era destroçar as brigadas das FAPLA e tomar o Cuito Cuanavale.

Decidiram então abrir duas frentes, sendo uma no Cuando Cubango e outra no Cunene, com o objectivo de realizar uma ofensiva em direcção à fronteira namibiana.

Após grandes combates de artilharia, tanques e bombardeamentos aéreos, que duraram oito horas, as FAPLA conseguiram derrotar as tropas sul-africanas, obrigando-as a retirar-se.

Nesta batalha, foi quebrado o mito de invencibilidade do então exército racista da África do Sul e alterou-se, “de uma vez por todas”, a correlação de forças na região austral do continente. (portalangop.co.ao)

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