Consumo em quebra e custos em alta nas cervejas

(Foto: D.R.)
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Produção de unidades cervejeiras está 10% a 20% abaixo do verificado em 2014, porque a procura está a cair, numa altura em que sobe o custo com combustíveis. Investimentos ascendem a 107,3 mil milhões Kz.

As cervejeiras nacionais EKA e Nocal, pertencentes ao Grupo Castel, estão a baixar a produção devido à quebra de consumo que está a ocorrer no mercado angolano, revela o administrador-delegado do grupo, Philippe Frederic.

De acordo com o gestor, a quebra na produção varia entre os 10% e 20%, numa altura em que, aliado à quebra de consumo, há excedente de cervejas importadas no mercado nacional. Ao Expansão, o responsável explica que as cervejeiras do Grupo têm uma capacidade total de produção de mais de 10,5 milhões de hectolitros por ano – superior ao consumo, incluindo a cerveja importado.

O administrador sublinha que a produção nacional mais do que satisfaz o consumo, defendendo, ainda assim, a importância de manter a importação “em níveis controlados”, como os definidos pelas quotas de importação, que, este ano, estão fixadas em 400 mil hectolitros, ou 40 milhões de litros de cerveja.

Contudo, o administrador da companhia lamenta que, a nível de ministérios, organismos públicos e hotéis, continue a ser comum encontrar essencialmente águas e outras bebidas importadas, defendendo que estas instituições deveriam ser as primeiras a promover o consumo de produtos nacionais.

Concorrência local

Relativamente à entrada de mais cervejeiras no mercado nacional, Frederic mostra-se tranquilo, considerando ser “salutar”, na medida em que esse movimento vai gerar emprego. As cervejeiras nacionais sempre tiveram concorrência de marcas importadas, lembra o gestor do Grupo Castel. Agora, estas cervejeiras serão ‘forçadas’ a produzir no País.

“Agora, cabe a nós ter o melhor produto a um preço competitivo”, destaca o responsável, explicando que a sua maior publicidade “é a qualidade, pois, quando o produto é bom, ele vende-se sozinho”.

A política do Grupo Castel, afirma, é “fazer produtos de qualidade em todo o tipo de formatos”, bem como “adaptar o produto ao gosto do consumidor e tentar antecipar a evolução do mercado”. Por isso, a companhia tem vindo a adaptar as suas unidades de produção e as linhas de enchimento.

Investimentos versus custos milionários

O administrador-delegado revela que, nos últimos seis anos, o grupo realizou investimentos na ordem de 107,3 mil milhões Kz em novas fábricas e na reabilitação de outras, tendo hoje nove cervejeiras em produção. O investimento serviu igualmente para a modernização e a substituição de linhas de enchimento velhas por novas totalmente automatizadas.

“Esse é um trabalho permanente”, garante, explicando que, por exemplo, no ano passado, investiram numa nova linha de latas na fábrica Soba da Catumbela. “Trata- se de uma linha mista, que pode fazer cervejas e refrigerantes”, afirma.

“A nossa intenção é abastecer o mercado sul, nomeadamente as províncias do Huambo, Huíla, Namibe e Cuando Cubango a partir desta produção, para evitar custos com transporte a partir de Luanda”, adianta Neste projecto, revela o gestor, a empresa realizou um investimento de 3,7 mil milhões Kz, mas a linha já está saturada, ou seja, está a produzir ao máximo da sua capacidade.

Nesta unidade, a capacidade de fabrico de cerveja aumentou de 55 mil hectolitros por mês para 90 mil. Segundo o responsável, esta experiencia revela que nem sempre há necessidade se fazer uma fábrica nova – é possível, em vez disso, aumentar a capacidade das fábricas existentes.

A mesma situação ocorreu com a unidade localizada no Bom Jesus, onde foi instalada uma linha nova de enchimento de cervejas retornáveis. Ali, onde a produção era de 50 mil garrafas por hora, o que envolve um volume de 800 mil hectolitros (80 milhões de litros de cerveja) por ano, houve um aumento do poder de produção e de stock de 25%. “Pensamos adicionar linhas à fábrica da Funda, estamos em permanente investimento”, reitera.

“O nosso portefólio de fábricas é interessante, porque cobre Luanda, Benguela e Huíla, Huambo, Dondo e Cabinda”, afirma Apesar do avultado investimento, o grupo tem procurado não alterar significativamente o preço dos produtos no mercado.

O preço da Cuca, por exemplo, não aumentou durante quatro anos. “Não vamos aumentar para ganhar mais, mas para compensar alguns custos adicionais que tivemos”, diz. Combustíveis agravam custos No entanto, nesta altura, o grupo está a enfrentar um agravamento de custos na ordem dos 10 milhões USD devido à subida do preço dos combustíveis, uma vez que as fábricas consomem elevadas quantidades de gasóleo – algumas não estão ainda ligadas à rede pública.

Ainda a nível de custos, o gestor avança que o facto de a moeda nacional estar a sofrer uma “certa desvalorização” e de os bancos terem aumentado os spreads aplicáveis aos créditos, dificultando de certa forma a aquisição de divisas, está também a pesar nos custos.

“Na Cuca, a cada dois anos temos aumentos salariais importantes, o que são custos adicionais. A empresa está ‘condenada’ a aumentar o seu volume de negócio, caso contrário não compensa os custos adicionais”, afirma. “Mas esta não é apenas a nossa realidade, é também a de outros grupos empresariais”, conclui. (expansao.ao)

Por: André Samuel

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