Chechenos são acusados por morte de opositor russo

Três dos suspeitos detidos em Moscovo (Foto de DMITRY SEREBRYAKOV/AFP)
Três dos suspeitos detidos em Moscovo (Foto de DMITRY SEREBRYAKOV/AFP)
Três dos suspeitos detidos em Moscovo (Foto de DMITRY SEREBRYAKOV/AFP)

Dois russos de origem chechena, Zaur Dadayev e Anzor Gubashev, foram acusados neste domingo pelo assassinato do opositor russo Boris Nemtsov, após serem apresentados a um tribunal de Moscovo com outros três suspeitos.

Dadayev e Gubashev, cuja detenção foi anunciada no sábado, foram indiciados “pelo assassinato de Boris Nemtsov, enquanto os outros três seguem sendo suspeitos”, declarou Anna Fadeyeva, porta-voz do tribunal, citada pela agência de notícias RIA Novosti.

Dadayev confessou sua participação no assassinato, segundo a juíza Natalia Muchnikova, que decidiu mantê-lo preso até 28 de Abril.

“As medidas tomadas antes do julgamento são plenamente justificadas. A participação de [Zaur] Dadayev no assassinato foi confirmada por sua confissão”, disse ela, segundo a agência de notícias russa TASS.

Os outros três suspeitos se declararam inocentes, apesar de uma fonte próxima a investigação ter dito ante o tribunal “possuir provas da participação deles” no crime.

Trata-se de Shagid Gubashev, irmão mais novo de Anzor, Ramzat Bakhayev e Tamerlan Eskerkhanov, todos os três de origem chechena.

Os suspeitos foram detidos entre a sexta-feira e o sábado na Inguchétia, instável república vizinha da Chechénia, no Cáucaso.

As duas primeiras prisões foram anunciada no sábado pelo chefe do FSB (Serviço Federal de Segurança), Alexander Bortnikov.

De acordo com a agência de notícias RIA Novosti, Dadayev foi vice-comandante de um batalhão do ministério do Interior da Chechénia.

Por sua vez, Gubashev trabalhava para uma empresa de segurança privada, em Moscovo.

O assassinato de Boris Nemtsov, um dos principais opositores do presidente Vladimir Putin e conhecido por seu combate à corrupção, provocou comoção no país.

As prisões ocorrem pouco mais de uma semana depois do crime contra o opositor, ex-vice-primeiro-ministro do ex-presidente Boris Yeltsin.

Nemtsov recebeu quatro tiros nas costas, enquanto caminhava com sua namorada em uma ponte no centro de Moscovo, perto do Kremlin e da Praça Vermelha.

Os investigadores não forneceram nenhuma indicação sobre qual teria sido a motivação para o assassinato, mas sugeriram que Nemtsov foi executado para desestabilizar a Rússia.

Os investigadores não descartam nenhuma hipótese: de crime político à pista islamita, pelo apoio de Nemtsov à revista satírica francesa Charlie Hebdo, ou até mesmo um assassinato ligado ao conflito ucraniano executado por “elementos radicais”.

‘Motivos políticos’

O crime ocorreu em uma área geralmente bem vigiada pelas forças de segurança, devido a sua proximidade com o Kremlin, e provocou uma onda de agitação na Rússia e recebeu condenação internacional.

Amigos do opositor, que tinha 55 anos, dizem que ele foi morto por ordem de altos funcionários do governo para silenciar a dissidência.

Já a filha de Nemtsov, Zhanna Nemtsova, assegurou em uma entrevista à CNN que o assassinato era, obviamente, por “razões políticas”.

“Em um regime autoritário, qualquer pessoa que discorde dos políticos, que critica a visão oficial, é perigosa”, disse ela.

Parentes e amigos de Nemtsov revelaram que o opositor estava preparando um relatório sobre a presença de tropas russas no leste da Ucrânia, enquanto Moscovo nega qualquer envolvimento de suas tropas ao lado dos separatistas.

O opositor havia confessado recentemente que temia ser morto na Rússia.

Putin chamou o assassinado de “provocação” para desestabilizar a Rússia e prometeu que os responsáveis serão julgados.

Muitos russos acreditam que, embora não esteja directamente envolvido no assassinato, Putin é responsável por propagar o ódio contra a oposição, chamando-a muitas vezes de “quinta coluna”, traidores e espiões, uma mensagem amplamente difundida pelos meios de comunicação do governo.

O presidente russo utilizou pela primeira vez esta expressão após a anexação da península ucraniana da Crimeia, no ano passado. (afp.com)

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