Carlos Costa: “Não espero ter necessidade de voltar a Angola nos próximos anos”

(Foto: Bruno Simão/Negócios)
(Foto: Bruno Simão/Negócios)
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Carlos Costa diz que “não houve nexo causal” entre a situação do BES Angola e a resolução do BES. No entanto, o governador revelou que soube a 27 de Julho que “parte dos créditos problemáticos do BESA não estavam cobertos pela garantia” do presidente angolano e que iria haver perdas “amplas” no crédito do BES ao banco. E, de forma enigmática, manifestou a esperança de “não voltar a Angola nos próximos anos”.

“Não houve nexo causal” entre a situação do BES Angola e a resolução do BES, defendeu Carlos Costa na segunda audição na comissão parlamentar de inquérito ao BES e ao GES. Mas ao mesmo tempo que sublinhou esta análise, o governador do Banco de Portugal expressou, de forma enigmática, a expectativa de não precisar de voltar a Angola. “Não espero ter necessidade de voltar a Angola nos próximos anos”, afirmou sem explicar as razões desta esperança.

De acordo com as novas revelações feitas por Carlos Costa esta terça-feira, 24 de Março, no Parlamento, o Banco de Portugal foi informado pelo Banco Nacional de Angola (BNA) a 27 de Julho de 2014 que “se constatara que parte dos créditos problemáticos [do BESA] não estava coberta pela garantia soberana, o que implicaria um reconhecimento de imparidades nas contas do BESA e uma ampla reestruturação da linha de crédito do BES ao BESA”.

Além disso, a 1 de Agosto, “dois dias antes da resolução do BES, o BNA deliberou o saneamento do BESA, impondo um conjunto extenso de medidas correctivas, incluindo a exclusão de determinados créditos da garantia concedida pelo Estado angolano”, relatou o governador. Para o responsável do BdP, “esta informação indicava claramente uma perda parcial do crédito do BES ao BESA, ainda antes da medida de resolução aplicada ao BES”.

Depois de ter feito estas revelações na sua intervenção inicial, Carlos Costa foi questionado pelo presidente da comissão de inquérito (CPI), Fernando Negrão, sobre estas novas informações. O governador justificou a sua divulgação com o facto de a CPI já ter recebido, de outra fonte que não identificou, uma cópia do e-mail que o BNA enviou ao BdP a 27 de Julho.

Esta mensagem electrónica foi a primeira resposta que o responsável do Banco de Portugal recebeu do BNA depois de ter solicitado “garantias adicionais sobre a validade da garantia soberana”, cuja validade o supervisor nunca aceitou para efeitos prudenciais.

Por outro lado, Carlos Costa recusou o pedido de Negrão para que disponibilizasse o ofício do BNA de 1 de Agosto, comunicando ao BdP a decisão de impor o “saneamento do BESA”, alegando uma proibição de divulgação da documentação e da correspondência envolvendo o Banco Nacional de Angola, determinada pelo próprio supervisor angolano. (jornaldenegocios.pt)

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