Cá dentro: Jornalista em perigo

LUTOCK MATOKISA Jornalista (Foto: D.R.)
LUTOCK MATOKISA Jornalista (Foto: D.R.)
LUTOCK MATOKISA
Jornalista
(Foto: D.R.)

O jornalista da Voz da América, Manuel José, foi agredido pela polícia na passada segunda-feira. As autoridades terão justificado a ac- ção com o facto de o terem confundido com um marginal que é procurado no país. O jornalista já apresentou queixa à polícia. Na passada segunda-feira quando se deslocava para o local de trabalho, no município de Viana, Manuel José foi abordado pela polícia: “apontaram-me as armas – disse; pediram-me que me deitasse no chão, um dos elementos pisou-me nas costas e algemou-me as mãos’’.

O jornalista da Voz da América perguntou aos polícias o porquê de estar a ser agredido mas as autoridades não responderam “mandaram-me calar a boca, disseram que era um bandido e sendo eu um bandido disse, por favor tirem-me só os meus documentos, para dizer quem era, mas eles ignoraram e continuaram a maltratar-me”.

Entretanto, segundo relata o jornalista, terá aparecido no local um polícia que não estava armado e terá dito que não se tratava da pessoa que eles procuravam tendo sido de seguida levado para a esquadra onde terá permanecido mais de uma hora num interrogatório interminável até que apareceu um elemento da polícia à civil “disse estão aqui os seus haveres, entregou-me a pasta, o computador, o gravador e perguntou-me se me faltava alguma coisa eu disse que me faltava a agenda, mas eles disseram que não tinham visto a agenda”.

A explicação apresentada pela polícia foi de que terão confundido Manuel José com um marginal que é actualmente procurado pelas autoridades angolanas, esclarecimentos pouco válidos para o jornalista que já apresentou queixa na polícia, “já tenho um advogado e vou apresentar uma queixa-crime junto da Procuradoria-Geral da República”. O sindicato de jornalistas também já reagiu a este episódio e em entrevista à RFI, a presidente Luísa Rogé- rio disse repudiar este acto, acrescentado que já enviaram uma carta a pedir explicações “pedimos ao comandante provincial de Luanda que mande averiguar o que é que terá realmente passado. Para nós é uma atitude extremamente grave, sem qualquer justificação… porque realmente ser jornalista e perigoso”.

Esta notícia veiculada pela Rádio França Internacional vem numa altura em que a organização Repórteres Sem Fronteira alerta para o “declínio drástico” da liberdade de imprensa no mundo. O declínio verificado em todo o mundo, deveu-se, em parte, a grupos extremistas como o radical islâmico e o Boko Haram. No Índice da Liberdade de Imprensa de 2015, os RSF referem que se registaram 3.719 violações à liberdade de informação em 180 países em 2014 – mais 8% que no ano anterior.

Todos os territórios envolvidos em conflitos, do Médio Oriente à Ucrânia, promoveram uma “assustadora guerra de informação”, em que os jornalistas foram identificados como alvos a abater, capturar ou pressionar. Os radicais islâmicos, activos na Síria e no Iraque, o Boko Haram, no norte da Nigéria e Camarões, e organizações criminosas na Itália e na América Latina usaram “medo e represálias para silenciar jornalistas e bloggers que se atrevem a investigar ou se recusam a agir como «pé de microfone»”.

“A criminalização da blasfémia coloca em perigo a liberdade de informação em metade dos países do mundo”, afirma o relatório, alertando para o facto de extremistas religiosos perseguirem, por vezes, jornalistas ou bloggers que acreditam não respeitarem suficientemente o seu deus ou profeta.

A Finlândia é o país mais favorável ao trabalho dos jornalistas. Pelo menos 60 jornalistas morreram em 2014 devido a violência durante o trabalho, revelou em Dezembro o Comité para Protecção de Jornalistas, (CPJ), no seu relatório anual. Apesar de 2014 registar uma descida de dez mortes em relação a 2013, os últimos três anos foram os mais mortíferos para os jornalistas desde 1992, diz o relatório do Comité. O que prentendo com esta compila- ção é que o nosso país não contribua, seja de que forma for, para o acentuar desse declínio drástico da liberdade de imprensa. Não se pode confundir uma pessoa, jornalista ou não, com um bandido, algema-lo, quando, na verdade e, na melhor das hipóteses podia ser antes identificado. (A Capital)

 

 

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