As múltiplas hipóteses para explicar o acidente da Germanwings

Imagens mostram os destroços do acidente com o Airbus A320 da Germanwings (Reprodução/Exame.com)
Imagens mostram os destroços do acidente com o Airbus A320 da Germanwings (Reprodução/Exame.com)
Imagens mostram os destroços do acidente com o Airbus A320 da Germanwings (Reprodução/Exame.com)

Pane técnica, erro de pilotagem, ato terrorista: todas as hipóteses estão sendo consideradas para explicar o acidente com o Airbus A320 da Germanwings que caiu nesta terça-feira, no sudoeste da França, matando 150 pessoas.

Pedido de socorro

“O piloto não emitiu um pedido de socorro (mayday). É o controle aéreo que decide declarar uma situação de emergência, caso haja a perda de contacto com a tripulação e o avião”, segundo a Direcção Geral da Aviação Civil francesa. “Foi a conjunção da perda de contacto por rádio com a direcção descendente que levou o controle aéreo a declarar a emergência, às 9h30 GMT (10h30 local)”.

“Não é surpresa que ele (o piloto) não tenha feito o ‘mayday’. É a última coisa que se faz em um procedimento de emergência. A prioridade é controlar a trajectória do avião”, explicou o comandante de uma grande companhia aérea.

As principais hipóteses

“Neste momento, nenhuma hipótese pode ser descartada”, afirmou o primeiro-ministro francês, Manuel Valls.

Apenas a recuperação das caixas-pretas e um trabalho minucioso de análise dos destroços e dos corpos permitirão determinar o cenário do acidente.

“Pode ter sido um problema técnico, um problema não técnico, ou uma reacção inadequada da tripulação diante de uma situação difícil, como no voo AF447” da Air France entre Rio e Paris, que caiu no Atlântico, resumiu um especialista em Aeronáutica.

Rara possibilidade de atentado

“Uma cena apocalíptica”, declarou o deputado Christophe Castaner, que sobrevoou o local do acidente de helicóptero ao lado do ministro do Interior, Bernard Cazeneuve. “Não sobrou nada além de destroços e corpos (…) mas a pista terrorista não é privilegiada”.

Se os destroços estão concentrados em uma zona limitada, fica altamente improvável que o incidente tenha sido provocado por um atentado com explosivos.

“Quando um avião explode em pleno voo, os destroços são espalhados por um raio de vários quilómetros, como ocorreu com o avião da Malaysia (Airlines) na Ucrânia”, acrescentou um especialista.

Não se descarta um desvio de rota do avião que teria levado ao acidente.

“Neste momento, consideramos que se trata de um acidente, e qualquer outra coisa não passa de especulação”, afirmou Heike Birlenbach, vice-presidente da Lufthansa, matriz da Germanwings.

O que diz a trajectória do avião

“Um avião que desce diante de um relevo não reflecte um comportamento normal de um piloto profissional. Isto traduz, provavelmente, uma incapacidade dos pilotos de controlar a trajectória”, comentou um comandante que já sobrevoou dezenas de vezes a zona do acidente.

O comandante acrescenta que o avião não caiu em picado, descendo 3 mil pés por minuto, segundo as primeiras informações. “Isto não parece, portanto, uma descida de emergência”, completou.

“Os pilotos podem ter enfrentado um incêndio com emanação de fumaça tóxica na cabine, o que os levaria a assistir impotentes à descida do aparelho”, disse sobre a presença de baterias de lítio muito inflamáveis.

A idade do avião

Não é a idade do avião que determina seu grau de confiabilidade e de segurança. Alguns aparelhos da Segunda Guerra Mundial são tão confiáveis quanto aviões de última geração. Tudo depende da manutenção.

Os aviões de companhias sérias são revisados regularmente e inspeccionados pelos pilotos antes de cada voo, além de cumprir um calendário preciso de manutenção determinado pelos fabricantes.

O Airbus da Germanwings, entregue em 1991 à Lufthansa, passou por uma minuciosa revisão no verão de 2013, anunciou um director da companhia, Thomas Winkelmann.

“Mas não se pode excluir um fenómeno estrutural: um colapso de parte da estrutura devido à ausência de uma manutenção adequada, ou um problema em uma peça em particular que surgiu após dezenas de milhares de horas de voo.

Prioridades após o acidente

Isolar a zona do acidente, localizar os destroços e as caixas-pretas, localizar os corpos das vítimas e reunir os fragmentos para permitir – por meios técnicos e humanos – a abertura de uma investigação.

A investigação segue com a análise dos dados e das comunicações de rádio, assim como com o controle da documentação técnica do aparelho, para se avaliar as operações de manutenção, além da situação da tripulação. (afp.com)

 

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