Antiga primeira-dama da Costa do Marfim condenada a 20 anos de prisão

Simone Gbagbo, ex-primeira dama da Côte D´Ivoire (Foto: D.R.,)
Simone Gbagbo, ex-primeira dama da Côte D´Ivoire (Foto: D.R.,)
Simone Gbagbo, ex-primeira dama da Côte D´Ivoire
(Foto: D.R.,)

A antiga “dama de ferro” marfinense Simone Gbagbo foi considerada culpada pelo seu papel na crise pós-eleitoral de 2001 que provocou uma guerra civil em que morreram mais de três mil pessoas.

Um tribunal da Costa do Marfim condenou na terça-feira a antiga primeira-dama a 20 anos de cadeia depois de considerada culpada pelo seu papel no incitamento à violência na crise que se seguiu à eleição de 2011 e na qual morreram milhares de pessoas, anunciou o seu advogado.

Simone Gbagbo, de 65 anos, que também é procurada pelo Tribunal Internacional Penal de Haia por crimes contra a humanidade, foi julgada em simultâ- neo com 82 aliados do marido, o ex-presidente Laurent Gbagbo.

O antigo presidente, um carismático e populista professor de História, não estava preparado para ceder o poder democraticamente e usou todos os meios ao seu dispor para impedir a vitória do adversário.

Após a condenação, a filha, Marie Antoinette Singleton, disse que a pena era injusta e um sinal de “justiça política”.

“Isto não é justiça, trata-se de uma forma de se verem livres dos adversários políticos”, afirmou. “Se dizemos que alguma coisa de errada aconteceu, isso aconteceu em ambos os lados. Ninguém tentou levar todos os responsá- veis a tribunal”, considerou.

A guerra civil que ocorreu na Costa do Marfim em 2011 foi provocada pela recusa do então presidente Laurent Gbagbo em reconhecer a derrota perante o candidato da oposição, Alassane Ouattara, actual chefe de Estado, eleito em 2010.

Simone e o marido foram capturados por tropas francesas e das Nações Unidas em 2011 depois de estas terem tomado o esconderijo onde o casal se refugiara na cidade de Abidjan.

O ex-presidente está preso em Haia e responde por quatro acusações: de assassínio, violação e perseguição e por crimes contra a humanidade pelo seu papel na orquestração da onda de violência que na altura varreu o país.

Ao contrário do que sucedeu ao marido, a Costa do Marfim recusou-se a entregar Simone Gbagbo ao Tribunal Penal de Haia alegando que ela poderia ser julgada com justiça num tribunal do país.

“Os membros do júri confirmaram todas as acusações que pendiam contra a antiga primeira-dama, incluindo perturbação da paz, formação e organização de gangues armados e atentado contra a segurança de Estado”, revelou o advogado Rodrigue Dadje, que anunciou que vai recorrer da decisão.

Para além da pena de cadeia a que foi condenada num julgamento iniciado em Dezembro de 2014, Simone Gbagbo fica também inibida de direitos civis por um período de dez anos.

O seu filho, Michel Gbagbo, foi igualmente condenado a cinco anos de cadeia, disse Dadje. O antigo presidente Laurent Gbagbo foi presente ao Tribunal Penal Internacional de Haia em Fevereiro de 2013. (expansao.ao)

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