Acidentes na estrada continuam a preocupar

(Foto: D.R.)
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Os acidentes de viação em Angola continuam a deixar milhares de mortos e feridos pelas estradas do país. Autoridades lançam campanhas, mas continuam sem solução para reduzir esta verdadeira catástrofe nacional.

A sinistralidade rodoviária continua a tirar a vida de muitos angolanos, mantendo-se como a segunda maior causa de morte em Angola, depois da malária. Essa situação tem preocupado as autoridades, sobretudo a Direcção Nacional de Viação e Trânsito (DNVT), que não conseguiu encontrar ainda uma solução para começar a inverter este quadro.

Em alusão ao 39.º Aniversário da Polícia Nacional, assinalado no passado dia 28 de Fevereiro, a instituição promoveu uma campanha de 10 dias (entre 19 e 28 desse mês) contra a sinistralidade rodoviária em todo país, da qual recolheu «dados assustadores». De acordo com o porta-voz da DNVT, Angelino Sarrote, durante aquele período registaram-se 410 acidentes, dos quais resultaram 80 mortos e 450 feridos. Em síntese, uma média de oito pessoas morreram por dia nas estradas de Angola, em 41 acidentes que deixaram ainda 45 feridos.

Angelino Sarrote, que não conseguiu deixar de admitir que os números são «assustadores», acusa os automobilistas de não serem prudentes na condução. «O excesso de velocidade contribui com mais de 50% das causas de acidentes rodoviários no país», assegurou.

A esta imprudência adicionou a forma como muitos automobilistas, apesar de excessivo consumo de bebidas alcoólicas, insistem em ir para a estrada conduzir «de forma desalmada, colocando em risco a própria vida e a de outros».

«As ultrapassagens irregulares também têm causado muitos acidentes», lamentou ainda o porta-voz.

Para o sociólogo Joaquim Dias, em declarações ao SOL, «é um comportamento preocupante» os automobilistas conhecerem os números da sinistralidade e «não se precaverem». Considerou também que a «a falta de manutenção das viaturas e a não utilização do cinto de segurança» poderão ser outros «factores preocupantes» no comportamento dos automobilistas.

Para o especialista, o elevado índice de mortes nas estradas é um problema nacional, defendendo que «é altura de as autoridades encontrarem uma solução». Defendeu que «além da lei que regula a condução no país, há necessidade de haver instrumentos que possam controlar todos os prevaricadores à distância».

Considerou, no entanto, que o problema da falta de iluminação pública tem sido outro factor «a ‘ajudar’ a elevar o número de mortos nas estradas».

«Temos problemas de distribuição da rede eléctrica no país. Mas isso pode ser superado desde que se criem políticas de iluminação através da energia solar, em que no período da manhã as lâmpadas ficam a recarregar e de noite garantam a luz», sugeriu Joaquim Dias.

E a educação, no seu entender, também é importante: «Devemos educar os nossos automobilistas em função deste cenário. Já é hora de nas escolas leccionarem o Código de Estrada, de aprendermos a praticar uma condução defensiva se não queremos perder mais angolanos nas estradas».

Mais de 34 mil acidentes em apenas dois anos

O número de acidentes registados nos últimos dois anos é preocupante. Segundo dados da DNVT cedidos ao SOL, em 2014 registaram-se mais de 17 mil acidentes, causando a morte a quatro mil pessoas e ferimentos noutras 16 mil. Em 2013 tinham ocorrido também mais de 17 mil acidentes, tendo morrido em consequência disso 4.305 pessoas e outras 16.270 ficaram feridas.

Isto significa que, no cômputo geral, em dois anos ocorreram mais de 34 mil acidentes de viação, morreram mais de oito mil pessoas nas estradas do país e houve um número de feridos acima de 32 mil.

Sarrote afirmou também ao SOL que, em termos percentuais, Luanda representa 23% do total de acidentes em Angola, seguindo-se as províncias de Benguela, Huíla e Huambo.

«Diminuir os níveis de sinistralidade rodoviária é o nosso objectivo primordial a curto prazo. Temos vindo a realizar campanhas de prevenção para alterar o actual quadro agravado», insistiu Angelino Sarrote.

O sociólogo Joaquim Dias é da opinião que a Direcção Nacional de Viação e Trânsito, como órgão fiscalizador do sistema rodoviário do país, deve criar um plano rodoviário baseando-se em três pressupostos fundamentais.

O primeiro atesta-se na necessidade de se «modernizar os programas das escolas de condução existentes no país e adapta-los do sistema internacional». O segundo pressuposto foca-se numa maior «fiscalização ao nível das estradas, sobretudo nas vias interprovinciais de maior risco». Quanto à terceira condicionante, o entrevistado considera que a DNVT deve apostar mais vezes «naquilo que é chamado o diálogo com os automobilistas, criando campanhas de sinistralidade rodoviária mensais, no sentido de educar os condutores a terem uma postura responsável na estrada», concluiu Joaquim Dias. (sol.ao)

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