Ler Agora:
Santana Lopes liga auditoria na Santa Casa às eleições presidenciais
Artigo completo 4 minutos de leitura

Santana Lopes liga auditoria na Santa Casa às eleições presidenciais

(Martim Ramos)

(Martim Ramos)

Provedor deixa implícita uma relação entre decisão de um ministro do CDS em ordenar a auditoria e as eleições. Ministério não revela se houve inspecções em anos anteriores

Pedro Santana Lopes diz não querer acreditar que a auditoria à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa tenha alguma coisa a ver com eleições presidenciais. Mas a suspeita fica implícita nas palavras do Provedor da Santa Casa que, na noite de segunda-feira, reagiu à notícia de que o ministério da Solidariedade e Emprego – tutelado pelo centrista Pedro Mota Soares – mandou auditar os contratos realizados pela instituição durante o primeiro mandato de Santana como Provedor.

Questionado sobre se esta decisão poderá estar relacionada com a intenção de avançar para as presidenciais de 2016, uma candidatura que não será do agrado do CDS, Santana retorquiu com um “eu li isso, há quem me diga isso, não quero acreditar. Agora, é ano eleitoral, isso com certeza que é “. No espaço de comentário semanal na SIC Notícias, que divide com o socialista António Vitorino, o Provedor da Santa Casa diz que tomou conhecimento da auditoria por um inspector (“não foi pelo ministro”), que lhe terá dito “tem que ser já e é para demorar oito semanas”. Diz Santana, pela voz de interposta pessoa: “Houve uma pessoa ao pé de mim que me disse: Oito semanas? Isso vai dar a meio de Março. Você não tinha dito que se fosse candidato apresentava a candidatura em Março em Abril?”. “Não acredito agora que se ande a brincar com coisas sérias”, acrescentou o ex-primeiro-ministro, que pelo meio fez também questão de dizer que a auditoria não resultou de uma decisão do governo, mas de “um ministro”.

E foi novamente através de terceiros que Santana chamou Paulo Portas à liça: “Dizem-me também às vezes que no CDS fazem alguma coisa sem o dr. Paulo Portas saber? Não, numa coisa destas custa-me a crer. Mas muitas pessoas dizem-me: ‘Não, ele sabe de tudo’. Mas quer dizer… não acredito. Só se comesse muito queijo. Com o que tem passado pela vida não ia fazer partidas destas a ninguém.”

Decisão adiada No passado fim-de-semana, o semanário “Expresso” avançou que a notícia da auditoria contribuiu para que Santana Lopes adiasse para Outubro a decisão sobre o avanço para uma candidatura às presidenciais de 2016, que o próprio já tinha apontado para a primavera. Este é, no entanto, um cenário longe das preferências dos centristas para Belém. Figuras de primeira linha no partido, como António Pires de Lima ou Nuno Magalhães já vieram a público apontar o nome de Marcelo Rebelo de Sousa como o melhor candidato à direita. Já Nuno Melo lançou o nome de Rui Rio. A candidatura presidencial deverá ser um dos temas a constar de um acordo de coligação entre centristas e sociais-democratas às próximas legislativas.

Uma situação normal Questionado pelo i, o ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social declinou comentários às afirmações de Santana Lopes, reafirmando que a Inspecção-geral do ministério, “como entidade independente, elabora anualmente o seu plano de actividades, no qual inclui auditorias a todos os organismos do Ministério”. De acordo com a mesma fonte, desde 2011 esta entidade levou a cabo “103 processos, dos quais 60 foram auditorias”, sendo a contratação pública – “aquisição de bens, serviços e empreitadas” – um dos “vectores estratégicos da intervenção”. O ministério não esclareceu, no entanto, se a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa já tinha sido visada, em anos anteriores, por estas inspecções. Na SIC Notícias, Santana referiu apenas uma inspecção do Ministério das Finanças, efectuada quando Maria José Nogueira Pinto estava na Provedoria da instituição. (ionline.pt)

por Susete Francisco

Deixe um comentário

Seu endereço de email não será publicado. Os campos com são obrigatórios *

Input your search keywords and press Enter.
Translate »