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Indústrias da Prebuild “já vivem por si só”
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Indústrias da Prebuild “já vivem por si só”

José Simões é o CEO da Prebuild Portugal (Foto: Fernando Fontes)

José Simões é o CEO da Prebuild Portugal
(Foto: Fernando Fontes)

Está concluída a construção do complexo industrial da Prebuild na Colômbia e, em breve, começarão a chegar os primeiros equipamentos. O objetivo é que os testes nas primeiras indústrias terminem até junho, de modo a que o arranque da produção possa ocorrer durante o terceiro trimestre. Num investimento de 200 milhões de dólares (175 milhões de euros), em parceria com o grupo colombiano Santo Domingo, o polo industrial consta de seis unidades fabris – cerâmica, alumínios, madeiras, plásticos e metalomecânica – e vai permitir a criação de mil postos de trabalho. Em Portugal, a Prebuild Indústria, onde se agrupam as unidades da Levira e da Aleluia Cerâmicas, entre outras, fechou 2014 já no break-even. A reestruturação das várias empresas custou cerca de 26 milhões, montante que não inclui o valor da aquisição de cada uma.

“Foi um um ano de viragem e que ficará marcado na história do grupo. Compramos indústrias com dificuldades financeiras muito visíveis e a sua recuperação passava por três eixos. Pelo apoio mais imediato à tesouraria, por uma nova equipa de gestão e pelo mercado que lhes podíamos abrir, enquanto grupo, designadamente nas nossas obras em Angola”, explica José Simões, CEO da Prebuild Portugal. E acrescenta: “Houve anos em que a Prebuild Construção chegou a ser o maior cliente de algumas destas unidades industriais, mas 2014 fez a diferença, também, por aí. Foi um ano em que o grupo não teve necessidade de consumir das indústrias e elas conseguiram assumir-se como autónomas. Estão capazes de se suportar por si só”.

O grupo, que nasceu em 2001 no sector da construção em Angola, foi, a partir de 2010, adquirindo empresas industriais em Portugal para controlar a cadeia de fornecimento de bens essenciais – alumínios, janelas, portas, cerâmicas, etc. – às suas obras no país africano.

Hoje, conta com 12 unidades fabris, distribuídas por oito empresas – a Aleluia Cerâmicas (tem cinco fábricas das marcas Ceramic, Keratec, Viúva Lamego, Greamcer e Goldcer); a Kind, que produz sistemas de armazenagem; a Levira; a Vivaplast, que faz moldes para injeção de plásticos e fundição injetada; a NG, que fabrica produtos decorativos de porcelana fina; a Porama; e as Prebuild Alumínio e Soalumínio, que produzem perfis e fazem a lacagem deste material. No conjunto, a Prebuild Indústria fechou 2014 com um volume de negócios de 74,4 milhões de euros, contribuindo em 15% para a faturação global do grupo.

José Simões reconhece que o caminho para aqui chegar não foi simples, na medida em que grande parte destas empresas, adquiridas em situação difícil, obrigaram a uma “profunda reestruturação”, com os inerentes custos sociais. A Prebuild Indústria dá hoje emprego a cerca de 800 pessoas quando, no passado, chegaram a ser 1.200 e empresas como a Levira, Vivaplast, a Goldcer ou a Kind estão ainda a executar o plano de recuperação aprovado pelos credores em sede de processo especial de revitalização (PER). Mas o CEO da Prebuild Portugal garante que até já estão a contratar de novo, não só para fazer face a picos de produção na Levira. Mas não só.

“Sempre que contratamos, acabam por ficar pessoas. Até porque há uma lógica de crescimento, designadamente pela incorporação de novas valências, quer na Vivaplast quer na Aleluia, por exemplo, onde estamos a internalizar alguns processos que eram subcontratados fora, como o polimento, a retificação de arestas e as peças especiais. Acreditamos que uma indústria tem de estar preparada para dar resposta à sua quota de mercado e, só se houver picos de encomendas, então sim nos devemos socorrer da subcontratação”, diz José Simões, explicando que esta opção, permite, não só, diminuir o número de trabalhadores dispensados, como, sobretudo, “dá flexibilidade e competitividade acrescida à empresa”.

Quanto à Vivaplast, o que a Prebuild fez foi acrescentar novos segmentos de negócio ao seu ‘core business’, a construção de moldes. O que permitiu que a empresa hoje produza os componentes de plástico das conhecidas cafeteiras de uma conceituada multinacional dinamarquesa, mas que proceda, também, à montagem do produto final. “Como fazíamos vários componentes da mesma peça para o cliente, passamos também a montá-la. Poupa-se em transporte e acrescenta-se valor ao produto”, afirma. E acrescenta: “Na prática, o que fizemos foi rentabilizar equipamentos. Quando se fazem os moldes, temos de os testar injetando o produto final. E já fazíamos na Vivaplast a injeção de tudo o que eram componentes de plástico para a Levira. Tentamos, então, procurar clientes que, além do molde, estejam interessados, também, na injeção do produto final”. Um serviço integrado que permite “baixar o custo dos moldes, na medida em que a amortização dos equipamentos é dividida pelas duas atividades, e oferecer melhor preço a quem só injeta”.

Com presença em mais de 50 países, com destaque para mercados como Espanha, França, Alemanha, Estados Unidos e Angola, mas também a Austrália e a Nova Zelândia, entre outros, a Prebuild Indústria tem, entre os seus clientes, nomes como a Saint Gobain, no Reino Unido, e a Hunter Douglas, no Brasil. Isto no que às cerâmicas diz respeito. Já a Levira tem na Unicer, Efacec, Trofa Saúde e a espenhola Renfe alguns dos seus principais clientes, sem esquecer as 190 embaixadas dos Emirados Árabes Unidos em todo o mundo, ou o mais recente projeto para abastecer os novos ‘Espaços do Cidadão’ que a Agência para a Modernização Administrativa pretende abrir, designadamente, em estações dos CTT. (dinheirovivo.pt)

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