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CaixaBank só apoia compra do Novo Banco depois de BPI desblindar estatutos
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CaixaBank só apoia compra do Novo Banco depois de BPI desblindar estatutos

Isidro Fainé, presidente do Caixa Bank e Gonzalo Górtazar, CEO do Caixa Bank (Foto: D.R.)

Isidro Fainé, presidente do Caixa Bank e Gonzalo Górtazar, CEO do Caixa Bank
(Foto: D.R.)

O CaixaBank está decidido a ter um papel de relevo na banca nacional. Depois de vários anos como acionista de referência do BPI, os espanhóis parecem ter interesse em ganhar dimensão através da compra do Novo Banco. Mas para isso acontecer, o CaixaBank quer controlar o banco português e exige a desblindagem dos estatutos. Ou seja, ou passam a votar na proporção do capital detido, ou então dificilmente apoiarão o BPI na compra do Novo Banco.

“A nossa posição sobre o Novo Banco é que o BPI analise a operação. Mas para o CaixaBank [que detém 44,01% do BPI] será muito difícil apoiar essa operação se se mantiver a limitação de voto de 20%”, adiantou fonte oficial do CaixaBank ao DN/Dinheiro Vivo.

Questionado sobre se o lançamento da OPA teve como objetivo a compra do Novo Banco, o grupo espanhol adiantou que “esta operação faz sentido em si mesma, é um movimento bom para o BPI e para o CaixaBank. Esta oferta não está relacionada com o Novo Banco, ter-se-ia realizado na mesma”.

Os espanhóis lançaram uma OPA sobre a totalidade das ações, propondo-se pagar 1,329 euros por ação (1,082 mil milhões de euros).

Uma das condições estabelecidas para a eficácia da OPA é o fim da limitação dos direitos de voto a 20%.

Uma vez que a desblindagem dos estatutos só é possível com a aprovação de 75% do capital presente em assembleia-geral, significa que o grupo espanhol necessita do apoio dos maiores acionistas. E é aqui que Isabel dos Santos – que controla 18,6% do capital – poderá ser uma peça-chave.

Questionado sobre se o CaixaBank estabeleceu algum acordo com Isabel dos Santos, fonte oficial do grupo catalão referiu apenas que “a relação [com Isabel dos Santos] é fluida e correcta. Seguimos o processo de uma OPA. Somos muito cuidadosos”.

No entanto, no mercado existem algumas dúvidas sobre a possibilidade de a OPA ter sido lançada sem conhecimento da empresária angolana. “Acho pouco provável que esta oferta tenha sido feita à revelia dos angolanos. Não nos vamos esquecer que são parceiros históricos e que detêm quase metade do Banco de Fomento Angola (BFA)”, adiantou um analista que acompanha o sector.

Manter a marca BPI e gestão

O CaixaBank garantiu o apoio à equipa liderada por Fernando Ulrich, num sinal de que independentemente do desfecho da OPA, a gestão é para manter.

No documento de anúncio preliminar da oferta, os espanhóis referem mesmo que “a gestão conseguiu proteger o BPI da instabilidade que afectou o sistema financeiro durante os últimos anos. O CaixaBank confia que a atual equipa de gestão saberá aproveitar a recuperação económica de Portugal”.

Questionado sobre se pretendem manter o banco cotado no mercado português, fonte oficial do CaixaBank referiu ao DN/Dinheiro Vivo que “o BPI continuará cotado em Portugal, mantendo a sua independência, o seu management atual e a sua marca”.

Registo da OPA na CMVM

Os catalães têm agora 20 dias para fazer o pedido de registo da OPA junto da CMVM (Comissão do Mercado de Valores Mobiliários). Com esse pedido também tem de entregar o anúncio preliminar, o projecto de anúncio de lançamento e o projecto de prospecto. Isto significa que terá de ser feito até 9 de Março.

O Conselho de administração (CA) do BPI também terá de se pronunciar e tem oito dias para o fazer, depois de recebidos os documentos oficiais. Segundo o DN/Dinheiro Vivo apurou, o CA deverá reunir-se na primeira semana de Março.

O facto de o BPI ter sido alvo de uma OPA não condiciona a continuação do processo de candidatura ao Novo Banco, uma vez que esse teve início antes da oferta lançada pelos espanhóis.

Aliás, o próprio BPI acabaria por referir, em comunicado, que “independentemente dos desenvolvimentos do processo da oferta, o Banco BP I prosseguirá sem alterações e com inteira normalidade o seu plano de atividades, incluindo a anunciada candidatura à aquisição do Novo Banco, nos termos estabelecidos pelas autoridades”.

Ponderação de Angola

Se a OPA for bem sucedida, ainda não é claro o que acontecerá com Angola, nomeadamente com a participação de 50,1% que o BPI detém no BFA. É que o excesso de exposição ao mercado angolano, uma necessidade decorrente das exigências de supervisão do Banco Central Europeu (BCE), obriga o banco português a reajustar a sua exposição ao mercado angolano.

“Temos de separar os dois âmbitos. O CaixaBank e a sua oferta sobre o BPI é uma coisa. Já a questão do BFA é uma decisão do BPI. O BPI deve analisar a operação tendo em conta o problema da concentração de riscos” em Angola, adiantou Gonzalo Gortázar, CEO do CAixaBank, ao Negócios.

No mercado, a OPA foi bem recebida pelos analistas . “Esta OPA aparece num timing favorável ao CaixaBank, já que as cotações do BPI têm baixado substancialmente nos últimos 6 meses, fruto da queda dos preços do petróleo e impacto na operação de Angola. O único e verdadeiro sentido desta operação é o de controlar efectivamente a gestão e o futuro do BPI e não estar dependente de outros acionistas”, adiantou Pedro Lino, CEO da corretora Dif Brokers.

“Esta é uma OPA que faz sentido a partir do momento em que há interesse na compra do Novo Banco. É um claro sinal de que os espanhóis estão prontos para disputar com outros grandes conglomerados, como a Fosun”, adiantou André Rodrigues, analista do Caixa BI. (dinheirovivo.pt)

1 comentário

  • redacao

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