Vitória das Forças angolanas contra o regime do Apartheid destacada em Toronto

Batalha do Cuito Cuanavale em mural no Museu das Forças Armadas em Luanda (Foto: Divulgação)
Batalha do Cuito Cuanavale em mural no Museu das Forças Armadas em Luanda (Foto: Divulgação)
Batalha do Cuito Cuanavale em mural no Museu das Forças Armadas em Luanda (Foto: Divulgação)

A derrota imposta pelas antigas Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA) às tropas sul-africanas em 1988 e o envolvimento de efectivo cubano nas lutas de libertação em África foram os temas de destaque no simpósio internacional realizado, este final de semana, na cidade canadiana de Toronto.

Realizado na universidade de Toronto, na sequência da comemoração do 25º aniversário da Batalha de Cuíto Cuanavale, assinalado a 23 de Março,  o simpósio efectuou-se em torno do tema “As Guerras Desconhecidas de África: o Terror do Apartheid, Cuba e a Libertação do Sudoeste Africano”.

Durante a actividade foi apresentado o documentário “O guardião de irmãos e irmãs: Cuba e a Guerra de Libertação no Sudoeste Africano”  (Sisters and Brothers Keeper: Cuba & Southern African Liberation), que vincou a contribuição das forcas cubanas na Batalha travada em Cuíto Cuanavale, bem como em outras partes do continente africano.

Ao dissertar sobre o tema “A Batalha do Cuíto Cuanavale”, o professor de História de Cuba na Universidade canadiana de Dalhousie, Isaac Saney, explicou, de forma cronológica, os momentos marcantes deste conflito que opôs as tropas angolanas, apoiados pelos internacionalistas cubanos, às forcas do “regime racista da Africa do Sul”.

Segundo o orador, que é igualmente membro da rede de solidariedade e amizade Cuba Canadá, o “regime racista sul-africano teve serias dificuldades em aceitar que os brancos haviam sido derrotados pelos pretos e mulatos”, daí terem tentado camuflar a verdade dos factos dentro das suas fronteiras por temerem consequências adversas.

Saney explicou o contexto histórico mundial que afectou o desenrolar do conflito  que forcou o “regime do apartheid” a promover conversações quadripartidas que levou à assinatura do Acordo de Nova Iorque (EUA) e, consequentemente, à independência da Namíbia e à democratização da África do Sul, com o fim do regime segregacionista.

Por sua vez, o docente de Política Externa dos EUA na Universidade americana Johns Hopkins, Piero Gleijeses, afirmou que a Batalha do Cuíto Cuanavale vincou a superioridade militar de Angola na região.

Piero Gleijeses afirmou que a maior preocupação do então regime do Apartheid e dos seus aliados americanos, perante a superioridade militar demonstrada por Angola e Cuba, na referida batalha, era de que as forças angolanas e cubanas invadissem a África do Sul, daí terem assinado o Acordo de Nova Iorque.

O académico salientou que a vitória, destacada na imprensa mundial com títulos como “o emergir do orgulho africano”, levantou a moral de toda África e poderia ter causado uma alteração na ordem mundial”.

Ao abordar o tema “Cuba e a Libertação do Sudoeste Africano”, o diplomata cubano especialista em assuntos africanos e integrante da mesa das negociações que puseram fim à ocupação da Namíbia, Jorge Risquet, exaltou o papel desempenhado por Agostinho Neto que disse ter conhecido no festival internacional dos estudantes realizado, em 1953, em Bucareste.

Segundo Jorge Risquet, a coragem de Agostinho Neto – que, conforme afirmou, desafiou o regime português como poeta e mais tarde como guerrilheiro – é que foi determinante na derrota imposta ao regime sul-africano por ter sido ele que propiciou a colaboração entre Angola e Cuba, mediante o apoio solicitado por intermédio de Che-Guevara com quem se encontrara no Congo Kinshasa em 1965.

Salientou que Neto sabia da ameaça de uma invasão das forcas sul-africanas, razão pela qual solicitou o apoio de Cuba para treinar as forcas angolanas. Acrescentou que tão logo chegaram os 500 instrutores cubanos a Angola, ajudaram a criar quatro centros de recrutamento nas localidades de Saurimo, Cabinda, Ndalatando e Benguela.

Jorge Risquet falou dos confrontos que se travaram em Angola no período anterior à proclamação da independência de Angola, com destaque para as batalhas travadas em Kifangondo, Cabinda, bem como a operação denominada “Carlota” que repeliu as forcas sul- africanas no sul de Angola.

Para explicar a motivação das tropas cubanas no envolvimento da luta em Angola, a professora de História Africana na Universidade de Havana, Maria Elena Alvarez, ao dissertar o tema “Cuba e a Libertação do Sudoeste Africano”, falou das origens do povo cubano, proveniente dos escravos levados de África para a América, e do apoio concedido pelos países africanos na comissão dos direitos humanos da ONU.

Explicou que os ideais de Cuba, expulso da Organização dos Estados Americanos, coincidiam com as aspirações de liberdade dos países africanos.

No último dia do simpósio foi apresentado um outro documentário intitulado “Cangama” que narra os acontecimentos da batalha na localidade com o mesmo nome, província do Moxico, onde um punhado de instrutores cubanos e forcas angolanas repeliram um ataque perpetrado pelas forcas da Unita, apoiadas pelo então regime do Apartheid.

A embaixada de Angola participou do evento com uma delegação encabeçada pelo Embaixador Agostinho Tavares. Contou igualmente com a presença do embaixador de Cuba, do cônsul geral da África do Sul em Toronto, do cônsul honorário da Namíbia, membros das Missões Diplomáticas da Venezuela, estudantes, bem como membros das comunidades angolanas em Toronto, Hamilton e Mississauga (Ontário). (portalangop.co.ao)

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