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Um teste para os europeus
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Angela Merkel (REUTERS)

Angela Merkel (REUTERS)

A cimeira dos dirigentes europeus abriu  em Bruxelas sob o choque das revelações da vigilância a Angela Merkel pelos norte-americanos, que também vão servir de teste à atitude dos europeus perante a intensa espionagem dos Estados Unidos.

O Governo alemão anunciou na quarta-feira à noite que o telemóvel da chanceler “pode ter estado sob vigilância dos serviços norte-americanos”.
Merkel também pediu explicações ao Presidente Barak Obama, que lhe garantiu que os Estados Unidos não vigiam nem nunca vão vigiar as suas comunicações. A dirigente alemã sublinhou que se esta espionagem for confirmada, o considera “totalmente inaceitável” e isso implica um “sério golpe na confiança” entre os dois países amigos.
O embaixador dos Estados Unidos foi ontem à tarde chamado ao Ministério alemão dos Negócios Estrangeiros.
Antes, os serviços secretos norte-americanos tinham garantido que as informações da imprensa sobre a espionagem norte-americana, designadamente em França e no México, eram “inexactas e enganadoras”.
De acordo com o diário francês “Le Monde”, a Agência de Segurança Nacional (NSA) recolheu mais de 70 milhões de registos de dados telefónicos de cidadãos franceses.
Estas descobertas em cadeia surgiram depois das primeiras revelações de Edward Snowden, na Primavera, sobre o vasto sistema de vigilâncias cibernéticas norte-americanas, que visava especialmente instituições europeias. Em relação a tudo isto, os europeus não têm mostrado, até ao momento, qualquer unidade. A imprensa alemã presumiu ontem que a revelação da vigilância a Merkel foi um duro golpe para a chanceler, que sempre se mostrou compre­ensiva depois de terem começado as revelações sobre a NSA.
As questões de segurança dizem respeito a cada Estado, e não à União Europeia (UE), salientou uma fonte europeia antes da abertura da cimeira.
“Não imagino o Conselho” de chefes de Estado e de Governo “empenhado numa discussão sobre esta questão da segurança nacional”, considerou uma outra fonte europeia.
Mas alguns países, designadamente a França, querem aproveitar o escândalo para fazer avançar a proposta da Comissão Europeia relativa à protecção de dados, na qual os europeus tropeçam há uma série de meses.
Bruxelas quer que os grandes grupos da Internet obtenham consentimento prévio das pessoas para a utilização dos seus dados pessoais, sob pena de multas.

Suspender o acordo

Por seu lado, o Parlamento Europeu pediu na quarta-feira à Comissão Europeia para suspender um acordo UE-Estados Unidos sobre a transferência de dados bancários, assinado no quadro da luta contra o financiamento terrorista.
“Convocar o embaixador dos Estados Unidos não é suficiente. A Alemanha deve apoiar o pedido do Parlamento Europeu para se suspender o acordo”, afirmou ontem na sua conta Twitter Hannes Swoboda, o líder do grupo socialista no Parlamento Europeu. O outro assunto que deve ocupar os dirigentes é a política de imigração, três semanas depois da tragédia de Lampedusa. Os chefes de governo dos países do Sul confrontados com o fluxo de imigrantes no Mediterrâneo, Itália e Malta, mas também na Grécia,
Espanha e Chipre, vão exigir dos seus homólogos mais solidariedade concreta, três semanas depois do drama muito próximo da costa da pequena ilha de Lampedusa, que fez mais de 360 mortos. Não vão contentar-se com palavras. O chefe de Governo italiano, Enrico Letta, pede um reforço de Frontex, a agência de segurança das fronteiras europeias.
O maltês Joseph Muscat quer que a UE adopte uma “estratégia clara”. Quanto ao espanhol Mariano Rajoy, pediu na quarta-feira que o controlo das fronteiras seja “um esforço partilhado em conjunto pela União”.
Os chefes de Estado e de Governo devem contentar-se por pedir que seja “feito mais para evitar” novos dramas.
Em Junho de 2014, provavelmente depois das eleições europeias, vão rever a definição de uma “política de longo prazo” em matéria de asilo e de migração.
Diferentes fontes garantiram que vários países do Sul pediram com veemência que o texto seja melhorado. Uma nova versão foi elaborada e apela ao “reforço” da Frontex no Mediterrâneo e a uma “política de regresso mais eficaz”.
O texto também solicita o “rápido” incremento pelos Estados-membros da Eurosur, de um melhor sistema de controlo, particularmente no mar.
Também evoca a nova “task force” destinada a passar em revista os meios já à disposição da UE.
Depois da reunião de ontem está prevista uma avaliação para o mês de Dezembro. (jornaldeangola.com)

Por Jean-Luc Bardet | AFP

 

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