Tunísia: Primeiro-ministro diz estar comprometido com princípio da resignação

Ali Larayedh (Foto: FETHI BELAID/AFP)
Ali Larayedh (Foto: FETHI BELAID/AFP)
Ali Larayedh (Foto: FETHI BELAID/AFP)

O primeiro-ministro tunisino, o islamita Ali Larayedh, disse hoje que o seu governo estava comprometido com o “princípio” da resignação, conforme um plano para terminar com meses de impasse político.

O seu muito esperado discurso coincidiu com confrontos na região central de Sidi Bouzid, entre forças de segurança e homens armados, que causaram pelo menos a morte a seis polícias, e com protestos de opositores, reunidos no centro de Tunes, que querem a demissão imediata do governo.

“Repetimos hoje o nosso compromisso com o princípio da saída do poder, conforme as diferentes fases contempladas no plano”, disse Larayedh, depois de uma reunião de emergência do seu gabinete.

“Não nos vamos submeter a ninguém, exceto aos interesses do país”, acrescentou, numa declaração muito atrasada que suspendeu o lançamento programado para o início de tarde de hoje do há muito esperado diálogo nacional.

Até agora, o primeiro-ministro tem dito que só resigna depois de ter sido aprovada uma nova constituição.

A oposição tem esperado por um “compromisso claro” de Larayedh para resignar dentro de três semanas, como estipulado no calendário definido pelos negociadores e aceite pelo partido islamita Ennahda, como condição para o diálogo nacional começar.

De acordo com o calendário, as negociações devem conduzir dentro de três semanas à formação de um governo interino, composto por tecnocratas.

Os negociadores terão então um mês para aprovar uma nova constituição, leis eleitorais e um calendário para realizar eleições. Estes são os marcos fundamentais no processo de desbloqueio, que tem permanecido bloqueado de facto por disputas entre os islamitas, os seus aliados na coligação eleitoral e a oposição.

Os mediadores esperam que o diálogo entre as muito divididas fações políticas tunisinas constitua um passo crucial na transição democrática do país e termine com a crise iniciada em julho, com o assassínio de um deputado da oposição, Mohamed Brahmi, atribuído a islamitas radicais. (jn.pt)

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