Talibãs desvalorizam prémio de Malala e voltam a ameaçá-la de morte

O porta-voz reiterou as ameaças de morte contra a jovem ativista, referindo que o movimento irá tentar novamente matar a adolescente "até mesmo nos Estados Unidos ou no Reino Unido" (Foto: JN)
O porta-voz reiterou as ameaças de morte contra a jovem ativista, referindo que o movimento irá tentar novamente matar a adolescente "até mesmo nos Estados Unidos ou no Reino Unido" (Foto: JN)
O porta-voz reiterou as ameaças de morte contra a jovem ativista, referindo que o movimento irá tentar novamente matar a adolescente “até mesmo nos Estados Unidos ou no Reino Unido” (Foto: JN)

A ativista paquistanesa Malala Yousafzai que defende o direito das mulheres à educação “não fez nada” para merecer o Prémio Sakharov, atribuído pelo Parlamento Europeu, afirmaram esta quinta-feira os talibãs paquistaneses que reiteraram as ameaças de morte contra a adolescente.

“Ela não fez nada. Os inimigos do Islão estão a dar-lhe este prémio porque ela abandonou a religião muçulmana para se converter à laicidade”, afirmou, em declarações à agência noticiosa AFP, Shahidullah Shahid, porta-voz do Movimento dos Talibãs do Paquistão (TTP).

Estas declarações foram feitas via telefone a partir de um local não identificado.

O Parlamento Europeu (PE) anunciou esta quinta-feira a atribuição do Prémio Sakharov, que reconhece personalidades que lutam contra a intolerância, o fanatismo e a opressão, à jovem paquistanesa de 16 anos.

A escolha foi feita por unanimidade pelos líderes dos grupos políticos do PE.

“Hoje, decidimos dizer ao mundo que a nossa esperança por um futuro melhor está em jovens como Malala Yousafzai”, disse o líder do Partido Popular Europeu (PPE, o maior grupo político do PE), Joseph Daul.

A candidatura de Malala Yousafzai, que aos 11 anos, em 2009, começou a defender a educação feminina no vale de Swatt, no Paquistão, era apoiada pelos líderes dos três maiores grupos políticos do PE.

“Ela está a receber estes prémios, porque está a trabalhar contra o Islão. A sua luta contra o Islão é a principal razão para a atribuição destes prémios”, reforçou o representante dos talibãs paquistaneses.

O porta-voz reiterou as ameaças de morte contra a jovem ativista, referindo que o movimento irá tentar novamente matar a adolescente “até mesmo nos Estados Unidos ou no Reino Unido”.

Em outubro de 2012, Malala Yousafzai sobreviveu a um ataque de talibãs paquistaneses, que a balearam na cabeça, tendo-se tornado um símbolo da luta pelos direitos das mulheres e pelo acesso à educação.

Após ser operada no Paquistão, a jovem foi levada para o Reino Unido para receber tratamento, onde permanece para continuar a sua educação em segurança. (jn.pt)

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